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Três motivos para assistir ao show do pianista norte-americano Brad Mehldau hoje no Teatro do SESC Santana:
1 ) Brad Mehldau é hoje o pianista mais interessante no horizonte, é o cara que transita entre o erudito e o pop respeitando ambos, arquiteta camadas e alicerces de harmonias e improvisações para depois destruir/construir tudo de novo nota por nota. Pode ser o show do ano!
2 ) Quando tocou no belo Auditório Ibirapuera em 04 de Junho de 2006 protagonizou uma das mais intrigantes e belas cenas do pop: Brad Mehldau entra no palco e é aplaudido de pé por uma audiência lotada, começa a tocar e percebe que o piano está desafinado, continua a tocar e mexer nas cordas improvisando uma afinação. Um olhar mais atento e aguçado perceberia que Mehldau está agredindo seu instrumento, mas não, ele tenta tirar o melhor de ambos: ele e o piano. Raras vezes isso acontece no pop. A memória me faz lembrar de Neil Young em Buenos Aires tocando sem uma das cordas de sua guitarra e com o som do estádio desligado, vira as caixas de retorno para a platéia e faz um show histórico. Mehldau fez isso com seu piano.
3 ) No disco solo “Live In Tokyo” Brad Mehldau toca uma versão de “Paranoid Android” do grupo inglês Radiohead durante 19 minutos. No disco “Live” toca uma versão de “Black Hole Sun” do grupo grunge Soundgarden durante 23 minutos. Já ouvi a versão do Soundgarden. Hoje bem que ele poderia tocar a melhor música do Radiohead.
Um motivo para não assistir ao show do pianista norte-americano Brad Mehldau hoje no Teatro do SESC Santana:
1 ) Os ingressos estão esgotados desde a última quarta-feira. Pena.
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Lembrei do que Dapieve escreveu sobre Mehldau em seus shows: “Quem já assistiu a um show de Mehldau testemunhou o tormento físico da sua performance: ele fica meio torto, em transe, sobre o piano, o rosto voltado para longe da platéia. É impressionante.”
É impressionante e único!
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“Brilhante”
Duas dicas… musicais
Single Of The Week (# 005)
Um disco para se ouvir em dias de chuva, acompanhado…
“Life In A Glass House (Live)”, Radiohead
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eueopop: é impressão ou a música “Life In A Glass House” do Radiohead é a música mais fantasmagórica da banda? Ou seria “Exit Music (For A Film)”?
eueopop: há na internet – áudio, vídeo, DVD, fotos, reportagens, resenhas – registro de um show no Japão, é possível que o show no Brasil seja igual
eueopop: a idéia é assistir o show no Rio, voltar, assistir o segundo show em São Paulo… lembrar para o resto da vida… contar para os filhos…
eueopop: se em um dos dois shows a banda tocar ao menos as músicas listadas abaixo eu serei um ser humano mais feliz
eueopop: “Paranoid Android”, “There There”, “Exit Music”, “Weird Fishes/Arpeggi”, “No Surpreises”, “Creep”, “Bodysnatchers”…
eueopop: e se Thom Yorke cantar – o que eu acho muito improvável, muito mesmo – “True Love Waits”… desculpe, mas eu vou chorar
eueopop: assistir o show do grupo inglês Radiohead ao vivo no meu país é um dos meus 10 itens da “Lista da Bota”…
eueopop: ainda há tempo, restam menos de 1000 ingressos para o show em São Paulo, depois a banda pega sua nave espacial e volta para seu planeta
eueopop: faltam 10 dias para o primeiro show do Radiohead no Brasil, de hoje até a data este espaço se dedica a falar de apenas um assunto: Radiohead
eueopop: lembre-se o que eu escrevo: esses dois show no Brasil vão se tornar lenda, muitos vão assistir, mas poucos vão lembrar o que aconteceu…
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“Videotape (Live)”, Radiohead
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Alguma obra literária já deve ter abordado com mais competência e melhor argumentação, tentar decifrar o que move o homem à busca de alternativas que lhe possam diminuir o sofrimento perene, muitas vezes constante, do seu cotidiano nada prazeroso. Alguém já deve ter falado sobre o personagem de “Moby Dick”, que explica quando volta ao mar – sua verdadeira paixão – estar assim, diminuindo a proximidade da insanidade e poder voltar a sã consciência. Afinal, ferramentas que façam com que o homem volte a estar dentro de sua normalidade.
Este que assina acima, possui, assim como qualquer vivente do globo azul, suas ferramentas de normalidade (“válvulas de escape”), seja um filme do Tarantino, as leituras semanais das colunas preferidas, os livros que teimam em intimar uma leitura, os CDs de Radiohead e Los Hermanos e com passar dos anos a apreciação de jazz.
Poucas coisas se compraram a uma banda de jazz ao vivo e nada é tão aconchegante (beijo e abraço da namorada, abraço do sobrinho e o sorriso da irmã não valem…).
Por esses motivos que a vida nos impõe e aprendi que não vale a pena empregar tempo e paciência em discutir, não vou poder sanar o caos do cotidiano como gostaria, mas fica a dica.
Neste final de semana a sensacional banda de jazz Delicatessen faz show de lançamento de seu novo e segundo CD My Baby Just Cares For Me”, no belo SESC Santana.
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Carlos Badia (violão), Nico Bueno (baixo), Mano Gomes (bateria) e Ana Krüger (voz) fazem arte em estado bruto e Ana é uma das mais belas cantoras que este país já viu.
“É conhecida a história do sujeito que perguntou ao cantor e trompetista Louis Armstrong o que era jazz e recebeu como reposta a genial ‘se você tem de perguntar, você jamais irá saber.’ Bingo”. Escreveu certa vez Arthur Dapieve.
Não me pergunte o que é jazz.
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Serviço:
Sesc Santana – teatro – av. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, região norte, tel. 2971-8700. 349 lugares. Sáb. (6/12): 21h. Dom.: 19h30. 60 min. Não recomendado para menores de 12 anos. Ingr.: R$ 4 a R$ 16. Estac. (R$ 3,50 e R$ 7 a 1 ªh mais h adicional).
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“About Today “, The National
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A noite lá fora estava cinza, o céu nublado não era perceptível para quem não olhasse com atenção, o parque ao redor já adormecia assim como a cidade que o acolhia. Poucas estrelas decoravam o céu.
A fraquíssima escalação de bandas para a edição de 2008 do tradicional TIM Festival apontava apenas uma banda interessante em seu Line Up: The National. Exceto pela cuidadosa acolhida ao jazz, as bandas de estilo pop, rock ou eletrônico não tiveram atenção dos seus curadores. Para um festival que apresentou em outros anos aos palcos brasileiros Björk, Arctic Monkeys, The Strokes, The Arcade Fire, Wilco, Elvis Costelo and the Imposters, Daft Punk, Patti Smith, The Beastie Boys, TV On The Radio, The Rapture, The White Stripes, Beth Gibbons & Rustin’ Man, The Mars Volta, Primal Scream, 2 ManyDJs, Kraftwerk, Pj Harvey e Brian Wilson, este 2008 será lembrado por poucos momentos.
Quando um jornalista como Arthur Dapieve reconhece que “Não há escassez de bandas de rock no mercado. A relativa facilidade de tocar, produzir, gravar e fazer circular a música pulverizou as opções nas lojas (menos) e nos computadores (mais). Há muita coisa boa obviamente. (…) No entanto, a elas falta a ambição de se alçar do ‘alternativo’ ao essencial. Ou talvez lhes falte a capacidade mesmo.” é preciso dar atenção as raras exceções que transformam o pop em arte.
Quando os primeiros acordes de “Start A War” ecoaram na arena de eventos do parque do Ibirapuera era perceptível que teríamos uma noite especial, a poesia dos acordes traduziam beleza e a fúria inesperada que estava por vir. Com sua bateria marcada, a climática “Brainy” mostrou um The National entrosado, a banda em refrão cantando “Secret Meeting” a poesia de “Baby, We’ll Be Fine” e o clima de comunhão em “Slow Show” mostram que o The National não apenas era uma das bandas das quais Dapieve procurava como também ao vivo tem um show intenso.
Quando canta o vocalista Matt Berninger lembra Tom Waits ou Nick Cave, quando anda e dança sobre o palco lembra, e muito, Ian Curtis; em “Squalor Victoria” era perceptível sua animação e potencia vocal, em “Abel” um Matt Berninger furioso cantava evocando a potência dos instrumentistas, em alguns momentos a arena de eventos do Ibirapuera se tornou pequena para uma banda desconhecida, tremenda inversão de valores.
Quando a idéia de arte me vem à mente, a única certeza que tenho é que quero ser agredido, nas minhas certezas, no desconhecido, no presente e principalmente no futuro, quero ser contrariado, surpreendido. Seria muito fácil para o The National tocar na seqüência um hit ou uma canção mais conhecida, mas não, eles tocaram “All the Wine” e colocaram a calmaria para reinar, apenas depois começaram tudo de novo com “Mistakes For Strangers” e “Apartment Story”.
Para Ronaldo Lemos, um dos curadores do festival, “… é preciso, mais do que nunca, entender simbolicamente cada escolha, saber o que ela representa e que idéia ela materializa naquele momento”, por isso afirmar que The National foi a grande atração de um festival fraco é mostrar que é possível alçar o alternativo ao essencial. Quando o grande sucesso da banda “Fake Empire” ganhou as caixas de som o show já era um dos grandes concertos do ano, tocar na seqüência a pulsante “Mr. November” lembrando um, ainda, candidato Obama vencedor e presentear o público com “About Today”, obscura, calma e linda canção presente apenas no EP “Cherry Tree”, era proclamar a vitória dos desconhecidos.
O The Nation fez um show intenso, vivo, emocionante. Tudo o que se espera de uma banda ao vivo e em alguns momentos Matt Berninger colocou a lua no seu lugar. O céu dormiu estrelado. Como bem lembrou Mariana Tramontina “Matt canta com a mão no coração.”
O show do ano.
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TIM Festival 2008
Cérebro Eletrônico ![]()
The National ![]()
MGMT ![]()
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“Primal Scream ao vivo no TIM Festival 2004″
Poucos minutos depois da bela e misteriosa – bem que um pouco desse mistério foi à lona depois dessa apresentação – PJ Harvey dar beleza à uma noite feia e chuvosa, onde São Paulo parecia e muito com Londres, tudo o que ela havia construído: beleza, doçura, esperança… o Primal Scream destruiu. Dono do título de melhor e inesquecível show do 2º TIM Festival (e do ano), que aconteceu no Jockey Clube de São Paulo, entrou no palco representado primeiramente por Bob Gillespie que vestia uma calça prateada e paletó preto, parecendo um psicopata e não teve dó do público que ainda estava aquecido pelo calor humano da cult PJ.
Dando início ao ataque com a inédita “Alright”, já levantou a platéia, bateria, teclados, guitarras, guitarras, guitarras, isso mesmo eram três ao mesmo tempo no palco, mais batidas pré-gravadas. Quando foi divulgada a escalação para o festival era necessário dar destaque ao nome da banda, afinal eram 20 anos dedicados a uma inovação do estilo – não cabe chamar o Primal Scream de rock, a banda é mais. Unindo viagens psicodélicas, rock, dance music, incursões ao industrial, faz um apanhado do que se ouve de melhor nas últimas décadas, joga-se no liqüidificador e tritura tudo. O resultado disso está presente em discos como “Screamadelica” (Sire, 1991, inédito no país), para quem entende de música este é a segunda revolução de 1991 ao lado de “Nivermind” do Nirvana, com quase treze anos, sua importância está ainda presente na música atual; “XTRMNTR” (Sony, 2000) e “Evil Heat” (Sony, 2002). No primeiro Bob ordena “Mate todos os Hippies”, no segundo quase ordenou bombardear o Pentágono, não é preciso falar mais.
Daí a importância que este show merecia, uma parte – muito importante – do rock passando na nossa frente, Bob Gillespie (ex-baterista do Jesus and Mary Chain), Gary “Mani” Mounfield (baixista do ex-Stone Roses) e Kevin Shields (guitarrista do ex-My Bloody Valentine e tecladista do ex-Felt), a união de três bandas como essas era cartão de visitas e atestado de que o show seria – e foi – histórico.
“Accelerator”, a segunda da noite, simplesmente agrediu quem estava nas primeiras filas, o som quase insuportável de alto deixava alguns desconfortáveis e seria assim durante toda a noite. Em “Miss Lucifer”, a pista acolhia aqueles que queriam dançar e exorcizar seus demônios; “Rise”, que antes chamava-se “Bomb The Pentagon”, invade a pista, guitarras e microfonia estão presentes, a bateria e o baixo marcado dá o tom, antes onde havia o refrão “Bomb, bomb bomb the Pentagon” agora só “Rise, rise, rise”, mas para quem conhece uma versão gravada no Summersonic, no Japão no início de 2002, sabe que a música na verdade ainda prega a derrubada não só do Pentágono, mas de outras instituições americanas e claro de seu governo também.
O Primal Scream sem exageros é uma banda de guerrilha, menos política é verdade, mais de comportamento e em alguns momentos lembra Rage Against The Machine.
Enquanto a platéia já estava domada, a banda não quis saber dessa história, emendou “Shoot Speed Kill Light” e “Burning Wheel”, para aí evocar o massacre com “Kill All Hippies”, “- Hay Mr Gordon” inicia a porrada e ordena a eliminação dos Hippies, uma tempestade parece cair sobre o Jockey Clube, mas esta não era feita de água, sim de guitarras, grooves, loops e muito barulho. A banda já tinha feito seu papel, a noite já havia valido a pena. Mas ainda estávamos na sétima música.
As dançantes “Detroit” e “City”, esta marcada por uma microfonia gigantesca, continuaram a festa. Seqüenciadores, guitarras e ininterruptas batidas marcaram “99th Floor”, “Rocks” e “Kowalski”.
O mundo vai acabar
Em alguns momentos nessa curta vida achei que esta iria acabar. O primeiro que lembro foi em 2001, no Festival Abril Pro Rock com o show de Jon Spencer Blues Explosion, só um detalhe: duas guitarras e uma bateria mais nada, o pequeno teatro do SESC Pompéia foi ao chão; a segunda lembrança traumática foi também em 2000, no show do And You Will Know Us By The Trail Of Dead, no SESC Belenzinho, depois do show não sobrou nada do pequeno galpão, os integrantes a toda hora passavam seus instrumentos nos amplificadores, a microfonia era insuportável, saí do show com dor de ouvido.
No show do Primal Scream quando uma sirene começou a soar nas caixas de som, luzes estroboscópicas invadiram o palco, já era tarde, o alerta vermelho havia soado, “Swastika Eyes” era a pedrada da vez, paredes e mais paredes de barulho, microfonia, ruídos e batidas dançantes eram a ordem da noite. O perigo era eminente, o Primal Scream estava tocando ali na nossa frente e sem dó a cada música, agredia os presentes.
Ainda tocaram “Skull X”, antes de irem embora. Voltaram para o primeiro bis onde tocaram “Jailbird”, “Medication” quando todos jogavam a toalha, assim como no boxe, a turma de Glasgow, Escócia, onde a banda foi formada em 1984, resolveu celebrar a noite e amenizar – apenas um pouco -, e tocaram o clássico “Movin’ on Up”, catarse total e um merecido descanso.
Ledo engano, voltaram para o segundo bis, destruidor. Tocaram “Kick out the Jams” do MC5 essencial banda punk. Os que estavam ali e voltariam no dia seguinte para o show do Beach Boys Brian Wilson, estavam preocupadas, estaria confirmado o show, afinal, uma bomba atômica acabara de ser detonada ali.
Para mostrar quanto a música da banda é atual, Bob Gillespie disse: “A música deveria ser um refúgio para os esquisitos, pessoas que não conseguem se adequar, mas com um ponto de vista muito forte. Há covardes demais, pessoas sem imaginação. Hoje não há mais inssureição ou guerra declarada nos discos, exceto nos nossos. Ninguém escreve mais “Get Up, Stand Up”. Só fazem músicas para comerciais” em entrevista à agência de notícias International Feature Agency, à época de lançamento de “XTRMNTR”. Bob assim como os demais integrantes se fazem de veículos para o som da banda, e desta forma, transformam-se em homens-bomba.
Veja o set list:
“Alright”
“Accelerator”
“Miss Lúcifer”
“Rise”
“Shoot Speed Kill Light”
“Burning Wheel”
“Kill All Hippies”
“Detroit”
“City”
“99th Floor”
“Rocks”
“Kowalski”
“Swastika Eyes”
“Skull X”
1º Bis
“Jailbird”
“Medication”
“Movin’ on Up”
2º Bis
“Kick out the Jams”
















