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“23″, Blonde Redhead
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É possível perder de conta quantas vezes escrevi nesse espaço qual o motivo pelo qual leio blogs e escrevo: ler/contar boas histórias. O leitor mais atento talvez esteja cansado desse mesmo assunto, mas chamo a atenção mais uma vez para esse tema.
Mesmo com a imensa quantidade de blogs, revistas, colunas, livros, jornais e textos publicados é ainda difícil encontrar boas histórias a serem lidas e muito mais difícil ainda serem divididas e indicadas, passadas adiante, assim meio como um contrabando.
Por esse motivo sempre quando uma boa história ou fragmento de história chega a mim é mais que justo dividi-las com quem lê este espaço.
Mais uma vez o projeto Mojo Books é morada para belas palavras, palavras que despertam o interesse e a curiosidade, palavras que transbordam ternura mesmo quando duras, palavras com sabor doce, mas que acabam logo, assim como algodão-doce no céu da boca, palavras que vão embora no final breve de um conto curto, palavras com gosto de quero mais…
A especial Thais Machado publicou um conto no projeto “Single Book” transformando a canção “23″ do grupo Blonde Redhead em literatura.
Não é preciso dizer muito para quem conhece Thais, ela é sinônimo de talento, mesmo que ainda nascente, sem direção e foco, mas sempre honesto e intenso.
Fica um pedido/desafio para Thais (ei, você está aí?):
Sei que você consegue e tem talento para transformar um disco inteiro em conto, livro, história, literatura… Qual disco você transformaria em literatura e que história ele contaria?
Quero ler um Mojo Book seu, assim vai embora esse gosto de quero mais na boca, que fica após a leitura de “23″.
Fica o pedido!
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Leia também:
Single
Teaser
Três perguntas para o autor
É o amor, estúpido
Música: “Paranoid Android (Live)”, Brad Mehldau
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Já faz algum tempo o sensacional projeto multimídia Mojo Books publicou um texto deste que aqui escreve, resultando assim no Mojo Book “Grandes Infiéis” baseado no CD de mesmo nome da não menos sensacional banda Violins.
“Nem todas as histórias de amor são felizes. Algumas delas escondem pequenos segredos sujos que podem mudar completamente de foco quando o acaso entra em cena. José Franco Jr. explora a tensão de um dos álbuns seminais do novo rock brasileiro, criado pela banda Violins.” Diz o site
Agora, mais uma vez, o Mojo Books publica um texto meu, resultando no Single Book “Paranoid Android (Live)” baseado no CD ao vivo do gêniozinho do piano Brad Mehldau em uma versão para a grande canção do grupo inglês Radiohead.
Leia um trecho: “Eduardo viajava na melodia que saia das caixas de som, pouco tempo depois a puxou pela mão e a penetrou. Ana Maria o olhava com cara de prazer, mas lhe pediu para que desta vez ele não parasse mais.”
Enquanto um Mojo Book é baseado em um disco inteiro o novo projeto Single Book se baseia em apenas uma canção. Não há outra versão de Brad Mehldau e do Radiohead que me despertem tantos sentimentos quanto “Paranoid Android (Live)”.
É grata a leitura e não custa observar o saboroso catálogo de Books e Singles que o site disponibiliza para leitura.
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“Brilhante”
Duas dicas… musicais
Resenha. Entrevista. Mojo Book
Três perguntas para o autor
A cidade menos cinza
Eu pego no sono, sozinho.
Ego
Tudo-ao-mesmo-tempo-agora
Música:
“Silence (Live)”, Portishead
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A água caia morna e lenta como em um ritual de batismo – ele não era mais puro – mas ao contrário ele não se sentia purificado, todas suas ideologias e crenças haviam sido deixadas dentro de uma buceta, dentro de um preservativo, dentro de uma cama, dentro de um quarto de motel barato onde o néon estava descascando em uma segunda-feira chuvosa qualquer.
Não era apenas o ato – o sexo, a penetração, o esperma e os outros fluídos – era o simbolismo de tudo aquilo. Ele havia traído suas opiniões.
Corta.
Estava parado em frente ao local que haviam combinado. Um café sofisticado, desses modernos que querem dar a impressão de acompanhar as mudanças do tempo como se o homem e seu espaço não fossem a amostra da evolução, assim como antes muitos queriam desacreditar. Pediu um capuccino e um croissant. Bebeu em pequenos goles observando a qualquer momento o movimento dos que ali se aproximavam, alguém mais atento perceberia que ele demonstrava estar fazendo algo fora dos trilhos.
Ela, depois de algum momento, mas antes do combinado, chegou. Ele olhou-a de todas as formas, observou que havia depilado as pernas, mudado a forma de pentear os longos cabelos e percebeu ainda que ela usava um fio dental provocante. Mas o que ele queria era apenas uma coisa: sexo. Ele queria comer aquela mulher.
Na recepção pediu um quarto conhecido, freqüentado com certa freqüência, fez também o pedido de duas garrafas de vinho e um balde de gelo. Subiram para o quarto, ela foi a frente pirraçando-o com o andar sexy e as feições de menina má.
Ele já conhecia, já haviam saído outra vez, mas desta vez era diferente.
Ela foi direto para o banho, vinha da rua estava suja, ou ao menos acreditava assim. Ele depois de ouvir o chuveiro ligado se despiu e quis acompanhá-la, ela disse não, apenas queria que ele a observasse pelo box de vidro, ele começou a se masturbar.
Corta.
Chegou em casa despiu toda a roupa, guardou todas as peças em uma sacola, iria se desfazer de qualquer prova assim que o sol resolvesse ir dormir, entrou no banho. Quanto mais esfregava a pele e as partes púbicas mais se sentia culpado. Quanto mais unia sabonete a esponja e outros produtos de higiene próprios para o banho se sentia um covarde. Deixou o chuveiro ligado, foi até o armarinho, pegou escova de dentes e pasta, queria limpar também sua boca, a mesma que antes chupava o sexo de outra mulher, seus seios e sua boca carnuda, a mesma boca que em poucas horas iria beijar os lábios macios e puros de sua namorada. Voltou para a água e desta vez esfregava também a face, não conhecia aquele jovem rosto já com cabelos brancos, não conhecia aquela feição de culpa e escárnio, aquele oportunista que viu na ligação de dois dias atrás a oportunidade de “comer mais um bucetinha”…
Quanto mais a água lavava seu corpo, ele se sentia sujo.
Corta.
Depois de suas taças de vinho cada um, dois pacotes de preservativos jogados ao chão retornaram ao banho, queriam fazer mais, mas desta vez embaixo d’água, ela quebrara assim uma de suas regras: não tomar banho com o objeto de prazer, e ele a este momento já não havia mais o que perder, havia deixado entre as pernas da mulher ao seu lado toda a confiança de sua namorada, deixara a inocência de rapaz direito, admirado pelos vizinhos do bairro e amigos de escola… ele era agora mais um, mais um homem que trai apenas por sexo, ele queria alguém diferente, não sua mulher, não sua namorada, não importava que prometera para si mesmo nunca trair seu conforto, sua confiança e quem ele era: um homem de bem, nada disso mais importava, ele queria era encher mais um preservativo com seu gozo e o prazer que aquela mulher poderia lhe proporcionar.
- Que se foda o passado, eu quero é comer essa mulher debaixo d’água!
Fizeram tudo que um casal de amantes (?) poderiam fazer dentro do quarto de um motel barato. Enquanto seus parceiros estavam ganhando a vida honestamente: a namorada dele trabalhando até tarde e o marido dela cuidando das crianças depois do serviço, enquanto ela “saia para uma entrevista de emprego”. Fizeram o que nunca haviam feito com seus parceiros, encontraram inúmeras formas de dar prazer para o companheiro, ao final estavam exaustos, ela ainda queria uma ultima coisa, ele sempre quisera aquilo, mas era pedir demais, oras bolas, ela não era sua mulher, não lhe devia favor algum, voltaram para a cama para um ultimo ato.
Corta.
Na rua, entrou no primeiro bar que os olhos viram.
- Me dá um Jackie Daniels Cowboy e um outro com três pedras de gelo, uma coca-cola e me responde uma coisa: em que situação você trairia sua namorada, esposa…?
O cara do balcão fez o seu pedido, primeiro o Cowboy que foi bebido em um gole assim como manda a tradição, colocou outra dose, esta com gelo e depois um copo e a coca-cola, para apenas depois responder a pergunta.
- Eu trairia por sexo, assim como qualquer outro. Ou você vai me dizer que não comeria a gostosona da capa da revista porque ama sua mulher?
Foi para uma mesa, bebeu sua bebida, deixou o equivalente para pagar duas vezes a conta, seguiu para casa. Precisava de um banho.
“Quando você dança com o diabo, você não muda o diabo.
O diabo muda você”
Andrew K. Walker
Música:
“Maneiras”, O Rappa
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As leituras de jornais e revistas em busca de análise invés de notícia e, claro, de boas histórias já foram relatadas nesse espaço em outra oportunidade, não sei se consegui despertar o interesse do leitor mais atento para algum dos colunistas citados, sempre é este meu objetivo, não mais que isso.
As terças-feiras acolhem agora não apenas Arnaldo Jabor, mas também João Pereira Coutinho nas minhas pílulas de análise. Coutinho já possuía uma coluna na versão on-line do jornal “Folha de S. Paulo” e um pequeno espaço na página 2 da “Ilustrada” (caderno de cultura do jornal), onde, aliás, já escreveu até sobre “House”. Suas palavras e pensamentos sempre dissonantes ao que há de igual pela internet vem ajudar este blogueiro a ver melhor algumas coisas.
Outra dica de coluna é a “É Tudo Verdade” publicada às sextas-feiras no excelente caderno “Eu & Fim De Semana” do jornal “Valor Econômico”. Amir Labaki que assina a coluna é diretor-fundador do festival de documentários de mesmo nome, poucos escrevem sobre cinema como ele.
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Terminei a leitura de “Era Uma Vez O Amor Mas Tive Que Matá-Lo” e por mais que a escrita de Efraim Medina Reyes seja brutal e crua ele nos faz emocionar. Explico isso melhor em outra nota.
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“- Você vai passar o resto dos seus dias numa ilha deserta e pode levar um livro – ela diz.
- Um só?
- Um só. Qual você escolhe?
Ele pensa um pouco.
- Nenhum.
- Como, nenhum?
- Nenhum. Não vou ler, morto não lê.”
(…)
“- Se em vez de um livro eu pudesse levar um videogame. Um só. Sabe qual seria?”
Belo conto de Sérgio Rodrigues, vale mais que uma simples leitura, vale tentar decifrar qual seria a sua resposta para ambas as perguntas.
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Tenho guardado na gaveta das memórias duas, talvez três histórias para escrever um romance cada. Nos últimos dias entre o cinza e a garoa que invadem invariavelmente a cidade uma destas histórias pulsa.
Um jovem que se prepara para ir comprar o jornal e sua revista de música favorita, um bem sucedido advogado e uma jovem menina.
Um acidente, duas testemunhas, uma vitima.
Ambos tendem a levar para sempre a culpa e a covardia, todos reclamam uma segunda chance, mas para que, se nenhum deles, exceto a vitima (ou não?), aproveitaram a única chance que tiveram?
Sempre quando essa história pulsa lembro de Nick Hornby (adaptado, claro):
“Cometi um erro! OK, um erro. Um erro em, digamos, cem oportunidades. Consegui noventa e nove por cento e ainda assim fui reprovado no teste!”
Mas não houve cem oportunidades.
Todos merecem uma segunda chance?
Muitas vezes não.
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O primeiro livro da “Lista de presentes” já está em mãos. Não consegui esperar e me presenteei hoje com “Achei Que Meu Pai Fosse Deus – E Outras Historias Verdadeiras Da Vida Americana” de Paul Auster. A primeira impressão é de um grande livro com não apenas boas, mas deliciosas histórias.
Marcelo Costa escreveu sobre o livro e o relato emocionado de sua leitura.
Na introdução Paul Auster escreve: “Acho difícil imaginar que alguém possa ler este livro do início ao fim sem derramar pelo menos uma lágrima, sem gargalhar pelo menos uma vez.”
A leitura de “Beijar O Céu” de Simon Reynolds e “Ensaio Sobre A Cegueira” de José Saramago em versão e-book foram interrompidas.
“Achei Que Meu Pai Fosse Deus” é o motivo!
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Não sei se o leitor dá a devida importância para as músicas que abrem as notas publicadas neste espaço, mas de alguma forma, de algum modo e em algum momento elas quiseram dizer algo, como agora:
“Mas digo sinceramente
Na vida a coisa mais feia
É gente que vive lamentando e chorando de barriga cheia
É gente que vive chorando de barriga cheia
É gente que vive chorando de barriga cheia… “
“Maneiras”, O Rappa
Ainda escrevo uma nota com o título “Marcha dos Descontentes”.
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A Tula comentou na nota “O diabo sussurra no meu ouvido”: “É….a coisa tá ficando quente por aqui…”. Não acho Tula, a temperatura está muito quente aqui.
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Os dois próximos posts/notas encerram 2007.
(O aniversário se aproxima fecha-se um ciclo)
“Feliz 2008. O que quer que isso signifique.”
Havia escrito em seu blog que tudo fosse para o inferno. O dia seria punk, a semana já havia sido, mas em compensação naquela noite após a prova de Legislação iria assistir ao show de sua banda preferida. Perderia algumas das bandas de abertura, mas decidira para si mesmo que a noite seria muito boa.No balcão do bar pediu bloody mary e um chopp black da Brahma, olhou para a pista e viu várias meninas que lhe chamaram a atenção, mas apenas duas ou três lhe daria atenção, voltou o olhar para o bar. Já com os dois copos na mão olhou para as mesas tentando encontrar lugar vago para sentar, não encontrou, decidiu a sua própria revelia ir para a pista, ele odiava dançar, na verdade não sabia fazer isso sem passar por ridículo.
Resolveu então apenas mexer o corpo e beber, mas a menina na pista lhe despertou interesse. Ela estava com um vestido preto, não muito decotado, mas que deixava ilustrar com pensamentos impublicáveis sua visão, o vestidinho tinha detalhes em renda e ficava poucos centímetros acima do joelho. Ele criou coragem e se aproximou, falou algo em seu ouvido que a fez sorrir, ela acenou que não com a cabeça e desta vez ele sorriu. Perguntou se ela aceitava uma bebida, mas com uma condição, ela aceitou, mas antes esperaram o jornalista-DJ trocar de música.
Não retornaram mais para a pista, ficaram um bom tempo conversando antes do show principal da noite: Los Hermanos tocaria pela última vez na cidade antes de gravar um novo CD.
Ela gostava da banda, mas não entendia porque tanta badalação e tanta comparação com Legião Urbana, ele concordou com ela, mas amava a banda. Assistiram o show juntos, quase coladinhos, ela saiu antes para pegar bebida depois de recusar que ele fizesse isso, voltou com dois copos de coca-cola, sem mesmo saber se ele gostava. Ele agradeceu.
O show acabou, ela perguntou se ele tinha como voltar para casa, ainda era 3:30 da manhã, ele disse que não, a convidou para continuarem bebendo um pouco mais, ela disse que aceitava, mas com uma condição, conversaram por mais algum tempo.
Os dois levantaram juntos, ela foi na frente, ele abriu a porta do carro dela e colocou a chave no contato enquanto ela pagava o estacionamento, ela entrou e logo deu play no CD do carro. Enquanto a coletânea de novas bandas nacionais tocava iam conversando sobre escola, ela estudava Midiologia, ele Jornalismo. Ela disse que o circo era o lugar mais triste do mundo, ele disse que eram as rodoviárias e os aeroportos, ela discordou e ele formulou um argumento até que ela pediu para que ele ficasse quieto e que não conseguiria arrumar nada para defender uma idéia tão boba, ele ficou quieto, ela sorriu.
Saíram sem direção, até que ela perguntou se ele gostaria de ir ao apartamento dela, disse que morava sozinha, ele perguntou se ainda não era cedo demais, eles haviam se conhecido naquela noite e ele não costumava fazer “algo mais” no primeiro encontro, ela achou o gesto bonito, duvidou em silêncio da sexualidade dele, mas repetiu a pergunta, ele respondeu que iria para onde ela o levasse.
O prédio era imponente, ela morava três apartamentos abaixo da cobertura, ele entrou sem jeito, se acomodou no grande sofá e ficou observando ela sumir entre a escuridão do quarto e a pouca luz da sala.
No apartamento algo de novo cativava seu olhar, ele observava tudo, dos quadros na parede à cesta de balas próximo a cama dela.
Sempre brincava com os amigos que sua mãe lhe ensinara para ele não sair com desconhecidos, mas não havia como recusar o convite dela para sair daquela pista pós-show e irem a seu apartamento.
Ela morava sozinha, ele adorou isso. Enquanto ele estava conhecendo o apartamento sendo seu próprio guia de um lugar desconhecido, ela havia ido para o quarto, voltou com os cabelos soltos, dois ou três CDs em uma das mãos e na outra duas taças e vinho, pediu que ele fosse no quarto e na pequena geladeirinha pegasse um balde de gelo e pegador. Ele ao entrar no quarto percebeu que não havia apenas balas próximas da cama, mas vários outros tipos de doces, abriu a geladeira, pegou o gelo e saiu. Ao chegar na sala com vista para um parque que era protegido pela associação de moradores e pela prefeitura observou que ela já havia servido as duas taças e colocado um dos CDs no moderno aparelho de som: Brad Mehldau “(Solo Piano) – Live In Tokyo”, ele abriu um sorriso feliz e ela fez de conta que não viu nada.
“- Porque você gosta tanto daquela banda?” – ela se referia ao fato de ele já ter visto a banda da qual o show acabara há pouco.
“- Não sei, talvez seja o mistério de suas letras, a alegria que desperta um acorde de guitarra, como na canção “Condicional”, ou na beleza de “De Onde Vem A Calma”, mas realmente eu não sei” – ele respondeu ampliando a curiosidade dela.
Antes que ela fizesse outra pergunta ele se antecipou:
“- Mas acho que é o mistério mesmo, isso me intriga, por exemplo porque você gosta tanto de doce?”
“- Quem te disse isso?”
“- O seu quarto não nega!”
“- Talvez um dia eu te conte, não hoje.” – até aquele momento ela, apesar das caricias e da troca de beijos na pista de dança, ainda não havia decidido transar com aquele desconhecido.
Aos poucos foram mudando de assunto passando por ecologia, por causa do parque; de música, por causa do CD de jazz; de política, por causa de seu emprego; de adolescência, por causa de ambas as idades dos dois, ele tinha 25, ela quase cinco anos a menos; e, como não, de sexo, talvez pela quantidade de vinho que ela já havia bebido, não muito, mas o suficiente para desinibir ao ponto de falar algumas coisas que apenas um programa de bate-papo teria aberto a chance.
“- Você já transou com duas mulheres?” – ela perguntou depois te ter dito que havia decidido não transar aquela noite ao sair de casa, mas que ele havia mudado os planos dela.
Ele ficou ruborizado com o elogio e sem jeito respondeu que ainda não. Aquele “ainda” despertou ainda mais a curiosidade dela que peralta que era adiantou seus planos.
“- E que tal transarmos eu, você e minha namorada?”
Ele não levou a sério, não era possível aquela mulher na sua frente, a mesma que havia deixado-o sem direção na pista de dança ser lésbica, mas por educação ou retribuição de atenção respondeu que seria uma idéia para se pensar, mas que não tinha tanta sorte. Ela sorriu e pediu para ele esperar um pouco que ela iria até o quarto.
Trocou a lingerie de baixo, mudou do vermelho gritante e extremamente sexy para o champanhe suave e delicado. Queria ser sexy sim na cama, mas não, ainda, vulgar.
De lá do quarto chamou-o pelo nome: “- Eduardo vem aqui por favor e traz o vinho!” – quase gritou deixando escapar a exclamação de sua intenção.
Ele demorou um pouco, pegou as duas taças, colocou o vinho já pela metade dentro do balde de gelo e foi em direção ao quarto.
Chegando lá percebeu que a mesma música que saia do aparelho de som da sala também era trilha sonora para aquele ambiente, disse que aquela era a música que mais gostava na vida e que aquela versão ao piano em longos e exatos 19m39s era de arrancar lágrimas por tanta beleza, ela não ligou e disse que era apenas boa música, um jazz como qualquer outro, mas reconhecia que o interprete, o cara ao piano, era um gêniozinho.
Ela o olhou com a mesma intensidade que fez antes do show, ele retribui um olhar de carência e afeto correspondente em igualdade ao que fez na pista. Ela largou o vinho, mas antes deu um gole sem deixar entrar para o interior do corpo, o conteúdo estava na boca, pegou ele pelo braço, jogou na cama e com um jeito que só ela sabia fazer beijou seus lábio enquanto um mix de calor e refrescancia invadiu seu corpo, o liquido escorreu em boa quantidade pelo peitoral dele, ele não tinha um porte físico invejável, ela não ligava para aquilo, beijou seu pescoço e desceu até a barriga dele, ele retribuía com feições de prazer e contentamento.
Ela era r-ui!-va de cabelos longos, fartos seios, barriguinha na medida, nem pequena, nem – desculpem meninas – gorda, olhos castanhos-escuros, tinha quase o seu tamanho, mas era um pouco mais baixa, ele adorava isso.
Ela adorava jazz e rock inglês, disse que a primeira vez que ouviu Brad Mehldau – o gêniozinho do piano – traduzir Radiohead quase teve um orgasmo em plena loja de CDs, mas deixou isso para fazer em casa, na companhia, quem sabe, de alguém amável.
Ele que não era bobo, pegou ela pelo quadril e mudaram de posição, por mais que ele preferisse as mulheres por cima, desta vez inverteu a posição, ela estava por baixo. Ela já havia aberto sua calça e sentido a excitação ali dentro. Fez questão de encostar o seu corpo no dela, ela queria sentir aquilo, ele sabia, então porque não fazer?
Com a língua passeou pela sua boca, desceu pelo pescoço até encontrar os botões do lindo vestidinho preto. Desabotoou um por um. Até o momento em que Mehldau agrediu o piano. Eduardo seguiu a animalidade do pianista e rasgou com a própria boca os últimos três botões encontrando em seu final o paraíso em forma de lingerie. Uma calcinha quase transparente de cor champanhe bem clara, pensou em tentar provar se tinha o mesmo sabor da bebida francesa.
Ana Maria esfregou sua cabeça para baixo e pediu para que ele a chupasse, ele obediente retirou a calcinha com o maior carinho do mundo e notou que ela havia podado o sexo há poucos dias, os pêlos ainda estavam pontiagudos, mas ele não exitou, invadiu aquela cavidade com vontade até sentir em sua boca um novo paladar do qual o gosto era agridoce. Não entendia, ainda, porque Renato Russo em uma de suas músicas havia chamado aquela região de “Cova dos Leões”, poderia ser até mesmo triangulo das bermudas, mas nada que lembrasse leões.
Não contente apenas com a língua, Eduardo deixou de lado a boca e introduziu um dos dedos, depois outro, Ana Maria gemia, algumas vezes uivava, ele a beijava na barriguinha e subia com a boca cada vez que percebia que ela contraia o sexo, beijava seus seios, sua boca e principalmente seu pescoço, ela se contorcia. Mehldau tocava a última parte da música quando Ana Maria empurrou Eduardo para longe de si, não queria gozar àquela hora, pediu para que ele repetisse a música e enquanto ele atendeu o seu pedido ela abriu o pote de balas, pegou uma de menta e colocou na boca dele, sorriu e disse bem baixinho quase em silêncio que queria a bala de volta.
Ele foi em sua direção, quando se aproximou ela colocou a mão entre as pernas dele e pegou seu membro, acariciou com volúpia e o puxou para si, pediu para que ele beijasse seus seios, enquanto ele fazia uma das coisas que mais gostava no sexo ela estendeu a mão para dentro do balde de gelo pegando três cubos, colocou um dos cubos na boca de Eduardo, um outro na boca e o outro deixou escorrer pela própria barriga, Eduardo entendeu o sinal, pescou o cubo fujão com a boca com a mão começou a fazer movimentos circulares em um dos seios, com a boca brincava no outro seio.
Ana Maria masturbava seu parceiro, mas já não queria apenas isso, assim como Gwyneth Paltrow no filme “Grandes Esperanças” ela sussurrou em seu ouvido: “- Eu quero você dentro de mim.” Ele disse que ainda estava sem proteção, ela escorregou novamente a mão para dentro de uma gaveta ao lado da cama e sem olhar escolheu um sabor de camisinha: pêssego. Com carinho abriu o lacre, retirou seu conteúdo, beijou Eduardo e colocou a camisinha com a boca, fazendo movimentos de ida e volta, assim como ela gostava tanto que chupassem seus seios, ele gostava de receber sexo oral, não falou nada, mas ela deve ter percebido, ficou ali por mais algum tempo até que repetiu a frase ao ouvido e deixou que Eduardo lhe penetrasse.
Antes havia trocado a trilha sonora, o que tocava no som era um desses CDs de som lounge, não importava, sentiu um pouco de desconforto, não transava havia algum tempo, mas com os suaves movimentos que ele fazia enquanto com as mãos unia seus seios e algumas vezes os lambia ela foi deixando a pouca dor ser substituída pelo enorme prazer. Eduardo se esforçava para retribuir o prazer que há pouco ela lhe havia dado, tentava adivinhar que movimentos ela mais gostava, ainda não era possível, era a primeira vez que conseguia levá-la para cama.
Aos poucos mudaram de posição ela estava em cima e cavalgava apoiando-se nos calcanhares dele, ele estava prestes a gozar, ela ainda não. Pediu para que ela o chupasse com um dos cubos de gelo na boca, isso iria diminuir a circulação de sangue na região e ele poderia adiar a ejaculação, ela não entendeu direito porque ele havia parado de forma tão abrupta a penetração, mas o atendeu.
Com um cubo de gelo na boca acompanhado de um gole de vinho ela o chupou com vontade, ele pediu para ela diminuir a velocidade, mas antes a beijou com gosto. Ela era muito boa no que fazia.
Eduardo viajava na melodia que saia das caixas de som, pouco tempo depois a puxou pela mão e a penetrou novamente, mas não sem antes passear novamente pela “Cova dos Leões”, seja lá o que isso significava. Ana Maria o olhava com cara de prazer, mas lhe pediu para que desta vez ele não parasse mais.
Com maior velocidade e variação de movimentos ela gemia ainda mais, ele estava suado, gotas de liquido salgado escorriam pelo seu corpo, ela estava cada vez mais inquieta e com unhadas agarrou e contraiu seu corpo contra o de Eduardo, ela estava gozando, ficou assim por longos segundos até que depois levantou a cabeça em direção do teto do quarto, com as duas mãos juntou os cabelos, amarrou com um elástico qualquer e desceu em direção do membro de Eduardo, não saiu dali até que ouviu gemidos silenciosos e reconfortantes. Eduardo também havia gozado.
Beijou seus lábios, seus seios e pediu uma bala, mas não de menta. Ela levantou da cama, ele observou seu corpo, aquele pedaço de carne ainda quente que havia apreciado em sua boca. Ela foi até a sala, demorou um pouco, voltou com dois copos cheios de coca-cola, ele simplesmente amava coca-cola, ela apenas gostava muito. Ana Maria vestiu uma calcinha branca com detalhes de renda, Eduardo procurou seu shorts.
Ela perguntou porque ele era tão tímido, e porque havia criado coragem para conversar com ela antes do show, ele ficou quieto e a beijou passando a coca-cola da sua boca para a dela, ela disse que só gostava disso com vinho porque ele não tinha gás, mas aceitou o gesto.
Os dois ficaram conversando sobre jazz e rock inglês até pegarem no sono.
Quando ele acordou ela já estava com roupa trocada, banho tomado e terminando o café da manhã. Era sábado e ela tinha um compromisso, se despediu dele e pediu para que colocasse a chave debaixo do vaso de rosas vermelhas.
Eduardo foi até o banheiro, lavou o rosto e deu play no som, ela havia trocado o CD, “Live Forever” tocava nas caixas de som e como bobo dançava pelo apartamento. Bebeu suco de laranja, depois dois copos de coca-cola, alguns frios, na maioria salame e queijo fresco, escovou os dentes com os dedos, escreveu um bilhete e deixou na geladeira.
Foi para casa, fez a barba enquanto tomava banho, colocou o uniforme e foi trabalhar.
Rádio: “Paranoid Android”, Brad Mehldau
















