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Música: “Bichos Escrotos”, Titãs
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“Os homens ocos”, de T.S. Eliot
Tradução de Antônio Lázaro de Almeida Prado Assis
I
Nós somos os homens ocos
Nós somos os homens empalhados
Uns aos outros apoiados
Cabeça construída com palha. Ai de nós!
Nossas vozes secas, quando
Juntos balbuciamos
São calmas, carentes de sentido
Qual o vento sobre o capim seco
Ou como pés de ratos sobre vidro quebrado
Em nossa adega seca.
Forma inconsistente, matiz esbatido
Força contida, gesto sem movimento.
Aqueles que cruzaram,
Com seus próprios olhos o reino da morte
Recordam-nos – se tanto – não quais perdidas
Almas violentas, mas apenas
Quais homens ocos Homens de palha.
II
Olhos que não ouso defrontar nos sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não se entremostram: Ali os olhos são
Raio de sol sobre coluna quebrada
Ali há uma árvore balouçante
E as vozes são
No rumorejar do vento
Mais distantes e mais graves
Do que uma estrela mortiça.
Deixa quedar-me distante
Do reino onírico da morte
Deixa-me também vestir
Estes propositais disfarces
Pele de rato, plumagem de gralha, traves cruzadas
Em um campo,
Comportando-me, como o faz o vento,
Distante
Não é este ainda o derradeiro encontro
No reino crepuscular.
III
Esta é a terra morta
Esta é a terra espinhenta
Aqui os ídolos pétreos
Se erguem, aqui eles recebem
A súplica das mãos de um homem morto
Sob o cintilar de uma estrela esmorecente.
Será talvez assim
No outro reino da morte
Despertando sós
Na hora em que nos achamos
Trêmulos de ternura,
Os lábios que anseiam por um ósculo,
Formulam preces à quebrada rocha.
IV
Não estão aqui os olhos
Não há olhos aqui
Neste vale de estrelas mortiças
Neste vale oco
Rota mandíbula de nossos reinos perdidos.
Neste último reduto dos encontros
Tacteamos juntos
E o falar evitamos
Conregados à margem do rio túmido.
Cegueira inteira
Até que os olhos ressurjam,
Qual uma estrela perpétua,
Rosa multifoliar
Do sombrio reino da morte,
Tal, a esperança própria
De homens ocos.
V
Vamos à roda do cacto áspero
Cacto áspero cacto áspero
Vamos à roda do cacto áspero
À quinta hora do dia.
Entre o propósito
E a realidade Entre a potência
E o ato
Cai a sombra
Pois teu é o Reino
Entre o projeto
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Cai a sombra
Bem longa é a vida
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descida
Cai a sombra
Pois Teu é o Reino
Pois Teu é…
A vida é…
Pois Teu é…
É bem assim que o mundo acaba
É bem assim que o mundo acaba
É bem assim que o mundo acaba
Sem estrondo, só com vagidos.
Música:
“Eu Comi A Madona (Multishow Ao Vivo)”, Ana Carolina
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Na escola os amigos já pensavam: “Lá vem ele falar mais uma vez daquele jornalista carioca.” O leitor mais antigo deste espaço, que segue não sei por qual motivo essas palavras aqui escritas, sabe que não consigo ficar sem a leitura-divã da coluna de Arthur Dapieve.
Poderia tentar argumentar que ele foi o cara que me ensinou a gostar de jazz e cinema europeu, me mostrou um sem número de bandas que importam, indicou livros que hoje me orgulho de ter lido e tantas outras coisas que apenas a idiossincrasia poderia explicar, mas não são apenas essas coisas que me fazem acordar todas as sextas-feiras cedo e antes de dar bom dia para a vida ligar para a banca e reservar meu exemplar do jornal “O Globo”.
Dapieve me ensinou a querer escrever melhor, crente de que nunca teria seu estilo ou talento, contrabandeio suas dicas e passo a frente, muitas vezes neste espaço ou no Poppy.
Na sexta-feira passada, 25 de abril, a capa do caderno de cultura do jornal fazia a ansiedade em ler suas letras alcançar altos índices: “Coluna do Dapieve: Brad Mehldau é o cara do jazz na atualidade.”
Leitor, Dapieve escreveria sobre Brad Mehldau. Leitor, Brad Mehldau!!!
Se o leitor não sabe ou conheço quem é Brad Mehldau, ao menos, deveria.
Brad Mehldau é o pianista de jazz que mais gosto, é o cara que transformou a obra-prima do grupo inglês Radiohead em obra de arte. Brad Mehldau transformou a faixa “Paranoid Android” recheada de guitarras em um solo de 19 minutos ao vivo no Japão, gravado em seu ótimo disco “Live In Tokyo”, em uma sessão de relaxamento e viagem como ninguém. Hoje quando celebram o jovem Vítor Araújo, não sem merecimento, esquecem ou – essa nossa sempre grata imprensa musical – não sabem que Mehldau fez isso, brilhantemente, há seis anos atrás.
Ler as palavras de Dapieve veio mais uma vez confirmar o que já sei há 9 anos: ler Dapieve faz a diferença. Ele é um dos poucos que importa ler.
Dapieve escreveu a coluna para indicar o novo lançamento do pianista americano que quebra já há algum tempo o conservadorismo bobo dos fiéis de jazz. Mehldau é vanguarda. Prova disso é a inclusão de duas faixas que ficaram, em apenas uma palavra, s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-i-s ao piano: “Black Hole Sun” do grupo Soundgarden e o clássico “Wonderwall” do Oasis.
Em 2006, Mehldau lotou o lindo Auditório Ibirapuera em três noites, em uma delas estava lá eu descrente do que via:
O piano apresentou problemas durante toda a noite, tanto que o espetáculo foi atrasado em mais de 40 minutos, mas enfim o concerto teve inicio. Mehldau mostrou enorme paciência nas primeiras músicas, mas após chamar um afinador e perceber que o problema permanecia começou a “agredir” as cordas do seu instrumento enquanto tocava, aquilo foi sensacional. Não havia testemunhado nada parecido na música clássica ou no jazz, apenas em shows de rock, guitarristas esmerilharem suas guitarras tornou-se até mesmo normal, mas um pianista “bater” nas cordas internas enquanto dedilha as teclas de seu piano foi a primeira vez. Também lembrei do que Dapieve escreveu sobre Mehldau em seus shows: “Quem já assistiu a um show de Mehldau testemunhou o tormento físico da sua performance: ele fica meio torto, em transe, sobre o piano, o rosto voltado para longe da platéia. É impressionante.”
Mas nada fez aquela noite menos iluminada. Mehldau tocou Chico Buarque, duas canções do Radiohead e uma versão de 13 minutos de “Black Hole Sun” (o novo lançamento, “Live”, lançado em março nos Estados Unidos possui uma versão de 23 minutos de mágica, não outra palavra. Transformar a pesada versão do grupo de grunge em jazz não é para poucos, senão Mehldau).
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Em seu primeiro “Live In Tokyo”, gravado no Japão, há uma versão de 19 minutos da canção “Paranoide Android, como já escrevi acima. Poucas coisas nessa vida conseguem exorcizar demônios e o stress massacrante de um dia ou uma semana de trabalho em mim quanto esse CD.
Em fevereiro fui passar um pequenino período de férias no litoral, aproveitar o aniversário distante da paranóia da cidade cinza e ficar próximo de uma pessoa especial, junto levei meu disco ao vivo de Mehldau.
Ficar na varanda olhando para o mar ouvindo jazz ao vivo nos fones de ouvido e recebendo carinho faz com que as esperanças mortas em algumas coisas voltem a ter vida.
Experiência única!
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Há uma semana, ao abrir o caderno “Folhateen” do jornal “Folha de S. Paulo” e ir direto a coluna “Escuta Aqui” as primeiras palavras já me emocionaram: o tema da coluna era a dica de um pocket-show do grupo Portishead.
Assim escreveu Álvaro Pereira Junior “Musical e emocionalmente, um outro mundo. Desinteressado de grandes explicações, mas com obsessão pelo detalhes. Frio e distante na forma, mas desesperadamente confessional no conteúdo. Aflito, vital. Uma absoluta obra-prima contemporânea. Assim é ‘Portishead in Portishead’, um vídeo com sete canções novas dessa instável banda inglesa que lança este mês seu primeiro álbum em 11 anos.”
Para quem já assistiu o ótimo show em DVD “Roseland New York” sabe que Portishead ao vivo é devastar a alma. Beth Gibbons canta como se fosse sua ultima canção em vida, os novos arranjos são gélidos e suspensos pelo ar parecendo quebrar a qualquer momento, a guitarra de Adrian Utley e os efeitos de Geoff Barrows em nenhum momento se sobrepõem um ao outro, a harmonia de estar dentro de um iglu faz o ouvinte/telespectador desacreditar em esperança.
Não vale a pena entregar mais surpresas e detalhes. Como escreveu Álvaro Pereira Junior “O endereço é este: current.com/items/88899146_portishead_inportishead. ‘Portishead in Portishead’ é a perfeição.
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“Live” de Brad Mehldau e “Thyrd” do Portishead já são desde já discos do ano e o show de ambos devem ser vistos ao menos uma vez na vida.
Ficam as dicas, não minhas, mas sempre ótimas dicas.
Música:
“Don’t Explain”, Cat Power
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Melhor Disco Nacional
1 ) “Tribunal Surdo”, Violins
2 ) “Marcha Dos Invisíveis”, Terminal Guadalupe
3 ) “Fome De Tudo”, Nação Zumbi
4 ) “Daqui Pro Futuro”, Pato Fu
5 ) “Simulacro”, China
6 ) “Fino Coletivo”, Fino Coletivo
7 ) “Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria”, Roberta Sá
8 ) “Homem Binário”, Maquinado
9 ) “O Disco”, Los Porongas
10 ) “Sim”, Isabela Taviane
Melhor Música Nacional
1 ) “Grupo De Extermínio De Aberrações” e “Manicômio”, Violins
2 ) “Praça De Alimentação” e “Cachorro Magro”, Terminal Guadalupe
3 ) “Bossa Nostra”, Nação Zumbi
4 ) “Boa Sorte/Good Luck”, Vanessa Da Mata com Ben Harper
5 ) “Um Dia Lindo De Morrer”, China
6 ) “Boa Hora”, Fino Coletivo
7 ) “Mais Alguém”, Roberta Sá
8 ) “1000 Guilhotinas”, Pato Fu
9 ) “O Som”, Maquinado
10 ) “Mandinga Não”, Ana Cañas
Melhor Show Nacional
1 ) Mombojó, Teatro SESC Pompéia (03/06)
2 ) Céu, Sala Adoniran Barbosa, Centro Cultural São Paulo (13/05)
3 ) Delicatessen, Teatro SESC Pinheiros (20/02)
4 ) Pato Fu, Planeta Terra Festival (10/11)
5 ) Móveis Coloniais de Acaju, Choperia SESC Pompéia (26/01)
6 ) Mundo Livre S/A, Teatro SESC Pompéia (06/06)
7 ) Ludov, Teatro SESC Pompéia (13/06)
8 ) Os Mutantes, Pq da Independência (25/01)
9 ) Poléxia, Dynamite Pub (08/06)
10 ) Nação Zumbi, Parque da Independência (25/01)
Melhor Disco Internacional
1 ) “In Rainbows”, Radiohead
2 ) “Baby 81″, Black Rebel Motorcycle Club
3 ) “Hvarf-Heim”, Sigur Rós
4 ) “Back To Black”, Amy Winehouse
5 ) “Neon Biblle”, Arcade Fire
6 ) “Our Love To Admire”, Interpol
7 ) “An End Has A Start”, Editors
8 ) “Sound Of Silver”, LCD Soundsystem
9 ) “All Of A Sudden I Miss Everyone”, Explosions In The Sky
10 ) “Far From Refuge”, God Is An Astronaut
Melhor Música Internacional
1 ) “Weird Fishes/Arpeggi”, Radiohead
2 ) “American X”, Black Rebel Motorcycle Club
3 ) “Í Gær”, Sigur Rós
4 ) “Rehab”, Amy Winehouse
5 ) “All My Friends”, LCD Soundsystem
6 ) “The Pretender”, Foo Fighters
7 ) “Keep The Car Running”, Arcade Fire
8 ) “Heinrich Maneuver”, Interpol
9 ) “High Times”, Elliott Smith
10 ) “Down The Line”, José Gonzales
Melhor Show Internacional
1 ) The Rapture, Planeta Terra Festival (10/11)
2 ) Madeleine Peyroux, Via Funchal (19/09)
3 ) Björk, TIM Festival (28/10)
4 ) Aerosmith, Estádio Do Morumbi (12/04)
5 ) Kasabian, Planeta Terra Festival (10/11)
6 ) José González, Teatro SESC Vila Mariana (05/06)
7 ) Arctic Monkeys, TIM Festival (28/10)
8 ) J.P. Simões com Teresa Cristina, Teatro SESC Pompéia (21/06)
9 ) Datarock, Planeta Terra Festival (10/11)
10 ) Hot Chip, TIM Festival (28/10)
Melhor Filme Nacional
1 ) “Tropa De Elite”, José Padilha
2 ) “O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias”, Cao Hamburger
3 ) “O Cheiro Do Ralo”, de Heitor Dhalia
4 ) “Cartola – Música Para Os Olhos”, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda
5 ) “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho
Melhor Filme Internacional
1 ) “Mais Estranho Que A Ficção”, de Marc Forster
2 ) “Os Simpsons – O Filme”, de David Silverman
3 ) “Ratatouille”, de Brad Bird
4 ) “Zodíaco”, de David Fincher
5 ) “Lady Vingança”, de Park Chan-wook
Melhor Livro
1 ) “Ao Vivo No Village Vanguard”, Max Gordon (Cosac Naif)
2 ) “Kind Of Blue: A História Da Obra-Prima De Miles Davis”, Ashley Kahn (Barracuda)
3 ) “Homem Comum”, Philip Roth (Companhia das Letras)
4 ) “O Mundo é Mágico: As Aventuras de Calvin & Haroldo”, Bill Waterson (Conrad)
5 ) “Morreu Na Contramão: O Suicídio Como Notícia”, Arthur Dapieve (Jorge Zahar)
Melhor DVD Nacional
“A Pedra Do Reino”, de Luiz Fernando Carvalho
Melhor DVD Internacional
“Heima”, Sigur Rós
Melhor Festival de Música
Planeta Terra Festival
Melhor Jornal
“O Estado de S. Paulo”
Melhor Caderno Cultural
“Eu & Fim de Semana”, jornal “Valor Econômico”
Melhor Programa de Rádio
“Sala Dos Professores”, Eldorado FM 92,9
Melhor Programa de TV
“Provocações”, TV Cultura
Melhor Jornalista
Pedro Dória / Natalia Viana
Melhor Jornalista Pop
Marcelo Silva Costa
Melhor Colunista
Arthur Dapieve
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Pior Disco
“With Lasers”, Bonde do Rolê
Pior Show
1 ) Spank Rock, TIM Festival (28/10)
2 ) Juliette And The Licks, TIM Festival (28/10)
3 ) CSS, Planeta Terra Festival (10/11)
4 ) Lucy And The Popsonics, Planeta Terra Festival (10/11)
5 ) Lily Allen, Planeta Terra Festival (10/11)
Pior Festival de Música
TIM Festival
Pior Programa de Rádio
“Programa Chupim”, – Metropolitana FM 98.5
Pior Programa de TV
“Zorra Total”, TV Globo e “SuperPop”, Rede TV
Pior Jornalista
Diogo Schelp Editor de Política da revista “Veja”
Pior Jornalista Pop
Thiago Ney (“Folha de S. Paulo”)
Pior Colunista
Diogo Mainardi (“Veja”)
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Viva a idiossincrasia, o melhor da democracia ainda é isso.
O mais bacana nesses tempos instantâneos de impulsos elétricos e universos digitais onde conhecer e descartar informações se dissipam é que os melhores CDs (“Lady & Bird”, Lady & Bird e “Melody Mountain”, Susanna & The Magical Orchestra ambos de 2006) que ouvi em 2007 não são de 2007 e alguns dos melhores filmes e livros também não correspondem a data de leitura e execução. Listas de “melhores do ano” valem apenas para observar o que cada um deixou de acrescentar na sua própria lista e poder dividir gostos e descobertas.
A lista definitiva de 2007 ainda está em andamento, um disco que esqueci de acrescentar, um livro que ainda não terminei de ler, um filme que não pude assistir e espero oportunidade em DVD.
A cultura pop ainda vai nos salvar, algumas pílulas estão listadas acima.
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Melhores (e Piores) de 2006
Melhores (e Piores) de 2005
Melhores (e Piores) de 2003
















