You are currently browsing the monthly archive for Fevereiro 2009.
Na mesa de um bar, em uma oportunidade rara, pergunto para um amigo como ele fica sem internet, ele resume que tudo é culpa de problemas técnicos. Dou risada, porque oras bolas, isso nunca acontece com minha internet.
Segunda-feira passada após o dilúvio que devastou muitas coisas na cidade de São Paulo, minha internet foi para o espaço. Problemas técnicos… agora entendo meu amigo.
Este blog volta a programação normal no domingo ou na segunda-feira, mas não sei ao certo qual o futuro desse blog, lembra do blogueiro em crise?
“História Pra Contar”, Moptop
- – - – - – - – - -
eueopop: voltei da praia e a idéia era escrever um texto com o nome “Como quero envelhecer”, mas depois de mais um assalto o ânimo foi a zero…
eueopop: carnaval? Que carnaval? Você não leu o Dapieve hoje?
eueopop: um grande amigo comprou o DVD para videogame com os jogos que eu procurava, agora os dia serão divididos entre corridas e jogos de futebol
eueopop: mas agora tem o – punk – curso de línguas e o outro curso, caramba… mas vai ser bacana
eueopop: no começo do episódio “Lucky Thirteen“, de “House”, a Thirteen está com outra garota na cama, hummm, acho que vou assistir de novo e de novo
eueopop: precisa dizer quem é primeira colocada na “Hot List 2009″?
eueopop: em março um novo “Estilo Twitter”, mas desta vez sobre games e escrita por um cara que entende muito, pena ele não valorizar isso
eueopop: você leu a entrevista do Jarbas Vasconcelos? Acho que esse povo que dá atenção não assistiu o documentário “Mandando Bala”
eueopop: falta um mês para o melhor show do resto de nossas vidas e eu vou assistir duas vezes…
eueopop: a idéia era parar de escrever neste blog e parar de escrever qualquer outra coisa, mas você talvez não saiba: blog vicia!
- – - – - – - – - -
“A Escola de Frankfurt tem essa peculiaridade. Como certos blocos, ela se concentra, mas não sai. Ao contrário de todos os outros, porém, ela não sai nem de casa. Seus milhares de integrantes não se reúnem nunca. Neguinho da comunidade só aparece em jornal como exemplo de maluco que não pula carnaval, a não ser na folhinha. Portanto, como baluarte da Velha-Guarda, já providenciei os livros, os discos e os DVDs que me farão companhia nos próximos quatro dias. Estou animadíssimo. Com ‘O livro de areia’, do Borges.”
“G.R.E.S. Frankfurt” 20|02|2009

A tradição de balanços, promessas, simpatias e resoluções a cada final de ano não faz apenas com que cada pessoa faça também um pouco de auto-análise e auto-cobrança, mas também não queira refazer erros do ontem.
O ano começa hoje – e quem lê este espaço já sabe porque. Crer que 2008 não foi bacana e que 2009 o será pode fazer companhia ao Papai Noel ou a inocência do presidente Lula em muitos escândalos se os esforços não forem medidos, somados e superados diariamente.
2008 não foi apenas um grande ano, bacana onde pôde e sempre punk, mas nas dificuldades que encontrei, havia não apenas uma ou duas, mas várias outras opções para que o punk soasse outro estilo. Infelizmente não conclui alguns projetos pessoais, amizades ficaram mais distantes do que o habitual, outras foram embora de vez. O emprego continua o trabalho sujo de sempre e fede. O tempo que tanto me sobra não pode ser dividido com as poucas pessoas que amo, o dia-a-dia delas é diferente do meu noite-a-noite. O profissional apertou o pause e está estacionado até o momento, o que me dói mais ainda. O bolso não reclama, mas este capital poderia ser investido em outro sonho (espera aí 2009).
A coisa mais desagradável – até onde a memória não falha – que escrevi neste blog até estes dias foi o post “2007, check-out. 2008, check-in”. Embebido em ressentimentos o que é muito desagradável, alfinetava amizades que não mereciam mais (vai embora tempo, vai) minha atenção, abri o coração recheado de ódio e desamor…
Se 2008 me ensinou alguma coisa é que não se deve dar atenção ao que não merece, pessoas, coisas… acho que aprendi a lição.
Quando um emprego (dos dois que tinha) devastava minha alma a ponto de não agüentar mais depois de 7 anos, apertei o botão do foda-se, isso me deixou no vermelho, mas muito feliz.
2008 também foi o ano em que algumas coisas e sentimentos que foram regados lá no, hoje, longínquo 2007 semearam sementes e lindos frutos, se “A esperança é para os covardes” como disse o doutor Gregory House a realidade é a melhor prova de algumas coisas chegam, mas outras não. Às vezes eu sou covarde.
Não dá para olhar para traz e dizer que sou ingrato a 2008. Não, na verdade muito obrigado! 2009 começa hoje para mim, não sei você, com um descanso merecido e muita “covardia” no peito, batendo forte com a presença da melhor companhia que pode existir. Projetos estão sendo esboçados, ainda pretendo investir capital e dinheiro em um velho sonho que um amigo sempre serve de exemplo de que é possível, sim, alcançar.
Motivos para celebrar esse novo ano apontam no horizonte em grande quantidade desde um dos itens da “Lista da Bota”, ali em março, como 2 anos de “nós”, ali em maio. Memória, ilha de edição, mas em cada momento divido com você leitor atento algumas ferramentas de normalidade, assim que cada ponto final for escrito, pode deixar.
“Quando a gente fica de frente ao mar a gente se sente melhor” canta Nando Reis.
Para manter a deliciosa tradição passo o dia mais importante do ano na praia, bem acompanhado, claro, regado a caipirinha de saquê, bons filmes e uma ótima vista. É preciso refrear, deixar o slown motion acionado e “se sentir melhor”.
Não custa acrescentar ao caderninho de anotações como resoluções, balanços, promessas ou simpatias para este novo ano um “Por favor”, “Obrigado”, “Posso Ajudar”, “Desculpe”, “Senhor” a educação nunca é demais e abre sorrisos.
Faço apenas três pequenos pedidos em segredo, aqui no meu canto, a cada dia vou dedicar todos meus esforços para realizá-los e quando 2009 fechar os olhos quero estar feliz, não é pouca coisa e… não é pedir/querer muito.
Ótimo 2009, aproveite. Não lamento estar ficando velho, muitos não ficam.
De todas as promessas que faço, quero cumprir apenas uma: vou viver.
E é educativo lembrar sempre do que escreveu Daniel Piza: “O que vale nem sempre se mede.”
- – - – - – - – - -
Imagem: Blog Daniel Piza
“Escrever é sangrar nanquim”
Ferréz
“Portanto, em nada me espanta que músicos, empresários, jornalistas e fãs busquem reviver-lhe a mística a toda hora. O que me parece escapar a todos é o mais óbvio: amamos Drake porque ele é único, porque não haverá outro, muito menos um outro cuja música se pareça demais com a dele. Sim, aleluia, de vez em quando o chão ainda voltará a se abrir sob os nossos pés, ao ouvirmos algo distinto, mas tão sublime quanto ‘Way to blue’ ou ‘Fly’. Comigo, nos últimos anos, isso aconteceu com Antony and The Johnsons e Beirut.”
“O Dom Sebastião do folk”, 06|02|2009
“Empire (Alex C Remix)”, Kassabian
- – - – - – - – - -
Odeio a banda Tijuana.
Odeio não poder aceitar o convite de algum amigo para sair (que merda).
Adoro fazer aniversário.
- – - – - – - – - -

- – - – - – - – - -
Lembro de uma matéria publicada na revista “Bravo” falando sobre novos escritores, a matéria tinha o titulo de “Quem é o novo escritor da nova geração?” e dava destaque a dois nomes em especial João Paulo Cuenca autor de “O Dia Mastroiane” e Daniel Galera autor de “Mãos De Cavalo”, comparando-os a dois grandes escritores de outras gerações Fernando Sabino e Marcelo Rubens Paiva.
Isso sempre me acontece quando vejo a imprensa especializada ou os nomes de quem aprendi a confiar (Arthur Dapieve, Daniel Piza, Marcelo Costa…) celebrando um novo nome na literatura, o mesmo também acontece com novas bandas, mas aí estamos, dependendo do estilo, um nível abaixo. Sim, a literatura é superior, mas querer discutir isso é mesmo que tentar, em vão, descobrir o sexo dos anjos.
“Os novos escritores romperam definitivamente com o fantasma da ditadura, que por muito tempo assombrou a literatura brasileira. Suas obras incorporam a violência e os desafios da idade adulta.” Sintetiza o que é o novo escritor brasileiro ao qual o titulo da matéria busca.
Entender o mecanismo que define o que merece as luzes ou a sarjeta, dentro da imprensa cultural é tão ou mais interessante do que muitas vezes as obras analisadas, isso se faz necessário para alcançarmos o entendimento completo e saber porque esses dois nomes surgem em destaque na matéria, mas prefiro – agora – jogar os holofotes em outra direção.
Por mais que admire e seja séqüito de Daniel Galera que em 2008 escreveu o ótimo “Cordilheira”, não há como deixar de ficar entusiasmado com a escrita de outro jovem escritor: Flavio Izhaki.
“De Cabeça Baixa”, seu primeiro romance, transborda inventividade e torna o leitor refém de suas escritas. A trama segue ruas bifurcas onde o único guia é um rapaz sem direção, onde a bússola que o conduz aponta para diversos caminhos ao mesmo tempo, o que faz com que seu coração – e o nosso – seja tragado a cada pulsar.
Não é possível ler “De Cabeça Baixa” e permanecer indiferente à escrita de Flavio Izhaki. O leitor mais atento encontra seu blog, matérias lhe dando destaque, contos em coletâneas e encontra não uma promessa como li aqui e acolá, mas um escritor formado. Todas as ruas bifurcas de sua escrita tem direção certa, mas apenas ele sabe disso, que bom.
Diferente de querer encontrar “o novo escritor da nova geração” o leitor encontrará uma escrita deliciosa, uma trama envolvente e um escritor que não aponta o umbigo nas teclas do computador ou máquina de escrever, mas uma história bem contada, pontuada por dúvidas e nenhuma certeza.
Me lembro de uma frase do doutor Gregory House “A esperança é para os covardes”.
Flavio Izhaki é um futuro presente e “De Cabeça Baixa” não é apenas o melhor livro de 2008 é um grande livro, um novo clássico que repousa inquieto na estante.
- – - – - – - – - -
Livro: “De Cabeça Baixa”
Escritor: Flavio Izhaki
Editora: Guarda-Chuva
Ano de Lançamento: 2008
Avaliação: ![]()
“Paranoid Android (Live)”, Brad Mehldau
- – - – - – - – - -
O ato de observar a rolha, cheirar o liquido, provar o primeiro gole como fosse a primeira noite de um casal e exigir a pureza faz do ato de beber vinho uma chatice sem igual, talvez se compare apenas com o discutir de futebol sem visualizar os gols.
“É conhecida a história do sujeito que perguntou ao cantor e trompetista Louis Armstrong o que era jazz e recebeu como reposta a genial ‘se você tem de perguntar, você jamais irá saber.’ Bingo.”
Quando o ato – se é classificável assim – de ouvir jazz torna-se mais burocrático do que o Palácio das Esplanadas é sinal de que algo está muito errado, mas alguns ouvintes seguintes da tradição sem vislumbrar na ruptura uma nova abertura para que o estilo se torne “pop” fazem com que o ouvir jazz torne-se chato assim como o ato de beber vinho seguido de todo seu ritual, assim como escreveu Dapieve acima.
Por isso quando aparece no horizonte um jovem pianista como Brad Mehldau e torna peças pops como Radiohead ou Soundgardem sem perguntar “o que é o jazz”, é preciso agradecer aos deuses do bom gosto e seguir o caminho deixado/aberto por ele.
A versão ao vivo flagrada em “Live In Tokyo” de 2004 para “Paranoid Android” do grupo inglês Radiohead não é superior a original por estarmos tratando do grupo mais interessante desde muito tempo e hoje o grupo mais inventivo que há, que ousa em fazer diferente e, depois, diferente do diferente numa época em que a tônica é fazer mais do mesmo.
Brad Mehldau prima em fazer diferente do diferente em uma época onde o ouvir jazz tornou-se simbolismo de classe social ou status, que pena essa época.
Mehldau desconstrói a canção do Radiohead e substitui peça por peça, a cada acorde, um novo elemento, onde as guitarras vibrantes de Jonny Greenwood e o gênio Thom Yorke recebem camadas de criatividade e ruptura tornando-se um novo clássico. Novo Standard, coisa rara no jazz.
Assisti Mehldau ao vivo no lindo Auditório Ibirapuera a alguns anos, ele é único quando mescla fúria e beleza, sua música remete a noites de tormenta.
A versão de quase 10 minutos é devastadora.
- – - – - – - – - -
Música: “Paranoid Android (Live)”
Disco: “Live In Tokyo”
Banda: Brad Mehldau
Ano de Lançamento: 2004
Avaliação: ![]()
- – - – - – - – - -
















