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“Camila, Camila (Acústico)”, Nenhum De Nós
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“Faça Um Milagre Em Mim”, Regis Danese
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eueopop: se eu disser que a música que eu mais ouvi essa semana chama-se “Faça Um Milagre Em Mim” de uma cantor gospel, você vai acreditar?
eueopop: a nova televisão – gigante – na sala me faz querer um videogame Supernintendo e dois jogos que amo, e quem disse que eu encontro para vender
eueopop: a série “Lost” está tão sem graça com essa história de viagem no tempo que em alguns momentos eu penso em parar de assistir, mas não consigo
eueopop: não consigo entender todo esse burburinho em torno das bandas Cérebro Eletrônico e Vanguart. Você entende? Todos estão surdos?
eueopop: você também quer assistir o fofo filme de animação “Coralina”?
eueopop: quando se namora a única coisa chata é ter que assistir comédias românticas sem graça, mas todo o restante vale a pena…
eueopop: quem assistiu o episódio “Not Cancer” (5.02) de “House” e não chorou talvez não tenha coração ou não saiba o valor de uma amizade, uma pena
eueopop: Max Gehringer lista todos os motivos para não fazer mais parte do quadro de funcionários de uma empresa, por que motivos ainda estou lá?
eueopop: tenho a tradição de uma semana antes do melhor dia do ano comprar um livro de presente de aniversário, este ano foi “Na Praia” de Ian McEwan
eueopop: você sabe, não é? faltam sete dias para acabar o ano e começar o melhor mês, mais: eu adoro ano ímpar… sempre são os melhores
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“Machine Gun (Live)”, Portishead
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Attitude is Everything
Por Marcelo Costa
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“We Carry On (Live)”, Portishead
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“Vida Loka (Parte 1)”, Racionais MC’s
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Sempre quando o play aciona a faixa quatro do disco “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia” lembro da capa de duas revistas. Em algum momento da história a “Carta Capital” e a “Caros Amigos” – oras bolas, quem mais? – deram destaque para a periferia personificada na imagem de Mano Brown, não era época do sucesso devastador do álbum “Sobrevivendo No Inferno”, mas a memória deixa escapar as expressões usadas por ambos os veículos.
Sempre me pergunto também quando aquele mesmo rosto irá aparecer novamente na capa de outras revistas de relevante importância, sem trazer a cabo preconceitos e distorção com a periferia retratada o que normalmente acontece, exceto nessas duas raras exceções.
Nunca vi reportagem radiografar com resultado cirúrgico a periferia e sua realidade como “Mano Brown, O Outro Lado Do Brasil” de Phydia de Athayde publicada na citada “Carta Capital”.
Há inúmeras músicas que retratam a periferia, sua realidade e a dificuldade de se viver entre o morro e o asfalto, a favela e o condomínio fechada, mas a massacrante maioria derrapa no clichê de querer dividir “aqui” e “lá”, “nós” e “eles”, “manos” e “playboys” sem sempre se perguntar que a periferia é fruto de ambos os lados, esse papo já rendeu vários ensaios, entre eles o belíssimo e histórico “As Fratrias Órfãs” de Maria Rita Kehl.
Mas a música maior que retrata cada beco e sentimento do que é morar na periferia, do quanto a vida é dura e nada flexível sem acentuar clichês e soar moralista, mas apenas real é a faixa quatro do disco “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia”. Aliás, o próprio nome do disco mostra qual é a realidade e a esperança de (sobre)viver “do outro lado da ponte”.
“Vida Loka (Parte 1)” é um outro hino nacional, mas com as luzes, ou melhor, as sombras apontando para a periferia.
Se uma música faz isso, como analisar as tantas outras faixas do disco? Não é pouca coisa.
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Música: “Vida Loka (Parte 1)”
Disco: “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia”
Banda: Racionais MC’s
Ano de Lançamento: 2002
Avaliação: ![]()
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“Tell Me It’s Not Over”, Starsailor
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Academia ignora blockbuster e insiste no “filme de Oscar”
Os 10 piores games de todos os tempos
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“Negro Amor”, Toni Platão
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Odeio comentaristas/analistas políticos que têm inclinação para algum partido.
Odeio vodka.
Adoro meu cobertor velho.
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“Televisão”, Titãs
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A entrevista do presidente Lula cedida ao jornalista Mário Sérgio Conti, publicada pela revista “Piauí” onde Lula declara que não lê jornais rendeu bem menos análise do que poderia suscitar, uma pena.
Dois textos deixaram de escapar pelo ralo comum e colocaram o leitor mais atento, também, como personagem: “O presidente Lula não lê. E daí?” de Alberto Carlos Almeida no “Eu & Fim De Semana” e a coluna semanal do sempre atento Daniel Piza no texto “Azia e má gestão”, prefiro o primeiro ao segundo, mas como sempre é bacana os dois se completam.
Alberto Carlos Almeida autor do interessante “A Cabeça Do Brasileiro” traça uma linha que vai das origens religiosas, a tradição oral da nação, a circulação de jornais nos Estados Unidos e a colonização européia, não é pouca coisa. “A tradição americana é menos oral e mais escrita. A brasileira é mais oral e menos escrita. Barack Obama, o Lula americano, é professor da Universidade de Chicago, a que tem maior quantidade de prêmios Nobel. Lula veio do sindicalismo. A biblioteca do Congresso americano é a maior do mundo. O Brasil é o país onde o ‘BigBrother’ mais faz sucesso. Novelas há lá como cá, mas elas existem e fazem muito sucesso em Portugal. As tradições são diferentes, mas estão aí para ser mantidas ou alteradas.”
Daniel Piza segue uma direção diferente e aponta as causas de o presidente não querer ler o noticiário, desde as demissões em massa até a forma como o governo é tratado pela imprensa, mas Piza vai além e mostra as fissuras de um governo que preferiu uma caminho já plano e fez o mais do mesmo onde se sabe é interessante trilhar novos rumos. Cada nação tem o governo que mereçe (elegeu).
Vale a pena não apenas se firmar nessas duas opiniões, mas somá-las ao bojo que essa afirmativa do presidente pode vir a resultar principalmente na educação. Que pena Gustavo Ioschpe estar envolvido com outros projetos, seria interessante ler o que ele tem a dizer.
O que deixa a sensação de que é fácil ou muito ralo criticar sem analisar é ver o restante da imprensa apenas dizer que Lula não lê porque não teve educação ou é – para os sem visão – burro. Alberto Carlos Almeida sintetiza o que esse post/nota quer dialogar com seu título/pergunta: “Lula é produto do meio, mas também age sobre ele.”
O leitor tem o mesmo papel dentro da sua sociedade, é produto, mas também pode alterá-lo. A pergunta é: Mas quer alterá-lo? Quer ler? Analisar? Criticar? Encontrar respostas?
“Jorge Da Capadócia”, Racionais MC’s
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“Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo, meu corpo não alcançará
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge“
“Jorge Da Capadócia“, Jorge Ben Jor
“Forrest Gump é mato,/ eu prefiro conta uma historia real,
Vô conta a minha…”
Depois de correr muito, muito, muito mesmo (fiz em 12 minutos um caminho que normalmente faço em 30, 40 minutos, não é pouca coisa) para pegar o ultimo ônibus que me leva para casa, entro no ônibus cansado, exausto, os joelhos doendo, queimando, mas a tempo.
Depois do ônibus fazer em 25 minutos a noite um percurso que faz em 40, 50 minutos durante o dia chego ao meu ponto, desço eu mais dois rapazes que seguem quase o mesmo caminho, eles pegam um esquina diferente, eu sigo para casa.
No portão de casa quando pego a chave para entrar já planejando descansar do dia/noite de trabalho, jantar e assistir um filme no DVD a merda acontece:
- Vai. Vai. Vai. Dá a grana. Dá a grana. – ladrão 1.
- Perai, eu to vindo do trampo… – eu.
- Atira nele. Atira nele. – ladrão 2.
- Dá o celular. Dá o celular. – ladrão 1, enquanto me empurra para o portão de casa.
- Mãe. Pai. – eu grito em pânico e sem reação.
- Atira nele. Atira nele. – ladrão 2.
- Dá o celular. Dá o celular. – ladrão 1 enquanto e me empurra novamente e percebe que alguém acendeu a luz da garagem.
Tiro a blusa para mostrar que não tenho nada (arma, faca, alguma forma de reação)…
- Passa a grana. Dá o celular. – ladrão 1.
- Eu não tenho, eu tô vindo do trampo, tava trabalhando. – eu.
- Atira nele. Atira nele. – ladrão 2.
Tiro minha mochila com alguns pertences pessoais, do trabalho, algumas matérias de joprnais e um livro e seguro com a mão direita, tudo isso para mostrar que não tenho celular (logo eu leitor…)
- Atira nele. Atira nele. – ladrão 2.
O ladrão 1 arranca a mochila da minha mãe enquanto o outro manda me matar e eu pensando pra que isso já que estou colaborando…
- Pô não leva não cara tem a roupa do trampo. – Pô não leva não cara tem a roupa do trampo. – eu.
Meu pai, minha mãe e meu irmão aparecem na garagem, eles correm, eu decepcionado por ter “perdido”… Minhas pernas doem, estou cansado, com medo e sem fé, sento no chão…
Entro em casa desconsolado, as pernas tremem, a cabeça congela cada movimento, depois de alguns minutos choro, um misto de medo, raiva, impotência, e sofrimento por não ter alcançado alguns objetivos que quero.
Choro agarrado a uma almofada, sem olhar para minha família, tenho vergonha e raiva.
Havia um livro na mochila, uma das minhas novas leituras: “Muito Longe de Casa: Memórias de um Menino-Soldado” conta a história de Ishmael Beah jovem que teve que matar e viveu na guerra, não muito diferente dos adolescentes que roubam e matam nas grandes cidades… baita ironia.
Por algum motivo estou aqui – poderia não estar. Qual? Não sei. Os gritos de “Atira nele. Atira nele” ecoam na minha cabeça. Eu fico me perguntando pra quê, por quê atirar? Eu estava colaborando. Quem vai saber a resposta?
Mais um assalto na cidade que é grande demais para resolver seus problemas.

















