“About Today “, The National
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A noite lá fora estava cinza, o céu nublado não era perceptível para quem não olhasse com atenção, o parque ao redor já adormecia assim como a cidade que o acolhia. Poucas estrelas decoravam o céu.
A fraquíssima escalação de bandas para a edição de 2008 do tradicional TIM Festival apontava apenas uma banda interessante em seu Line Up: The National. Exceto pela cuidadosa acolhida ao jazz, as bandas de estilo pop, rock ou eletrônico não tiveram atenção dos seus curadores. Para um festival que apresentou em outros anos aos palcos brasileiros Björk, Arctic Monkeys, The Strokes, The Arcade Fire, Wilco, Elvis Costelo and the Imposters, Daft Punk, Patti Smith, The Beastie Boys, TV On The Radio, The Rapture, The White Stripes, Beth Gibbons & Rustin’ Man, The Mars Volta, Primal Scream, 2 ManyDJs, Kraftwerk, Pj Harvey e Brian Wilson, este 2008 será lembrado por poucos momentos.
Quando um jornalista como Arthur Dapieve reconhece que “Não há escassez de bandas de rock no mercado. A relativa facilidade de tocar, produzir, gravar e fazer circular a música pulverizou as opções nas lojas (menos) e nos computadores (mais). Há muita coisa boa obviamente. (…) No entanto, a elas falta a ambição de se alçar do ‘alternativo’ ao essencial. Ou talvez lhes falte a capacidade mesmo.” é preciso dar atenção as raras exceções que transformam o pop em arte.
Quando os primeiros acordes de “Start A War” ecoaram na arena de eventos do parque do Ibirapuera era perceptível que teríamos uma noite especial, a poesia dos acordes traduziam beleza e a fúria inesperada que estava por vir. Com sua bateria marcada, a climática “Brainy” mostrou um The National entrosado, a banda em refrão cantando “Secret Meeting” a poesia de “Baby, We’ll Be Fine” e o clima de comunhão em “Slow Show” mostram que o The National não apenas era uma das bandas das quais Dapieve procurava como também ao vivo tem um show intenso.
Quando canta o vocalista Matt Berninger lembra Tom Waits ou Nick Cave, quando anda e dança sobre o palco lembra, e muito, Ian Curtis; em “Squalor Victoria” era perceptível sua animação e potencia vocal, em “Abel” um Matt Berninger furioso cantava evocando a potência dos instrumentistas, em alguns momentos a arena de eventos do Ibirapuera se tornou pequena para uma banda desconhecida, tremenda inversão de valores.
Quando a idéia de arte me vem à mente, a única certeza que tenho é que quero ser agredido, nas minhas certezas, no desconhecido, no presente e principalmente no futuro, quero ser contrariado, surpreendido. Seria muito fácil para o The National tocar na seqüência um hit ou uma canção mais conhecida, mas não, eles tocaram “All the Wine” e colocaram a calmaria para reinar, apenas depois começaram tudo de novo com “Mistakes For Strangers” e “Apartment Story”.
Para Ronaldo Lemos, um dos curadores do festival, “… é preciso, mais do que nunca, entender simbolicamente cada escolha, saber o que ela representa e que idéia ela materializa naquele momento”, por isso afirmar que The National foi a grande atração de um festival fraco é mostrar que é possível alçar o alternativo ao essencial. Quando o grande sucesso da banda “Fake Empire” ganhou as caixas de som o show já era um dos grandes concertos do ano, tocar na seqüência a pulsante “Mr. November” lembrando um, ainda, candidato Obama vencedor e presentear o público com “About Today”, obscura, calma e linda canção presente apenas no EP “Cherry Tree”, era proclamar a vitória dos desconhecidos.
O The Nation fez um show intenso, vivo, emocionante. Tudo o que se espera de uma banda ao vivo e em alguns momentos Matt Berninger colocou a lua no seu lugar. O céu dormiu estrelado. Como bem lembrou Mariana Tramontina “Matt canta com a mão no coração.”
O show do ano.
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TIM Festival 2008
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