Música: “Love Is A Losing Game (Live)”, Amy Winehouse
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Lembro quando perguntei para um grande jornalista que muito admiro o que ele achava da idéia de eu escrever em um site sobre cultura pop e em que ele poderia me ajudar nessa idéia, ele disse apenas uma coisa:
- Escreva sobre aquilo que você tiver certeza, conhecimento, não engane seus leitores, se não você vai cair no primeiro e-mail.
Creio que não é preciso dizer mais nada, mas folheando alguns dos exemplares do “Folhateen” encontrei mais algumas dicas de outro jornalista que admiro, creio que também possa ser útil, mesmo que eu também não acredite em fórmulas. O texto é de 2003, mas você sabe: algumas coisas sempre são atuais, ainda mais nesse mundinho pop.
(Aliás, nunca foi e nem é pretensão deste espaço ser crítico de música)
28 | 08 | 2003
Sete dicas para quem quer ser crítico de música
Por Álvaro Pereira Júnior
Na falta de coisa melhor para fazer na vida, existe gente que almeja ser crítico de música! E muitos leitores com essa aspiração escrevem para “Escuta Aqui” pedindo dicas.
Sempre relutei em fazer esse tipo de “manual do crítico” porque, primeiro, nunca fui nem sou crítico de música em tempo integral e, segundo, desconfio de fórmulas prontas.
Mas os pedidos são muitos, então hoje vão alguns toques.
1) Ouça música desesperadamente.
Você não precisa ser músico, saber diferenciar um ré de um mi. Mas precisa ter conhecimentos históricos, entender de onde vem o tipo de música sobre o qual você escreve e como as coisas evoluíram até hoje. Só conhecer a discografia completa do Weezer não basta.
2) Leia livros e revistas desesperadamente.
Você quer criar um estilo, certo? Então precisa ler montanhas de revistas e livros, de todos os gêneros, para chegar a um jeito próprio de escrever. Não adianta só ler “Escuta Aqui” e a coluna do Lúcio Ribeiro na Folha Online. Assim, acaba virando clone. Mais um.
3) Aprenda inglês.
Cerca de 99,99% do que conta no chamado “mundo das artes” acontece em inglês. Se você não sabe a língua direito, arrume outra coisa para fazer. Ser crítico de música não dá.
4) Aceite sua insignificância.
Ninguém saudável compra ou deixa de comprar um CD por causa de uma crítica. Em geral, críticas de música são lidas por nerds, músicos e outros críticos de música. O leitor normal -aquele que tem uma vida, família, amigos etc.- está pouco se lixando para o que o crítico pensa.
5) Não fique amigo de músicos.
Bandas -principalmente as mais novas- sofrem muito. Dão shows sem ganhar nada, não conseguem divulgação etc. etc. Gravar um disco é mais difícil ainda. Só que é melhor não se envolver com isso, senão você vai ficar com pena dos músicos e fazer sua crítica com base nesse contexto e não na simples audição do CD. Os caras da banda podem ser gente boa, batalhadores e honestos, a baixista pode ser uma gostosa, mas, se fizeram um disco ruim, é isso o que você tem de dizer.
6) Pratique a crítica destrutiva.
Enfie uma coisa na cabeça: você e os músicos ou você e as gravadoras não estão no mesmo barco. E você não tem papel algum na construção de nenhum tipo de cena. No Brasil, a prática do compadrio e da “brodagem” é corrente entre jornalistas, músicos e gravadoras. Todo mundo é amiguinho e se ajuda mutuamente. Gente talentosa perde tempo escrevendo só sobre o que gosta ou finge que gosta. Fuja dessa.
7) Prepare-se para a realidade de uma redação.
Pense naquele cara – ou moça- inteligente, moderno, que passa o dia escutando música e, de vez em quando, escreve sobre um CD que lhe chamou a atenção. Agora esqueça isso. As críticas assinadas são uma parte muito pequena do que o jornalista faz na redação, o que inclui diagramar páginas, escrever títulos, bolar legendas de fotos, escrever matérias não-assinadas, preparar notinhas, reescrever textos dos outros, ser esculachado pelo chefe etc.
Tem mais coisa, mas o espaço acabou.

















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