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Música: “Pra Deus Implorar”, Volver
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Depois que terminei a ultima edição nos textos que iriam compor o meu primeiro Mojo Book “Grandes Infiéis” prometi que escreveria mais dois: “Canções Dentro Da Noite Escura” do Lobão e “Bloco Do Eu Sozinho” do Los Hermanos.
Mas há uma dificuldade imensa em formatar histórias dentro do contexto desses discos.
“Canções Dentro Da Noite Escura” é um disco maravilhoso, o melhor que Lobão já fez, mas é pesado, trata de perda e redenção e teria que ser situado, claro, durante a noite. Quem trabalha ou conhece as noites das grandes cidades sabe que elas não são nada fáceis, foram nelas que via as coisas mais feias da minha vida. Mas por outro lado esse mesmo aspecto sombrio poderia resultar em um personagem sem igual, noir, solitário, decadente e sem esperança, prestes a deixar cair no precipcio. Sem nada a perder, mas como todos nós em busca da redenção.
“Bloco Do Eu Sozinho” é um dos grandes discos do Los Hermanos, mas não sei ainda onde situá-lo para compor uma história com começo, meio e fim e transformar essa caminhada em algo prazeroso para o leitor – não escrevo para mim, para quem ainda não percebeu, ou, ao menos, tento. Um esboço de história já habita o caderninho verde onde os inshigts são anotados, mas tomou forma uma história que fugiu do meu controle e não sei se seria bacana ligar o disco do Los Hermanos ao ambiente que criei para a história.
Agora, obervando esses breves parágrafos sobre como cada disco se tranformou em literatura – ou sua tentativa – percebo que há, sim, um sentimento que os une: as noites difíceis.
Aquele momento em que a solidão e o futuro incerto – isso quando há previsão de vivenciá-lo – domimam o ser e devastam a alma, levando tudo, tudo mesmo, da fé ao amanhã. Ambos os personagens lutam para que não sejam derrotados na infinita necessidade de se provar capaz e querer apenas no final ser vencedor de si.
Muitas vezes isso não é possível, a realidade supera a ficção e muitos não agüentam, puxam o gatilho.
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O titulo desta nota, “As Noites Difíceis”, é também o titulo da recente coluna de Arthur Dapieve – ele sim um verdadeiro mestre – onde escreve sobre um DVD lançado nos EUA, em suas palavras “uma obra-prima perturbadora”.
É sem dúvida uma das colunas mais tristes que já li, não pelo seu conteúdo ou a descrição do DVD, mas sim pelas ultimas palavras:
“Nas noites difíceis, eles me disseram que eu não estava tão solitário assim. Às vezes, apenas isso já basta para afastar a tentação da pistola.”
Meus personagens, assim como amigos, também me salvam. Eles existem para nos carregar quando as bombas explodem.
















