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Música: “Americam X (Live)”, Black Rebel Motorcycle Club
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Ainda lembro a primeira vez que ouvi uma música do Black Rebel Motorcycle Club. Um Dj fazia o som antes do devastador show da banda americana And You Will Know Us By The Trail Of Dead em um salão quase abandonado do SESC Belenzinho, quando começou a tocar “Whatever Happened To My Rock’N'Roll”. O poderoso equipamento de som fazia com que não houvesse mais nenhum lugar na face da Terra além daquele salão abandonado onde as guitarras guiavam nossas emoções e esperanças.
Momentos depois e por mais de uma hora a banda americana Trail Of Dead fez um grande show, mas quando fui embora o que ficou foi a canção do Black Rebel ecoando na caixa da memória por dias e dias.
“A banda vive se debatendo com questões metafísicas e religiosas ao longo dos 4 álbuns, com o estado da alma e a possibilidade de salvação. Não à toa, terminaram de vez o show com “Salvation” e “Heart + Soul”, após um total de duas horas e dez minutos (!!!) no palco. Mais do que uma idéia fixa ou mera carolice cristã, os fãs do Black Rebel Motorcycle Club presentes puderam compreender perfeitamente a preocupação da banda com suas almas, constatando o quanto o grupo fez para deixar mais elevadas as nossas.”
O parágrafo acima faz parte da resenha de um show da banda que fez mini-turnê pela América do Sul e de alguma forma incompetente (por parte de empresários e organizadores) não passou pelo Brasil. Palavras quase nunca nos fazem sentir a realidade (daí muitas vezes a inutilidade de algumas literaturas), mas ler essa resenha e ouvir ao mesmo tempo algum registro ao vivo da banda faz qualquer fã deixar algumas lágrimas fugirem do controle.
Uma ótima dica para quem procura registros ao vivo da banda é o EP “iTunes Festival: London”, são apenas 7 canções, mas a força e distorção presentes em algumas dessas canções é algo assustador.
Um belo exemplo é a canção “American X”. Neste EP ela tem 9:16, mas nenhum segundo é desperdiçado, as guitarras trabalham sem pausa, a bateria marcante deixa um tom marcial o baixo ecoa nos ouvidos como um guia apontando a direção. A sensação é da mais pura solidão, ouvir “American X” em disco é ter a impressão de estar sozinho, ouvir ao vivo é como se a humanidade estivesse dizimada. Não sobra nada.
Três “muleques” com menos de 30 anos salvaram a noite quando tocavam no meu mp3, um dia ainda se vai ouvir falar mais desses shows pela América do Sul. Um dia eles ainda tocam no Brasil. Eu quero estar vivo para poder ver, mesmo que a humanidade tenha sido dizimada.
















