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Música: “Terrorista Justo (Acústico)”, Violins

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Neste ultimo mês a produção de nostas/posts para este espaço conseguiu de alguma forma manter os assuntos de cultura pop que me interessam na margem da atualidade, mesmo que alguns assuntos tenham ficado para um breve futuro creio que foi possível passar por “contrabando” algumas dicas interessantes ou ao menos fazer com que algumas, mesmo que poucas, sinapses explodissem dentro da cabeça de quem aqui passa via google ou outros mecanismos de busca ou até mesmo aqueles que fazem deste espaço morada em seus favoritos.

Não cabe aqui julgar a impotância dos blogs e se os mesmos são mídia ou contra-midia, o importante, creio, é fazer algo que mesmo a margem dos holofotes consiga e possa gerar interesse em quem lê essas linhas, seja pela leitura de um livro ou a análise de um documentário.

Se não for este o resultado, não vale a pena escrever.

Percebo que quase sempre as mesmas pessoas comentam, o que ainda não sei ser bom ou não, o índice de audiência neste ultimo mês foi tão elevado com relação aos anteriores que apenas uma coisa faz acreditar que isso tenha acontecido: a produção diária de textos publicados.

Mas seria bem bacana acreditar que não são apenas esses os fatores de evelada audiência.

É ruim também não ter uma voz discordante ou um discurso acompanhado de argumentos que mostre que não é apenas esse o caminho a seguir. Falar sozinho, sabemos, é um monólogo e monólogos muitas vezes não têm a menor graça.

Alguns projetos como o podcast não chegaram a sair de suas encubadoras por falta de tempo e organização mais detalhada, mas principalmente por não caber nas agendas de outras pessoas das quais gostaria de dividir esse enorme prazer.

Há poucos dias de completar dois anos, mesmo que iniciado com outro propósito, creio que este espaço não falou sozinho apenas de seu umbigo o que era seu principal “medo-guia”. O primeiro texto “A primeira pessoa” escrito pelo mestre Arthur Dapieve não por outro motivo é o texto mais acessado.

Os dias que correm onde todos, ou quase, querem ser a nova estralinha na tv ou apenas ter seus rostos no “tubo mágico”, faz com que cada vez mais a tênue linha entre o anonimato e o sucesso relâmpago perca a graça e seja acompanhado de conteúdo zero.

Este espaço mais uma vez “não se propõe ao ‘bebi, fiquei, dormi, levantei, tomei café, fiz cocô…’, mas sim acrescentar algo. Sei que o desafio é gigante, mas é melhor tentar do que continuar deixando grandes ‘coisas do pop’ passarem desapercebidas da TV, do Rádio ou do Jornal.”

Aceita, novamente, o convite?

Música: “Ocean Spray”, Manic Street Preachers

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eueopop: a capa da nova edição da revista “Super Interessante” tem alguma coisa a ver com a confirmação (mais uma) da vinda do Radiohead ao Brasil?

eueopop: sobre a pergunta do “Estilo Twitter (# 2)”: decidi estudar! pesquisei cursos, escolas, mensalidades, tudo certo, aí, os horários não batem.

eueopop: dia 28 de agosto (quinta-feira) o canal Multishow transmite “Multishow Registro” o ultimo show do Los Hermanos gravado antes do fim…

eueopop: tenho 7 temporadas de séries e 10 filmes esperando eu apenas apertar o play, mas tenho que estudar… e trabalhar… sim, a vida é dura!

eueopop: no MSN: “opa, e aí tudo bem?”, um amigo responde “quem é você?”, explico por 10 minutos, ele se lembra, algumas amizades ficam na escola…

eueopop: a melhor coisa que eu achei com a tradução da palestra de Nick Cave foi o comentário da Thais: “Esse cara é meio louco, né? Hahaha…”

eueopop: “Acima da Chuva” da banda Volver é um dos melhores CDs nacionais do ano e você nem percebeu, hein…

eueopop: você já assistiu “Muito Além do Cidaddão Kane”; já comprou a “Rolling Stone” de Julho; já leu o livro “1984″ e o conto “Scroogled”?

eueopop: pois isso tem muito a ver com o papo que eu quero ter com você, pricipalmente se você estuda comunicação; lembra da frase de George Orwell?

eueopop: acho que essa sessão “Estilo Twitter” é a única forma de você, leitor, saber do meu umbigo…

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Estilo Twitter (# 2)

Filme: “Sangue Negro”

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“Sangue Negro” (There Will Be Blood, EUA, 2007)

Gênero: Drama
Duração: 158 min.
Diretor: Paul Thomas Anderson
Roteirista(s): Paul Thomas Anderson, Upton Sinclair
Elenco: Daniel Day-Lewis, Martin Stringer, Kevin J. O’Connor, Jacob Stringer, Matthew Braden Stringer, Ciarán Hinds, Dillon Freasier, Joseph Mussey, Barry Del Sherman, Russell Harvard, Harrison Taylor, Stockton Taylor, Colleen Foy, Paul F. Tompkins, Kevin Breznahan

No início do século 20, no Texas, próspero produtor de petróleo (Daniel Day-Lewis) tenta ensinar ao filho aqueles que considera importantes princípios: família, ambição e riqueza nos negócios.

Música: “Podcast Max Gehringer”, CBN

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Receita Caipirinha de sakê

Ingredientes:

2 oz (onças, 60 ml) Saquê
30 gramas de açúcar
2 kiwis (aproximadamente 100 gramas)
4 cubos de gelo
1 canudo

Modo de preparo:

coloque o kiwi e o açúcar em um copo ou coqueteleira e amasse-os;
coloque no copo ou coqueteleira os 4 cubos de gelo e complete com Saquê;
coloque o canudo e kiwi em rodela para enfeitar o copo.

Rendimento: 1 porção

Finalidade digestiva: refrescante

Informação nutricional: aproximadamente 194 calorias por porção.

Por Nick Cave
Tradução Thais Machado

Senhoras e senhores,

Ser convidado para vir aqui e ensinar, palestrar, difundir o conhecimento que tenho recolhido sobre poesia, sobre escrever canções me deixou com uma série de sentimentos contraditórios. A mais forte, mais insistente dessas preocupações, meu falecido pai que era um professor de literatura inglesa na escola que estudei na Austrália.

Eu tenho memórias muito claras de quando tinha doze anos, sentado como vocês estão agora, numa sala de aula, assistindo meu pai que estaria de pé aqui onde eu estou, e pensando sobre mim mesmo, melancólico e miserável, por, no geral, eu ser uma criança melancólica e miserável: “Realmente não importa o que eu faço da minha vida enquanto eu não acabar (sendo) como o meu pai”. Aos quarenta anos de idade parecia que praticamente não existia qualquer ação minha que não me fizesse chegar mais perto dele, que não me fizesse mais parecido com ele. Aos quarenta anos eu me tornei meu pai. E aqui estou eu lecionando.

O que eu quero fazer aqui é conversar um pouco sobre a Love Song, falar sobre minha aproximação pessoal com esse tipo de composição que eu acredito que seja o centro da minha busca artística particular. Gostaria de me debruçar sobre algumas outras obras, que, por qualquer motivo, penso que são sublimes realizações nesta mais nobre das perseguições artísticas: a criação da grande canção de amor.

Olhando para trás, nestes vinte anos, prevalece uma certa clareza. Entre o caos e a loucura, eu parecia dar murros num tambor particular. Vejo que minha vida artística é centrada numa tentativa de articular a natureza de um sentimento quase palpável de perda que estabeleceu a alegação da minha vida. Um grande buraco explodiu o meu mundo pela morte inesperada do meu pai quando eu tinha dezenove anos de idade. O jeito que aprendi a preencher esse buraco, esse vazio, foi escrever. Meu pai me ensinou isso como se me preparasse para sua própria morte. Escrever me permitiu acesso direto à minha imaginação, inspiração e em última instância a Deus. Achei através do uso da língua que eu escrevi, que Deus existia. A língua se tornou o cobertor que eu joguei no homem invisível, dando forma a ele. A atualização de Deus através da Love Song continua minha motivação principal como artista. A Love Song talvez seja o mais verdadeiro e mais distintivo dom humano para reconhecer Deus e um dom que Deus precisa. Deus nos deu esse dom de falá-lo e cantá-lo vivo porque Deus vive dentro da comunicação. Se o mundo fosse ficando silencioso repentinamente Deus seria desconstruído e morreria. Jesus Cristo disse em uma de suas citações mais bonitas: “Onde houver dois ou mais reunidos, eu estarei no meio de vocês”. Ele disse isso porque onde houver duas ou mais pessoas reunidas haverá fala.

Achei que a linguagem se tornou um cataplasma para os ferimentos sofridos pela morte do meu pai. A língua se tornou o remédio para a ânsia. Embora a Love Song tenha várias formas – sons de louvor, sons de raiva e desespero, sons eróticos, sons de abandono e perda – todos eles são destinados a Deus, para as premissas de ânsia que a verdadeira Love Song habita. É um grito no vazio, por Amor e por conforto e isso vive nos lábios de uma criança chorando por sua mãe. É uma música de um amante que precisa de sua amada, a vibração do louco, suplicante pedindo por seu Deus. É o choro encadeado pela terra, pelo ordinário e pelo mundano, desejando voar; um vôo dentro da inspiração e da imaginação e divindade. A Love Song é o som de nossos empenhos para nos tornarmos parecidos com Deus, para nos erguermos acima dos limites terrenos e do que é medíocre.

A perda do meu pai, eu acho, criou um vácuo na minha vida, um espaço em que minhas palavras começaram a flutuar e coletar e encontrar seus efeitos. O ótimo W.H. Auden disse: “A chamada experiência traumática não é um acidente, mas a oportunidade que as crianças têm esperado pacientemente – não tendo isso ocorrido, terão de encontrar outra – a fim de que sua vida se torne um assunto sério”. A morte do meu pai foi uma “experiência traumática” como Auden disse, do buraco deixado por Deus para ser preenchido. Como é bonita a noção que nós criamos para nossas catástrofes pessoais, nossos instrumentos de criação para isso são as forças criativas dentro de nós. Cada um de nós tem a necessidade de criar e a tristeza é um ato criativo.

A Love Song é uma música triste, é o próprio som da tristeza. Todos nós experimentamos dentro de nós o que os portugueses chamam saudade, que se traduz como uma sensação inexplicável de ânsia, algo sem nome, um anseio enigmático da alma. E isso é o sentimento que vive nos domínios da imaginação e da inspiração, solo fértil para a música triste, para a Love Song, é a luz de Deus, lá no fundo, soprando através das nossas feridas.

Na sua palestra brilhante intitulada “The Theory and Function of Duende”, Frederico Garcia Lorca tenta lançar alguma luz na misteriosa e inexplicável tristeza que vive no coração de certas obras de arte. “Tudo onde há sons escuros há um quê de duende”, ele disse, “cujo poder misterioso todos sentem, mas nenhum filósofo pode explicar”. No rock contemporâneo, a área em que eu trabalho, a música parece pouco inclinada a ter em sua alma, inquieta e estremecida, a tristeza falada por Lorca. Excitação, muitas vezes; raiva, algumas, mas tristeza real, raramente. Bob Dylan sempre teve isso. Leonard Cohen promovia isso especificamente. Prossegue Van Morrison como um cachorro preto e embora ele tente, não pode fugir dela. Tom Waits e Neil Young podem citá-la. Ela assombra Polly Harvey. Meus amigos no Dirty 3 têm isso como carga pesada. A banda Spiritualized é louca por isso. Tindersticks querem-na desesperadamente, mas em todos pareceria que o duende é tão frágil para sobreviver à brutalidade da tecnologia e na sempre crescente aceleração da indústria musical. Talvez não haja dinheiro na tristeza, não haja dólares no duende. Tristeza ou duende precisam de espaço para respirar. Melancolia odeia perdas e flutua no silêncio. Isso deve ser manuseado com cuidado.

Toda canção de amor deve conter duende. Para a Love Song nunca se é totalmente feliz. Deve começar abraçando o potencial de dor. Essas músicas que falam de amor sem uma dor ou suspiro em seus versos não são músicas de amor, são todas músicas de ódio disfarçadas de amor, não se deve acreditar nelas. Essas músicas negam nossa humanidade e o direito que Deus nos deu de sermos tristes e as ondas de ar são cheias delas. A Love Song deve ressonar como um sussurro de tristeza, os sinos soando luto. O escritor que se recusa a explorar as regiões mais escuras do coração nunca será capaz de escrever algo convincente sobre a maravilha, a mágica e a alegria do amor, assim como a bondade não pode ser confiada a alguém que já respirou o ar do mal – a metáfora resistente de Cristo crucificado entre dois criminosos vem à mente aqui – tão dentro do tecido do Love Song, dentro de sua melodia, sua letra, tem um sentido, um aviso de sua capacidade de sofrer.

Na música notável de Lou Reed “Perfect Day” ele escreve como em forma de diário os eventos que combinados fazem um dia perfeito. É um dia que vibra com a beleza nítida do amor, onde ele e sua amante sentam no parque e bebem sangria, alimentam animais no zoológico, vão ao cinema etc. Mas são as linhas que espreitam a escuridão no terceiro verso, “eu achei que fosse alguém, alguém bom” que transformam essa música sentimental de outra maneira em uma obra-prima de melancolia que é. Não só essas linhas doem com insucesso e vergonha, mas elas nos lembram em termos mais gerais de caráter transitório o amor a si mesmo – que ele terá o seu dia “no parque”, mas, como a Cinderela, deve voltar à meia-noite para a fuligem e as cinzas do seu mundo desencantado, de modo que ele deverá regressar ao seu antigo eu, seu eu ruim. É fora do vazio que esse som “aflora”, vestido de perda e ânsia.

Mais ou menos com vinte anos, eu comecei a ler a Bíblia e encontrei a prosa brutal do Velho Testamento, no sentir de suas palavras e no seu imaginário uma fonte interminável de inspiração. “The Song of Solomon”, talvez a maior canção de amor já escrita, houve um enorme impacto sobre mim. É de natureza abertamente erótica, a jornada metafórica tida entre o corpo dos amantes – peitos comparados a cachos de uvas e veados jovens, cabelos e dentes comparados a rebanhos de cabras e ovelhas, pernas como pilares de mármore, o umbigo, um cálice redondo, a barriga, um monte de trigo – sua imaginária escala nos remete a um mundo de pura imaginação. Embora os dois amantes estejam separados fisicamente – Salomão é excluído do jardim onde sua amada canta – são as selvagens, obsessivas projeções de um amante ao outro que os fazem um ser único, construído a partir de uma série extasiante de metáforas de amor.

“The Song of Solomon” é uma música de amor extraordinária, mas foi a série notável de canções de amor/poemas conhecidos como Salmos que me prenderam de verdade. Eu achei os Salmos, que lidam diretamente com a relação entre o homem e Deus, cheios de todo o desespero, ânsia, exultação, violência erótica e brutalidade que eu poderia esperar. Os Salmos são embebidos em saudade, encharcados em duende e banhados em uma violência de espírito sangrento. De muitas formas estas canções se tornaram o modelo para muitas das minhas canções de amor mais sádicas. O Salmo 137, meu favorito em particular, que foi transformado em um gráfico atingido pela banda Boney M é um exemplo perfeito de todos os que tenho vindo falar.

“Às margens dos rios da Babilônia, nós estávamos sentados lá
nós choramos, quando nós lembramos do Sião
Quando o mal nos traz de longe em escravidão
querendo de nós uma canção
agora como nós devemos cantar a canção do mestre numa terra estranha

Deixe as palavras de nossas bocas e as meditações de nosso coração
serem aceitáveis às suas vistas aqui hoje à noite

Às margens dos rios da Babilônia, nós estávamos sentados lá
nós choramos, quando nós lembramos do Sião

Às margens dos rios da Babilônia (escuras lágrimas da Babilônia)
Nós estávamos sentados lá (você tem que cantar uma canção)
Ye-eah nós choramos, (cante uma canção de amor)
Quando nós lembramos do Sião

Às margens dos rios da Babilônia (margens da Babilônia)
Nós estávamos sentados lá (você ouve as pessoas gritando)
Ye-eah nós choramos, (elas precisam de seu Deus)
Quando nós lembramos do Sião. (ooh, ter o poder)”

A Love Song deve ter nascido na área do irracional, absurdo, distraído, melancólico, obsessivo, o insano da Love Song é o barulho do amor e o amor é, claro, uma forma de loucura. Quer se tratando do amor de Deus, ou romântico, ou erótico – há manifestações da nossa necessidade de ser rasgado pelo racional, de sair de nossos sentimentos e então ser dito. Canções de amor têm muitos disfarces e são aparentemente escritas por várias razões – como declarações ou feridas – eu componho por todos esses motivos – mas ultimamente a Love Song existe para preencher, com a linguagem, o silêncio entre nós mesmos e Deus, para diminuir a distância entre o temporal e o divino.

No Salmo 137 o poeta encontra ele mesmo cativo num “país estranho” e é forçado a cantar uma canção de Sião. Ele jura seu amor à sua terra natal e sonhos de vingança. O Salmo é medonho em seus sentimentos violentos, assim como ele canta por amor à sua terra natal e seu Deus e ele pode se sentir feliz por assassinar os filhos de seus inimigos.

O que eu acho sempre na Bíblia, especialmente no Velho Testamento, era que versos de êxtase e amor poderiam guardar dentro de si sentimentos opostos – ódio, vingança, crueldade etc, eles não eram mutuamente exclusivos. Esta idéia já deixou uma impressão duradoura nas minhas composições.

Dentro do mundo da música pop moderna, o mundo que trata ostensivamente a Love Song, mas na verdade faz um pouco mais que arremessar creme cor de vômito de bebê pelos ares, a verdadeira tristeza não é bem-vinda. Mas de vez em quando uma música vem escondida por detrás de plástico descartável, letras de amor em proporções verdadeiramente devastadoras. “Better The Devil You Know” escrito pelos hitmakers Stock, Aitken e Waterman e cantada pela sensação pop australiana Kylie Minogue é uma dessas canções. A revelação do terror do amor num pedaço de estupidez, inócuo à música pop é um conceito intrigante. “Better The Devil You Know” é uma das músicas pop com letra de amor das mais violentas e angustiantes.

“Melhor que o diabo, você sabe

Diga que não vai mais me deixar / Eu terei você de volta / Sem mais desculpas, não, não / Porque eu já ouvi todas antes / Cem vezes ou mais / Eu vou perdoar e esquecer / Se você disser que nunca irá / Porque é verdade que eles falam/ Melhor que o diabo você sabe / Nosso amor não era perfeito, eu sei / Eu disse que eu sei o placar / Você diz que me ama, garoto/ Eu não posso pedir mais / Eu irei caso você me chame / Eu estarei lá todos os dias / Esperando seu amor aparecer / Porque é verdade o que eles falam / Melhor que o diabo você sabe / Eu terei você de volta / Eu terei você de novo”

Quando Kylie Minogue canta essas palavras há uma inocência na voz dela que faz o horror dessa letra picante ficar mais atraente. A idéia apresentada dentro dessa música, escura e sinistra e triste, é que todas as relações de amor são de natureza abusiva e que o abuso, seja ele físico ou psicológico, é bem-vindo ou encorajado – mostra como sempre a mais inofensiva das canções de amor tem o potencial de esconder verdades humanas terríveis. Tal como Prometeu preso à sua pedra, de modo a que a águia pôde comer seu fígado toda noite, Kylie se torna o cordeiro de sacrifício trazendo um fervoroso convite para o lobo esfomeado que pode devorá-la sempre, no ritmo e na batida de techno. “Eu terei você de volta, eu terei você de novo”. Realmente. Aqui a canção de amor se torna um veículo para um retrato angustiante da humanidade não diferente daquele dos Salmos do Velho Testamento. Ambos são mensagens de Deus que clama um bocejo no vazio, na angústia e na auto-aversão, para a entrega.

Como eu disse mais cedo, minha vida artística é centrada no desejo, ou mais especificamente, na necessidade de articular vários sentimentos de perda e angústia que tem apitado através dos meus ossos e zumbido em meu sangue, durante minha vida. No processo eu tenho escrito aproximadamente duzentas canções, a maioria das quais eu diria que eram canções de amor. E depois, por minha definição, canções tristes. Fora dessa massa de material considerável, um punhado delas se destacam de outras como exemplos verdadeiros de tudo o que eu disse. “Sad Waters”, “Black Hair”, “I Let Love In”, “Deanna”, “From Her to Eternity”, “Nobody’s Baby Now”, “Into My Arms”, “Lime Tree Arbour”, “Lucy”, “Straight To You”. Eu tenho orgulho dessas músicas. Elas são minhas melancólicas, violentas, crianças de olhos escuros. Elas sentam sozinhas tristemente e não brincam com as outras músicas. Principalmente elas eram descendentes de gestações complicadas e de nascimento difícil e doloroso. A maior parte delas estão enraizadas na experiência pessoal direta e foram concebidas por uma variedade de razões, mas este grupo separado de canções de amor é, no fim, a mesma coisa – linhas da vida atiradas nas galáxias do divino por um homem afogado.

As razões pelas quais me sinto obrigado a sentar e escrever canções de amor são uma legião. Algumas delas se tornaram claras para mim quando eu sentei com um amigo meu, que a bem de seu anonimato vou me referir a ele como JJ, e nós admitimos um ao outro que ambos sofríamos com a desordem psicológica que a classe médica chama de erotografomania. Erotografomania é o desejo obsessivo de escrever cartas de amor. Meu amigo me disse que ele tinha escrito e enviado, nos últimos cinco anos, mais de sete mil canções de amor para sua esposa. Meu amigo parecia esgotado e sua vergonha era quase palpável. Eu sofro da mesma doença, mas felizmente ainda não alcancei o estágio avançado como meu pobre amigo JJ.

Discutimos o poder da carta de amor e descobrimos que era, não surpreendentemente, muito semelhante à da canção de amor. Ambas serviam como meditações estendidas a um ser amado. Ambas serviam para encurtar a distância entre o escritor e o destinatário. Ambas guardavam dentro delas a permanência e o poder que a palavra falada não tem. Ambas eram exercícios eróticos em si próprias. Ambas tinham o potencial para reinventar, através das palavras, como Pygmalion com sua obra criada na pedra, seu ser amado. Mas mais do que isso, ambas tinham o poder interior de encarcerar o ser amado, unir suas mãos com linhas de amor, amordaçá-los, cegá-lo; para as palavras se tornarem o parâmetro que mantém os entes ligados por uma corrente de poesia. Infelizmente, a forma de correspondência mais afetuosa, a carta de amor, assim como a canção de amor sofreram nas mãos da velocidade fria da tecnologia, com a negligência e a falta de alma da nossa era. Eu gostaria de analisar, finalmente, uma de minhas músicas gravadas no álbum The Boatmen’s Call. Essa música, sinto, exemplifica muito do que eu falei hoje. A música se chama “Far from me”.

“Longe de mim

Por você querida, eu nasci / por você eu cresci / por você eu tenho vivido e por você irei morrei / por você estou morrendo agora / Você era minha pequena amante louca / Num mundo onde todo mundo fode com qualquer um / Você quem esta longe de mim / Longe de mim / Tão longe de mim / De alguma forma atravessa algum frio mar neurótico / Longe de mim / Eu falaria pra você todo o sentido das coisas / Com um sorriso você responderia / Então o sol deixaria seu rosto lindo / E você retiraria da frente dos seus olhos / Eu continuaria ouvindo o que você faz de melhor / Eu espero que seu coração bata feliz em seu peito infantil / Você está tão longe de mim / Longe de mim / Longe de mim / Não há como saber, mas eu sei / Não há nada pra aprender naquela voz de férias / Que viaja comigo em toda linha / Do ridículo ao sublime / É bom ouvir que você está tão bem / Mas realmente você não pode encontrar alguém que você possa ligar e dizer / Você já / Se preocupou comigo? / Você sempre estará / Lá para mim? / Tão longe de mim / Você disse que ficaria do meu lado / Através do espesso e do fino / Essas foram suas várias palavras / Minha amiga do tempo-justo / Você foi meu coração valente-amante / No primeiro gosto de problema correu de volta para a mãe / Tão longe de mim / Longe de mim / Suspensa no seu mar sombrio e sem peixes/ Longe de mim / Longe de mim”

“Far From Me” levou quatro meses para ser escrita, que foi a duração da relação que ela descreve. O primeiro verso foi escrito na primeira semana do caso e é cheia de drama heróico de um novo amor, uma vez que descreve a totalidade do sentimento, embora reconhecendo o potencial de dor. “Por você estou morrendo agora”. Isso estabelece os dois amantes e os coloca contra o descrito mundo insensível – um mundo que fode com todo mundo – e traz a noção de distância física sugerida no título. Estranhamente, porém, a canção, como se aguarda a “experiência traumática” de que falei há pouco acontecer, não iria permitir-se concluída até que a catástrofe tivesse ocorrido. Algumas músicas são delicadas como essa e é aconselhável manter o seu juízo sobre você quando se lida com elas. Acho que muitas vezes eu escrevo canções que parecem saber mais do que acontece na minha vida do que eu mesmo. Tenho páginas e páginas de versos para essa música, escritos enquanto a relação ainda navegava alegremente.

Um dos versos foi:

A camélia, a magnólia / Tem essa bela flor / E os sinos de St. Marys / Nos informam a hora

Palavras bonitas, palavras inocentes, que desconhecem que qualquer dia o fundo seria abandonar o conjunto todo. Canções de amor que se ligam a experiências reais, que são a poetização de eventos reais, tem uma beleza peculiar dentro delas. Elas ficam vivas da mesma forma que as memórias ficam, elas crescem e sofrem mudanças e se desenvolvem. Uma canção de amor como “Far from me” encontrou uma personalidade além daquela que eu dei originalmente. Com o poder de influenciar os meus sentimentos reais ao redor do próprio evento. É uma coisa extraordinária e um dos benefícios maravilhosos e reais de compor. As canções que eu escrevi e que lidam com relações passadas se tornaram as próprias relações. Além dessas canções eu me tornei capaz de mitologizar os eventos comuns da minha vida, levantando-os a partir do plano temporal e arremessando-os para as estrelas. A relação descrita em “Far from me” se foi, mas a canção vive, continua pulsando através do meu passado. Essa é a beleza singular de compor músicas.

Vinte anos de composição se passaram e o vazio ainda continua bem aberto. Ainda há uma tristeza inexplicável, o duende, a saudade, o descontentamento divino persiste e talvez ele vai continuar até eu ver o rosto de Deus. Mas quando Moisés desejou ver o rosto de Deus, Êxodo 33 – 188, ele respondeu que não podia suportar, nenhum homem pode ser seu rosto e viver. Bem, eu, não me importo. Estou feliz em ser triste. Para o resíduo expresso em off nessa pesquisa, as minhas músicas, minhas crianças remoídas de olhos tristes, reunidas do seu jeito, me protegem, me confortam e me mantém vivo. Elas são as companheiras da alma que é levada ao exílio, que salvam o superpoder ansiado pelo que não é desse mundo. Os desejos imaginários se alteram por meio da escrita da Love Song, um senta e janta com perda e ânsia, loucura e melancolia, êxtase, magia, alegria e amor com igualdade de respeito e gratidão. A busca espiritual tem muitas faces – religião, arte, drogas, trabalho, dinheiro, sexo – mas raramente faz a busca servir a Deus tão diretamente e raramente as recompensas são tão grandes em fazer isso.

Obrigado.

Música: “Pra Deus Implorar”, Volver

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Depois que terminei a ultima edição nos textos que iriam compor o meu primeiro Mojo Book “Grandes Infiéis” prometi que escreveria mais dois: “Canções Dentro Da Noite Escura” do Lobão e “Bloco Do Eu Sozinho” do Los Hermanos.

Mas há uma dificuldade imensa em formatar histórias dentro do contexto desses discos.

“Canções Dentro Da Noite Escura” é um disco maravilhoso, o melhor que Lobão já fez, mas é pesado, trata de perda e redenção e teria que ser situado, claro, durante a noite. Quem trabalha ou conhece as noites das grandes cidades sabe que elas não são nada fáceis, foram nelas que via as coisas mais feias da minha vida. Mas por outro lado esse mesmo aspecto sombrio poderia resultar em um personagem sem igual, noir, solitário, decadente e sem esperança, prestes a deixar cair no precipcio. Sem nada a perder, mas como todos nós em busca da redenção.

“Bloco Do Eu Sozinho” é um dos grandes discos do Los Hermanos, mas não sei ainda onde situá-lo para compor uma história com começo, meio e fim e transformar essa caminhada em algo prazeroso para o leitor – não escrevo para mim, para quem ainda não percebeu, ou, ao menos, tento. Um esboço de história já habita o caderninho verde onde os inshigts são anotados, mas tomou forma uma história que fugiu do meu controle e não sei se seria bacana ligar o disco do Los Hermanos ao ambiente que criei para a história.

Agora, obervando esses breves parágrafos sobre como cada disco se tranformou em literatura – ou sua tentativa – percebo que há, sim, um sentimento que os une: as noites difíceis.

Aquele momento em que a solidão e o futuro incerto – isso quando há previsão de vivenciá-lo – domimam o ser e devastam a alma, levando tudo, tudo mesmo, da fé ao amanhã. Ambos os personagens lutam para que não sejam derrotados na infinita necessidade de se provar capaz e querer apenas no final ser vencedor de si.

Muitas vezes isso não é possível, a realidade supera a ficção e muitos não agüentam, puxam o gatilho.

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O titulo desta nota, “As Noites Difíceis”, é também o titulo da recente coluna de Arthur Dapieve – ele sim um verdadeiro mestre – onde escreve sobre um DVD lançado nos EUA, em suas palavras “uma obra-prima perturbadora”.

É sem dúvida uma das colunas mais tristes que já li, não pelo seu conteúdo ou a descrição do DVD, mas sim pelas ultimas palavras:

“Nas noites difíceis, eles me disseram que eu não estava tão solitário assim. Às vezes, apenas isso já basta para afastar a tentação da pistola.”

Meus personagens, assim como amigos, também me salvam. Eles existem para nos carregar quando as bombas explodem.

Música: “A Sorte”, Volver

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Música: “Rock Me Now”, Metric

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Eu tinha vários assuntos como pauta para escrever e dividir com você – o novo filme do Batman “O Cavaleiro das Trevas”; um documentário sobre o monopólio das comunicações; o seu e o meu papel no caso Daniel Dantas; o novo CD do Primal Scream; a vinda do sensacional The National para o trôpego TIM Festival; uma excelente reportagem e um conto que desencadeou em mim um espírito de conspiração; a  mais recente coluna de Arthur Dapieve; os dois melhores filmes do ano… passado; a melhor frase sobre trabalho que um amigo me disse ontem; o DVD com os melhores clipes do Radiohead – caro leitor, mas algo muito, mas muito especial aconteceu e esses assuntos terão que esperar, ao menos, um pouco.

Tenho comigo um texto – a palestra “The Love Song”, escrita por Nick Cave esse “crooner dos infernos” – há alguns anos, como o original está em inglês e o meu estágio nessa língua é comparável a um recém nascido, fico apenas olhando e tentando decifrar o que estaria por trás da poesia de Cave.

Há um bom tempo pedi para que amigos próximos traduzissem para mim, mas com o tempo aprendi também que minhas prioridades não são prioridades para outros, a gente aprende muita coisa útil com alguns amigos, mesmo quando eles nos decepcionam.

Em um casual bate-papo no MSN me vem a grande constatação que amigos nem sempre precisam estar presentes ou demonstrar que são amigos, às vezes os pequeninos gestos nos provam grandes coisas.

Thais meu muito obrigado por transformar em real um desejo que há muito tempo queria, mas não tinha meios ou amigos para.

Você não imagina o quanto sou grato pelo seu serviço e o quanto estou feliz com esse texto em mãos. O sorriso no rosto acho que dá uma pista.

Mais uma vez, meu muito obrigado.

Filme: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

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“Batman – O Cavaleiro das Trevas” ( The Dark Knight, EUA, 2008 )

Gênero: Ação
Duração: 142 min.
Diretor: Christopher Nolan
Roteirista(s): Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Eric Roberts, Cillian Murphy, Anthony Michael Hall, Monique Curnen, Nestor Carbonell, Joshua Harto, Michael Jai White, Colin McFarlane

Batman (Christian Bale), o Comissário Jim Gordon e o advogado Harvey Dent unem seus esforços para deter a vilania do Curinga (Heath Ledger), um assassino em série que se veste de palhaço, se comporta de forma teatral e tem o único propósito de causar sofrimento aos cidadãos de Gotham. Ao mesmo tempo, Batman ainda tenta combater a corrupção e enfrentar a chegada na cidade do chefão do crime Salvatore Maroni.

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“Sou uma pessoa boa de lidar, mas problemática no meu mundo. Desde que me conheço sou honesto, mas o meu sintoma e a vida são desonestos comigo.”

Hamilton de Jesus Assunção, “Ser poeta é se viver”

Filtro “Eu e o Pop”

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Ouvindo

pablo-honey

35

Radiohead - Pablo Honey

the-bends

35

Radiohead - The Bends

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50

Radiohead - OK Computer

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45

Radiohead - Kid A

amnesiac

45

Radiohead - Amnesiac

hail-to-the-thief

5

Radiohead - Hail To The Thief

in-rainbows

50

Radiohead - In Rainbows

Livro

de-cabeca-baixa

"De Cabeça Baixa", Flavio Izhaki

("Guarda-Chuva, 186 páginas)

 

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Shows Internacionais

Coldplay - Via Funchal - São Paulo, S.P.
Pearl Jam - Estádio do Pacaembu - São Paulo, S.P.
U2 - Estádio do Morumbi - São Paulo, S.P.
Foo Fighters - Rock In Rio 3 - Rio de Janiro, R.J.
Jon Spencer Blues Explosion - Teatro SESC Pompéia - São Paulo, S.P.

Filmes

"Grandes Esperanças" (Great Expectations, EUA, 1998) de Alfonso Cuarón, com Ethan Hawke e Gwyneth Paltrow

"Um Sonho De Liberdade" (The Shawshank Redemption, EUA, 1994) de Frank Darabont, com Tim Robbins e Morgan Freeman

"Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (Big Fish, EUA, 2003) de Tim Burton, com Albert Finney e Ewan McGregor

"O Labirinto do Fauno" (El Laberinto del Fauno, México, Espanha, EUA, 2006) de Guillermo del Toro, com Ivana Baquero e Doug Jones

"Amores Brutos" (Amores Brutos, México, 2000) de Alejandro González, com Gael García Bernal

5 Melhores CDs

ok-computer.jpg

1) "Ok Computer" (1997), Radiohead

a-rush-of-blood-to-the-head.jpg

2) "A Rush Of Blood To The Head" (2002), Coldplay

o.jpg

3) "O" (2003), Damien Rice

lady-bird.jpg

4) "Lady & Bird" (2006), Lady & Bird

live-in-tokyo.jpg

5) "Live In Tokyo" (2004), Brad Mehldau

Mojo Book e outras leituras

Mojo Book e outras leituras

Mojo Book "Grandes Infiéis", Violins

Single Book "Paranoid Andoid Live", Brad Mehldau

Arquivo Poppycorn

Cinema | DVD 2008

"No Direction Home: Bob Dylan"

"CSI - Perigo A Sete Palmos"

"A Vida dos Outros"

"Medo da Verdade"

"Magnólia"

"A Ponte"

"Controle - A História de Ian Curtis"

"Batman - O Cavaleiro Das Trevas"

"Ensaio Sobre a Cegueira"

"Doutores da Alegria"

"O Ilusionista"

"Wall-E"

"Anti-Herói Americano"

"A Ultima Cartada"

"O Plano Perfeito"

"Batman Begins"

"Sangue Negro"

"Nina"

"A Lenda do Tesouro Perdido - 2"

"Arquivo X - Eu Quero Acreditar"

"Eu Sou A Lenda "

"Filhos da Esperança"

"Antes de Partir"

"O Hospedeiro"

"Jumper"

"Borat"

"Cloverfield - Monstro"

"Mandando Bala"

"Mr. Vingança"

"9 Canções"