Música:
“Tropicália”, Tantra

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“Alguma coisa temos que sacrificar.”
Machado de Assis

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Um amigo escreveu em seu blog que a respiração da sua namorada o deixa calmo. Comigo é diferente: os gemidos dela que me deixam calmo (não da namorada dele, claro, opa, olha o respeito).

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Por motivos operacionais (traduz-se: sem internet e sem computador, o que permanece até o momento) fiquei duas semanas sem acessar a internet. Achei que o mundo teria sofrido uma enorme mudança, ora bolas, sites de noticias são atualizados a cada segundo, tanto que um deles chama-se “Ultimo Segundo”, e o grande lance agora é noticiar um fato antes que os outros, até mesmo na internet, mesmo sabendo-se que isso não é possível e o “exclusivo” não é mais como era antigamente, mas… depois de acessar minhas mensagens eletrônicas, visitar blogs queridos, ler colunas atrasadas e, enfim, visitar sites de notícias e seus arquivos percebi que o mundo é quase o mesmo, exceto pela crise financeira nos Estados Unidos e um desastre aqui e outro ali, o planeta segue sua órbita e a vida segue, assim como sempre foi…

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No inicio deste blog havia uma outra pessoa que escrevia aqui, não adianta comparar, aquela pessoa era movida por um outro sentimento, um pouco mais honesto e sincero do que o que a move hoje: apenas sarcasmo e ironia barata, essa cópia fraudulenta de escritores que admira, contrabandeia frases e expressões, quando não idéias. O leitor mais atento sabe disso, ainda bem.

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Memória ilha de edição… (1)

Preciso acertar as contas com o passado, logo.

- Que livros você me indica?
- Ah, não sei, tem aqueles lá da lista que eu havia escrito no blog, mas entre eles eu já comprei o “Achei Que Meu Pai Fosse Deus”…
- Mas não tem nenhum lançamento interessante, algo que saiu agora e que seja legal?
- Tem o daquele cara que apareceu no “Roda Viva” (Steven Johnson), mas eu não sei o nome, ah tem algumas coisas legais, mas não sei de nada que se aproxime do seu gosto…

Ok, vou para um canto da livraria procurar algo interessante e ler citações que sempre aparecem nas primeiras páginas dos livros, enquanto isso ele está no balcão comprando algo, mas eu não identifico o que é. Na verdade apenas percebo que ele compra algo quando estamos indo embora.

Enquanto nos dirigimos para a sala e esperamos a hora do cinema, pergunto na maior ingenuidade que alguém da minha idade possa ainda acreditar:

- É um presente?
- É, mas olha aí.
- Não, deixa pra lá, vai amassar o papel.
- Não tem problema, é só abrir com cuidado.
- Ok.

Quando abro c-u-i-d-a-d-o-s-a-m-e-n-t-e o embrulho percebo que um dos livros que sempre quis ter está em minhas mãos, mas não é meu, que pena, mas fico feliz pela pessoa que vai ganhar.

- Putz que bacana, acho que a pessoa vai gostar, de quem é?
- Feliz aniversário, cara.
- Ah que é isso, é pra mim? Não precisava, que é isso. Putz muito obrigado.

Pronto, coloco um sorriso bobo como criança no rosto, mais um grande presente em mãos.

Existem amigos que não precisam ligar direto, sempre enviar e-mails, mostrar insistentemente que existem, dar presentes em datas comemorativas (pra quem comemora, claro), não, eles possuem algo mais especial que esses simples mecanismos de existência, eles são especiais por serem quem são e eu amo-os assim.

Nada é mais prazeroso do que estar entre pessoas que você ama, seja para beber e bater papo, seja apenas para saber que essas pessoas estão bem.

Muito obrigado cara, você sabe que não é a primeira vez que me faz colocar um sorriso nesse rosto descrente, velho e cansado.

Há uma frase fantástica na contra-capa do livro que ganhei:

“Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre.”

Com grandes amigos como os que tenho, essa imagem se decompõe como pó no vento…

Memória ilha de edição… (2)

Preciso acertar as contas com o passado, logo.

Um leitor que me acompanha há um relativo tempo (não sei como ele faz isso, mas… entendo), pede o meu endereço (em tempos de violência não seria normal dar tais dados importantes, mas não creio que alguém queira tão mal a alguém como esse simples blogueiro, por mais que tenha desafetos… não chega ao ponto de alguém me enviar uma, sei lá, carta-bomba).

Depois de algum tempo chega na minha caixa postal uma embalagem contendo um DVD e um livro, o primeiro já era esperado, mas o livro - mais um - é mais uma grata surpresa desse leitor que teima em me deixar feliz com suas palavras e com seu apoio irrestrito as minhas loucuras de escritor.

Uma carta dentro do livro mostra que ele se emprenhou em encontrar algum dos livros listados neste espaço, mas ele me enviou um outro livro que havia lido sobre alguns meses antes na revista “Bravo” e que estaria presente em uma outra lista. Nunca é de se recusar um romance de formação.

Com leitores assim, que teimam em colocar um sorriso neste rosto descrente, velho e cansado, não há como ficar descontente e teimar em desacreditar na humanidade.

Obrigado, mais uma vez.

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Enquanto ela olhava para o mar e pensava no futuro eu estava ali do lado pensando em alguma besteira, quando ela disse:

- Você vai casar comigo?
- Não, eu não vou casar com ninguém.
- Por que, você não me ama?
- Não é isso, não é legal dizer que a gente ama alguém. Quando a gente faz isso só faz doer, as pessoas que ouvem e as que falam sofrem e depois ficam remoendo sentimentos desnecessários.

Se eu fosse ela eu pensaria: “- Filho da puta, como alguém (ele) consegue ser tão frio deste jeito, ser tão desumano e ao mesmo tempo falar essas palavras sem se sentir culpado”.

Mas eu não sou ela. Ainda bem.

Isso deve ter um lado bom. Quem vai saber…

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Quando eu era criança aprendi que amor é igual andar de bicicleta: uma vez que a gente aprende, nunca esquece.

O problema é que eu sempre caia da bicicleta.

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Cogita-se a vinda de inúmeras bandas para o festejado segundo semestre de shows. Ao menos duas bandas viessem, garanto que não reclamaria mais da escassez de shows bacanas.

Radiohead e Nick Cave And The Bad Seeds.

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As pessoas não mudam, elas se adaptam a situações.

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“Quanto medo de não ter/
a herança de um rei/
Quanto pranto em razão/
de um prestigio que não vem/
pra ser nome de uma rua/
ou ter a cara em bronze numa praça/
antes do fim”
“Antes Do Fim”, Gram