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Violência em debate
Por Cae
Clichê? Sim. Debater violência nos games já virou jargão, discurso político, sermão religioso, entre outras coisas. Será que a violência que vemos nos games é diferente do que vemos na TV, cinema, na música ou os quadrinhos? Eu garanto uma coisa: você não acha que jogar videogame transforma alguém num assassino. Mas as pessoas que realmente acreditam nessa asneira fizeram estudos que “provam” que elas estão certas, colocando em risco o meu – o seu, o nosso – passatempo preferido.
Sinceramente, os games não são culpados. São as pessoas, como eles foram educadas, como foram criadas, suas amizades e, principalmente, suas escolhas. É um insulto à inteligência estudos que mostram dois grupos distintos jogando games diferentes por 15 minutos e depois colocados um uma sala pra espancar um João Bobo. Você não pode estudar pessoas por esse período de tempo e definir o que eles farão na sociedade pelos próximos 10 anos.
Não dou nem uma semana pra encontrar no computador daquele desmiolado que entrou arregaçando na faculdade semana passada nos EUA uma cópia de “Doom”. Aí fica mais fácil culpar o jogo do que o fácil acesso às armas por lá. Foi quase o mesmo que fizeram com os atiradores de Columbine.
A violência não acontece por lá apenas. Aqui tem louco entrando no cinema e atirando em todo mundo. Um garoto arrastado no asfalto por um carro. Jovens queimando índios na rua. Uma doméstica confundida com uma prostituta e espancada.
Os autores desses crimes eram jovens. O grande público alvo dos games e, assim, a única coisa que todos eles têm em comum, certo? Certo, mas dizer que isso foi o catalisador da violência, o real motivo que os fizeram agir desse modo, aí é errado.
O impacto dos games no comportamento violento ainda precisa ser – muito – estudado. Oras, não é porque eu jogo “GTA” que eu vou sair por aí fazendo o inferno na Terra. Tive uma boa educação, pais que me amam, boas amizades e uma boa formação psicológica. É isso que me ajuda – e a você também – a separar o real do virtual. Então o que resta? Uma “provável” ligação entre violência na mídia (games, filmes, TV…) e um “vago” comportamento agressivo (os socos no João Bobo, lembra?), mas nenhuma evidência de que jogar games violentos causa violência – e muito menos crimes – na vida real.
E mais: jogos violentos vendem. E assim como Elvis nos anos 50, Black Sabbath nos 70, “Dungeons & Dragons” nos anos 80, eles são vistos como a escória da nossa cultura jovem e, diante das terríveis e inexplicáveis tragédias recentes (ou não), a violência na mídia em geral é um alvo fácil. Mas assim como nos entretenimentos das gerações anteriores, um dia vamos olhar para trás e, junto com nossos netos, vamos pensar: tanta confusão por causa daquilo?
O único que pode dizer se violência nos jogos te influencia é você mesmo. Então lanço a pergunta: você se influencia por um monte de pixels e polígonos numa tela? Eu não.
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Jogando:
“Counter Strike” (PC): Porque a venda foi proibida, mas nada foi dito em relação as Lan Houses. Incoerências da legislação brasileira.
Música:
“Daydreams”, Adele
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O leitor mais atento questiona a volta breve de atualizações a este blog, a explicação ou sua tentativa se firma na idéia de que não é muito honesto abandonar este espaço enquanto o mundo também grita aqui dentro. Se ele o faz lá fora, ecoa aqui dentro.
Algumas medidas foram acionadas para que a vida em ambas as esferas não perca relevância: quando escrevi a nota “Pause” algumas idéias e propostas estavam em curso, hoje algo está diferente, mas a preocupação em dar maior prestigio a vida profissional e não a este espaço ainda se firma.
Por isso, retorno tão breve, mas alertando que as atualizações sofrerão com sua periodicidade, não sendo mais realizadas apenas em dias com números impares (o leitor mais atento já deve ter percebido que este blog desde o começo de 2008 está sendo atualizado apenas em dias impares, certo?), mas sim quando o grito de escrever se fizer necessário.
Música:
“Dig, Lazarus, Dig!!!”, Nick Cave And The Bad Seeds
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Amigos são mais que isso.

Música:
“Manobrista De Homens”, Violins
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Por motivos profissionais este blog ficará um período sem atualizações.
A vida lá fora grita mais alto.
Música:
“Terrorista Justo”, Violins
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Sempre quando sento a frente do computador e tenho a folha (ou a tela) em branco me pergunto o que posso escrever para interessar o leitor a retornar a esse espaço e que de certa forma gere credibilidade e fidelidade. É sempre uma guerra, nem sempre as sinapses acontecem.
Ter um blog e não querer fazer o mesmo que se pode encontrar a qualquer click não é fácil e não estou afirmando que o faça. Em 2007 convidei dois amigos talentosíssimos para escreverem comigo um blog, uma central de notícias e entretenimento, quando vi o que queria e que não poderia concluir o objetivo, pedi desculpas e desisti da idéia, era muita ousadia. Faltava tempo, dinheiro e… talento, meu claro.
“Ninguém duvida que a arte pode mudar uma vida, espero. Esta coluna mesmo, semana sim semana não, se dispõe a destacar discos, filmes ou livros capazes de mudar o nosso mundinho, ainda que por alguns dias. Contudo, a idéia de que a arte pode mudar a vida de toda uma coletividade hoje em dia soa demodê, um fóssil vivo, um celacanto dos anos 60. No século XXI, a arte não teria mais este status; apenas na política, a economia, a ciência e a religião. No máximo, timidamente, pedindo licença, o artista pretende fazer o público “tomar consciência” de um problema. Mostrá-lo, de preferência de uma forma desapaixonada e desengajada, e deixar a cada um a tarefa de agir. Ou não.”
As palavras acima foram escritas pelo mestre Arthur Dapieve, talvez em algum momento de digressão, mesmo assim, como sempre, são palavras para se pensar.
Ser ou não pessoal, ser ou não ser a escrita em primeira pessoa, dúvidas que me invadem desde quando comecei a acreditar que a escrita não é apenas uma forma de exorcizar demônios e espantar fantasmas, mas também de análise.
Por mais que sistemas de busca indiquem o que o leitor deste blog busque neste espaço não é possível saber o que realmente lhe interesse, quase nunca.
Palavras para se pensar é o que o sempre grande e competente Pedro Dória escreveu em sua ultima coluna, “Nossa blogosfera é pouco ambiciosa”, no bom suplemento “Link” do jornal “O Estado de S. Paulo”
Preste atenção, palavras para pensar nem sempre são fáceis de se encontrar nos becos escuros desta internet vasta e sem fim.
Música:
“Amor E Restos Humanos”, Wado E Realismo Fantástico
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Concluir a leitura de “Era Uma Vez O Amor Mas Tive Que Matá-Lo” (assim mesmo sem vírgula antes do “mas”), me deu enorme prazer. As primeiras impressões se confirmaram e ampliaram o horizonte de possíveis outras comparações e analises. Efraim Medina Reyes não é apenas um Tarantino, mas o melhor misto de cultura pop e literatura marginal, com toques de beleza e fúria.
Dois capítulos em particular merecem entrega e admiração pelo leitor cuidadoso. No tocante quarto capitulo, “Violão Invisível”, ele narra a história do menino Kurt que toca um violão invisível nas ruas mal iluminadas da velha Seatle, quando adulto o homem Kurt tenta inúmeras vezes tocar novamente o mesmo violão, mas sem sucesso. Lembrar Kurt Cobain, faz o leitor derrubar algumas lágrimas ou sorrir da ironia gostosa da boa sacada.
No triste e tocante sexto capitulo, “Baleias de Agosto”, Efraim mostra o coração esganiçado e triste de uma velha a morrer, mas que quer ver pela ultima vez a dança das baleias.
“Em agosto as baleias chegaram e Sarah [nota: a velha a morrer] pôde admirá-las em todo o seu esplendor. Quando as baleias partiram, ficou muito triste. Harry [nota: sobrinho de Sarah] se aproximou, trazia balas de hortelã e dividiu-as com ela. Por mais que pedisse, Sarah não quis lhe contar nenhuma história.
- O que está acontecendo com você, Sarah?
- Não sei, Harry.
- Já viu as baleias – diz Harry com os olhos úmidos. – Era o que você queria, não?
- Sim, e dou graças a Deus por isso.
- E então?
- Harry, querido, você não entenderia.
- Eu sei o que está acontecendo, Sarah - diz Harry e enxuga as lágrimas com o dorso da mão. – Sei e também tenho medo.
- O que é que você sabe, querido?
- Por favor, Sarah, não chore.
- Não estou chorando.
Harry a abraça e suas lágrimas se confundem.
- Você quer ver as baleias no próximo ano como última vez, não é?
- Sim, querido, só mais uma vez.
- Eu já sei como se chama sua baleia favorita, aquela que você mais deseja ver.
Os soluços são cada vez mais intensos. O menino aperta a anciã como se temesse perdê-la no ar.
- E como ela se chama, meu amor?
- Tem oito anos e se chama Harry.”
Leitor tenho que ir, vou ali enxugar as lágrimas escondido.
Efraim Medina Reyes quando fala de amor o compara a violência: “O amor bate mais forte que o Tyson, se mexe melhor que o Ali, é mais rápido que Bem Johnson dopado.” E depois esfacela qualquer esperança: “Basta um suspiro do amor para que você borre as calças.”
“Quem, por mais duro e eficiente que seja, não fez alguma vez nas calças.”
Efraim derruba o folclore nacional e grandes escritores de sua época como a uma mosca, trata as mulheres como panos de chão, mas como demonstrado acima, Efraim também sabe tocar dentro do corpo humano, ultrapassando viceras e mucosas e chegando ao órgão que bombeia sangue.
Sexo, sangue, amor e fúria, precisamos de escritores assim aqui no Brasil. Mas teimam em escrever para meia dúzias de críticos e jurados de festivais.
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Marcelo Costa em seu ótimo Mojo Book recontando o “Doolittle” do Pixies (já comentado neste blog) escreveu algo bem próximo disso:
“Assim que fechei os olhos fui beijado pelo demônio. Era uma visita rápida, mas eu sabia que o pior ainda estava por vir. E que eu estaria sozinho. Ela tinha todo o direito, mas pela primeira vez na minha vida entendi o amor. Acontece, como uma batida violenta em um poste a mais de 100 km/h. E alguém morre. Alguém sempre morre, mas a vida segue… até o fim.”
Ah… o amor, essa droga que vicia e mata.
Filme: “Filhos da Esperança”
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“Filhos da Esperança” (Children of Men, Inglaterra, EUA, 2006) 
Gênero: Aventura
Duração: 109 min.
Diretor(es): Alfonso Cuarón
Roteirista(s): Alfonso Cuarón, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus, Hawk Ostby, P.D. James
Elenco: Clive Owen, Julianne Moore, Michael Caine, Chiwetel Ejiofor, Charlie Hunnam, Claire-Hope Ashitey, Pam Ferris, Danny Huston, Peter Mullan, Jacek Koman, Oana Pellea, Paul Sharma, Michael Klesic, Juan Gabriel Yacuzzi, Rob Curling
Em 2027, num mundo caótico no qual os homens não podem mais procriar, um ativista concorda em ajudar a transportar uma mulher que milagrosamente está grávida. O objetivo é levá-la a um santuário, onde a criança poderá nascer a salvo e servir aos cientistas a fim de preservar o futuro da humanidade.
Música:
“Festa Universal Da Queda”, Violins
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Odeio Fórmula 1.
Odeio musicais.
Adoro pastel de feira.
Música:
“Manobristas De Homens”, Violins
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Sempre escrevo neste espaço sobre as pessoas que admiro e tenho carinho, quando essas pessoas faltam, cito alguns personagens, assim como quando citei o pequeno Finn no devastador e belo “Grandes Esperanças”.
Umas dessas pessoas é um amigo que considero um dos meus heróis. Ele estava sem emprego, quando tive a notícia de que havia encontrado algo bacana para trabalhar, fiquei tão feliz que recebi aquela notícia como presente de aniversário adiantado.
Hoje soube que ele não ficou nem mesmo um dia no emprego. Eu admiro esse cara.
O chefe chegou mostrou a mesa onde ele iria trabalhar e lhe entregou um aparelho telefônico com headset, indicou uma lista enorme de telefones e contatos de e-mail e saiu.
O rapaz que estava no seu primeiro dia de emprego olhou para aquele aparelho que há alguns anos lhe havia legado trauma, pensou o quanto havia estudado, pensou no diploma, nos cursos técnicos na pequena, mas válida experiência que tivera em uma produtora de TV, pensou o quanto aquilo (aquela situação) era pequeno para ele, pensou em todos aqueles contatos e telefones para ligar… pensou que aquilo não era para ele.
O rapaz esperou o, então, ex-chefe chegar e disse:
- X (esse é o nome do chefe) sabe, eu estava pensando, não é isso que eu quero para mim, não era isso que eu pensava em trabalhar aqui…
- Não, mas isso é apenas uma das etapas, depois você vai fazer outras coisas… – enquanto o chefe falava tentando reverter à situação o rapaz pensava em outras coisas e a voz do chefe foi sumindo ao fundo até que ele tomou uma decisão e perguntou:
- Eu não quero mais ficar aqui, eu vou embora, não está nada registrado na minha carteira, não é?
- Não, não está, mas…
- Então eu vou embora, não dá para mim.
- Mas é seu primeiro dia!
O rapaz passou pelo RH e ouviu a mesma observação.
O rapaz voltou para casa, ainda desempregado, pensou em como resolver aquela situação embaraçosa de estar sem emprego e ser muito bem qualificado. O rapaz ainda espera uma chance, espera uma oportunidade, apenas uma.
Ouviu deus surdo?
O rapaz não sabe, mas ele é meu herói, é por pessoas mais próximas assim que eu me levanto de manhã. É por pessoas corajosas assim que os fracos ainda acreditam em esperança.
É por pessoas assim que eu espero um dia contar histórias para meus filhos. Contar histórias onde os personagens desistem do emprego no primeiro dia porque eles não são tão pequenos quanto os empregos de primeiro dia.
Música:
“Exemplar Do Fundo Do Poço”, Violins
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- Opa, vai uma apostila aí?
- Não, obrigado.
- Mas você não vai prestar o concurso?
- O cargo que eu quero tem apenas duas vagas…
- Mas você pode se inscrever em outra coisa. Por exemplo, servente ganha 900 paus.
- É, eu vi isso…
- Desculpa perguntar, mas quanto você ganha?
- Ganho R$ xxx,00…
- Tá vendo, vale a pena…
- Eu estava comentando isso com a minha irmã, você viu que Médico Cardiologista vai ganhar R$ 1251,43 e um faxineiro vai ganhar R$ 900,00. Não querendo menosprezar nenhuma das profissões, mas um médico estuda 5 anos, depois mais algum bom tempo em uma especialização e dá nisso aí que os números mostram…
- É, às vezes estudar não adianta nada…
(ele tocou na ferida)
- Não querendo parecer arrogante, mas olha uma coisa: eu sou formado, tenho diploma, dois cursos técnicos, DRT que é o registro da Delegacia Regional do Trabalho, ou seja: me qualifica em uma outra profissão, estudo inglês, trabalho nos finais de semana e mesmo assim não vejo esse dinheiro todo…
- Por isso que eu digo, se inscreve aí no concurso e vem aqui comprar a apostila, dá uma preferência aí pô.
- Pode deixar até sexta-feira eu me inscrevo e passo aqui.
O rapaz saiu e foi continuar sua jornada de trabalho, depois de fazer algumas entregas. Saiu pensando em como algumas coisas não se explicam. Não adianta lutar contra o óbvio, como havia lhe ensinado um amigo.
Agora o rapaz letrado vai concorrer a uma vaga para varrer o lixo dos outros e que exige como requisito ter apenas a 4º série do ensino básico.
Por isso que eu digo: “Colação de Grau é o caralho, eu quero é um emprego!”
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Angeli publicou essa tira no dia do meu aniversário. Isso quer dizer algo. Eu acredito em sinais.

















