Música:
“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana

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“Sou chamado de Rep – diminutivo de réptil – desde que me entendo por gente. Meço seis pés e peso oitenta e um quilos (como os caubóis de Marcial Lafuente Estefanía), tenho olhos negros e fundos como buracos de escopeta prestes a disparar, boca sensual e um pau de vinte e cinco centímetros nos dias de calor. Não sou ejaculador precoce nem costumo ter mau hálito, gosto de cortar as unhas até sangrar, tenho marcas de acne nos rosto e na bunda, dentes fortes e o cheiro natural da minha pele é fascinante. Sou o cara certo para a trepada eficaz e inesquecível com que toda mulher sonha. Também me destaco bebendo. Não sei dançar nem cantar, mas se aqueles que sabem essas coisas pudessem fazê-los como eu, estariam no auge. Os meus amigos acham que eu sou convencido, meus inimigos, que sou um paspalho. A e B são opiniões acertadas, mas já devem saber qual delas prefiro. Sou heterossexual e a minha inteligência é feroz. Tenho ferimentos de bala, faca e objetos não identificados. Nunca matei ninguém mas deixei muita gente à beira da morte física ou espiritual. Não é bom se meter comigo. Meu coração é pontiagudo como lascas de explosão. Eu não gosto de pessoas queixosas nem de mães que batem nos filhos. Há uma bela mulher chamada Nilda que eu adoro.”

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Este é primeiro parágrafo do romance que dá titulo a esta nota. Brutal, crua, raivosa e nada, nada mesmo delicada e a escrita de Efraim Medina Reyes, colombiano que segue a frente do movimento “Realismo Urbano” que confronta sem dó ou piedade o já clássico movimento “Realismo Mágico” que tem como principais escritores o ganhador do prêmio Nobel Gabriel Garcia Marques e Mario Vargas Llosa.

O “Realismo Urbano” tem como principais diferenças ao outro movimento a crítica social; temática contemporânea, como a violência na cidades e o narcotráfico; incorporação de elementos da cultura de massa, como música pop, história em quadrinhos, TV e cinema; narrativa estilhaçada e com cortes abruptos. O movimento ainda possui como representantes os escritores também colombianos Mario Mendoza e Jorge Franco e o chileno Alberto Fuguet.

A leitura de seu segundo livro “Era Uma Vez O Amor Mas Tive Que Matá-Lo (Música De Sex Pistols E Nirvana)” está ainda em na metade, mas já é possível fazer uma comparação arriscada: se Quentim Tarantino escrevesse um livro ele teria as palavras de Efraim Medina Reyes.

Humor negro, violência, sangue, cidades degradadas, diálogos devastadores, algumas vezes belos, belas mulheres, sexo sem pudores. Está tudo ali dentro daquele livro de capa azul mostrando a cidade ao fundo e um alguém ou ninguém pedalando a bicicleta.

Era uma vez o amor mas tive que matá-lo.