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- Alo.
- Revistaria Cidade, bom dia!
- Bom dia, a edição do “O Globo” já chegou?
- Sim.
- Você poderia guardar uma para mim.
- Tudo bem.
- Obrigado, tchau.
- Tchau.
Há sete anos o mesmo diálogo acima (antes ainda precisava dar dados como nome, telefone e horário da retirada do jornal, hoje não mais) é feito todas as manhãs de sexta-feira.
O motivo que me move a acordar e antes de ir fazer qualquer outra coisa discar o telefone da única banca da cidade onde posso comprar o jornal “O Globo” é a coluna do jornalista, escritor e professor da PUC-Rio Arthur Dapieve. O leitor mais atento sabe que muito do que escrevo aqui é uma cópia mal feita do que ele dá como dica em suas colunas e em seus livros.
Uma palavra, uma idéia, uma crítica de música, muito disso tem muito de Arthur Dapieve na minha escrita.
Com suas palavras aprendi a gostar, entre tantas outras esferas da arte, de jazz, de Brad Mehldau a Keith Jarrett, Emiliana Torrini, Neil Young, Elvis Costello, Damiem Rice, Migala, GYBE!, Pedro The Lion, Madeleine Peyrox. Graças as suas dicas assisti Brad Mehldau ao vivo no belíssimo Auditório Ibirapuera (São Paulo – S.P.) em um dos shows mais inesquecíveis da minha ainda curta vida, uma batalha entre pianista e piano desafinado, em certo momento Mehldau levantou-se do banquinho e, ainda tocando, bateu nas cordas do piano, como que simbolicamente demonstra-se sua supremacia com a “máquina”. Genial, brilhante!!!
Há poucos dias terminei a leitura da coletânea de crônicas/colunas de Dapieve “Miúdos Metafísicos”, que compila suas palavras entre 16 de abril de 1994 a 24 de setembro de 1999 (mais ou menos a data que comecei a ler suas colunas). O livro como não haveria de ser é um delicioso recorte do que de melhor Dapieve entende: futebol, cultura pop (música pop), filosofia de botequim.
Tudo isso me veio à cabeça quando ontem assistia mais um episódio devastador de “House” o médico desumano e genial do seriado de TV. Dapieve havia escrito uma coluna (“Sem anestesia”) sobre a série no começo de 2007, um amigo também havia indicado como sendo excelente (e poucas pessoas que conheço e leio entendem tanto de série quanto esse amigo, sabe a expressão “rato de biblioteca”? Esse amigo é rato de séries).
Hoje, Dapieve dedicou sua coluna a série novamente e por mais que palavras não traduzam algumas imagens ou peças audiovisuais a sexta-feira foi salva pela coluna (“A verdade está lá dentro”).
Um trechinho da coluna:
“O episódio da [terceira] temporada mostrou-o às voltas com um casal de náufragos cubanos que fugiu dos EUA apenas para buscar o seu auxílio, pois nem a medicina da ilha de Fidel Castro conseguira diagnosticar o mal da mulher. Então durante um exame, o coração da catolicíssima mulher pára, talvez por um erro do demissionário Foreman (Omar Epps). House reluta em comunicar o óbito ao marido. Quando, muitas horas depois, ele capitula e desliga os aparelhos, a mulher volta à vida. Milagre?
House, naturalmente, se recusa a admitir uma interferência divina. ‘Por que Ele leva o crédito de todas as coisas boas? Onde estava Ele quando o coração parou?’, reclama. O médico não sossega enquanto não descobre que a cubana não foi vitima de um erro humano e sim de um ‘erro de Deus’…
… House tem uma obsessão destrutiva pela verdade. No site da Fox americana, estão à venda por US$ 19,95 camisetas com a renda revertida para uma instituição de caridade e a frase ‘Everybody lies’. Todo Mundo mente, este o lema do anti-herói.”
(Em uma comunidade do Orkut direcionada ao médico, denominada “Dr. House: Todo mundo mente!” uma frase seminal atribuída a Dercy Gonçalves abre a página inicial: “Eu adoro a vida porque é tudo mentira. É tudo falso, mentira. Nós somos feito disso, de porra! É nojento, melado, cheira mal… Qualquer um jogaria fora, mas Deus foi lá e fez a gente.” House diria o mesmo.)
Dapieve ainda cita várias observações, dele, sobre a série. Tenho minhas teorias freakcomics sobre a série, mas elas precisam esperar até a próxima quinta-feira à noite.
Como escreveu um amigo “Noites de quinta felizes” e eu digo manhãs de sexta felizes.
Rádio: “Volcano (Live)” Damien Rice
- Eu não sei como vocês vão julgar o que eu vou falar, mas espero que me entendam: eu amo o Victor e o Cae…
A frase acima foi proferida por mim em uma reunião de trabalhos escolares/acadêmicos, não importa o que as outras pessoas de grupo entenderam ou o que o leitor vai julgar, a frase estava em um contexto.
O que quis demonstrar com a frase é que gosto muito desses dois caras, muito mesmo, aprendi a conviver com eles 4 anos entre discussões e muitos acertos, aprendi sobretudo a respeitar suas idéias e admirar suas personalidades.
Outro dia quando recebi a notícia que o Victor iria sair do atual emprego de certa forma fiquei chateado, mas lendo nas entrelinhas do que ele escreveu em seu blog e conhecendo a pessoa que estava por trás daquelas palavras a tranqüilidade apareceu.
Não vou aqui questionar o mercado e as poucas oportunidades (isso farei mais para o final do ano, quando quero dividir com o leitor e amigos outros questionamentos e algum desabafo), mas se faz necessário dizer que se eu estivesse em um jogo (a vida é um grande cassino, não?) e tivesse poucas cartas apostaria tudo no Victor.
Conheço sua capacidade técnica, talento, conhecimento e conteúdo adquirido em algum tempo de mercado e nos vários projetos acadêmicos que tive o prazer de dividir com ele. Se em algum momento surgiram desentendimentos, esses existiram para a obtenção de melhor qualidade, melhor conteúdo e questionar o pré-estabelecido. Nunca fazer o igual, o óbvio, o mais do mesmo sempre presente no mercado, essa é uma das singularidades do Victor.
E amigo, se duvidas surgirem, porque, diante delas, ou a gente reforça nossas convicções e responde ou então põe em xeque velhas verdades e vai buscar novas respostas, saiba que não é preciso ir longe para buscar as possíveis soluções.
O que eu quero sintetizar é que isso tem mais a ver com merecimento do que sorte.
Assim como canta uma das poucas bandas que dividimos o bom gosto parecido: “Deixe-se acreditar/ Nada vai te acontecer/ Tudo pode ser/ Nada vai te acontecer, não tema/ Esse é o reino da alegria.”
A alegria da canção ainda está por vir, mas, meu caro, ela a de chegar.
Victor se puder ajudar em algo, sei que vou cair no lugar-comum de dizer o que você já faz ou já sabe, mas… ousadia, coragem, força, paciência e sabedoria.
- Eu não sei como vocês vão julgar o que eu vou falar, mas espero que me entendam: eu amo o Victor e o Cae…
Rádio: “Deixe-se Acreditar”, Mombojó
Outro dia o grande Marcelo Costa escreveu em seu blog sobre a corrida do dia-a-dia, não tenho o apelido carinhoso da namorada de “220″ assim como ele, mas por este lado da tela as coisas andam bem corridas, algumas notas abaixo falei sobre isso.
A possibilidade de um, enfim, novo emprego no horizonte, o cancelamento do curso de línguas e outros ajustes na agenda e no relógio talvez me furte o raro tempo dedicado a algumas atividades que despertem prazer. O medo e o leque de opções que se abre com essas novas possibilidades também dão calafrios.
Mas saudosismo talvez seja apenas medo do futuro…
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Uma das melhores cenas de “Os Simpsons – O Filme” é quando Homer folheando a Bíblia diz “Esse livro não tem nehuma resposta.”
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Se eu fosse jornalista, queria ser uma mutação entre mestre Arthur Dapieve e Pedro Doria (segue uma entrevista lúcida e recheada de luzes para quem se interessa por mídia).
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O que seria da humanidade sem o sexo, o poder/dinheiro e a violência?
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É muito bom o novo CD de José Gonzáles “In Our Nature”. Quando sua apresentação teve inicio no Teatro do SESC Vila Mariana em junho passado estava despido de qualquer expectativa ou conhecimento. Nunca antes havia ouvido algo do sueco filho de argentinos.
Gratas surpresas apenas à arte pode nos dar. Finalizado o espetáculo com uma versão sensacional de “Teardrop” do grupo Massive Attack aplausos e mais aplausos retribuíram o cantor solitário. Apenas José Gonzáles, violão e um banquinho.
A comparação com João Gilberto não é apenas equivocada como preguiçosa por quem a faz. Em “In Our Nature” ele demonstra isso e três grandes canções ganham destaque “Down The Line”, “Cycling Trivialities” e “Teardrop” a melhor do CD.
A imagem frágil de suas canções apenas abre espaço para o talento de suas composições, além de substituir Elizabeth Fraser (Cocteau Twins) nos vocais e dar sobrevida para a grande canção do Massive Attack, José Gonzáles faz um dos discos mais belos do ano.
Ao lado de “Country Mouse, City House” de Josh Rouse, este “In Our Nature” possui méritos para estar entre os melhores do ano, além de ser um disco mais bonitos lançados.
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Mariana Tramontina voltou a atualizar o seu blog, suas palavras sempre são um divã.
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A nota abaixo “Duas coisas que eu odeio… …e uma que eu adoro” é baseada nos quadrinhos do genial Angeli.
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E quando ele não creditava em mais nada, quando ele prometeu que não daria mais tempo para sentimento algum de doação, quando ele queria paz no seu canto quieto e calado, quando tantos outros furacões ainda estavam no horizonte…
Ele precisava apenas de uma mão para lhe segurar do abismo, você, sem ele nem pedir, segurou a mão e até agora não largou.
Não é preciso nomenclatura, estrutura, fórmula, quando um abraço aquece o frio de 8º, nada substitui o seu corpo.
Rádio: “Heartbeats”, José Gonzales
Odeio crianças pequenas.
Odeio pessoas indecisas.
Adoro alfajor.
Rádio: “O Som”, Maquinado
- E ai, tudo bem?
- Não, não está.
A pessoa que fez a primeira pergunta faz um olhar de desconforto e desconfiança. É engraçado o quanto às pessoas estão condicionadas a ver e querer da vida e das pessoas a seu redor apenas respostas positivas, como se esta fosse um filme de happy end na “Sessão da Tarde”.
Quando a pergunta ou algum outro comentário é direcionado para a sempre delicada relação de fé e religião, os ânimos se exaltam e quem discordar do pré-estabelecido tende a ser queimado em praça publica pela inquisição dos conservadores.
Um dos personagens que mais gosto na literatura e que melhor sintetiza minha fé e meu mínimo contato com a religião é Zvi Kolitz no livro “Yossel Rakover dirige-se a Deus” onde ele diz: “Morro calmamente, mas não apaziguado, não satisfeito; vencido, batido, mas não escravo; amargo, mas não decepcionado. Como credor e como crente, mas não como devedor e pedinte, não suplicando nem orando. Amoroso de Deus, mas sem dizer-lhe cegamente ‘Amém’ a tudo aquilo que Ele faz.”
Assim como escreveu Daniel Piza em sua coluna “já desconfiava de tudo aquilo desde quando fui obrigado a fazer primeira comunhão, aos 10 anos, período em que de fato tentei acreditar e rezar e confessar. A chatice e caretice das aulas, a falta de vontade de obedecer aos padres, a sensação de que não fazia sentido pedir perdão por um pecado que a espécie humana teria gravado em sua alma, não apenas por eventualmente ter roubado o chocolate do meu irmão do armário da cozinha – tudo isso era difícil de engolir, como a hóstia que só provei naquela ocasião e nunca mais”, minha relação com o criador e seus seguidores é atribulada.
Precisei pouquíssimas vezes de Deus e ele nunca me apareceu. Sempre vi na relação humana e divina uma seqüência do diálogo entre Al Pacino e Keanu Reeves no filme “O Advogado do Diabo”: “Vou lhe dar uma pequena informação de bastidores sobre Deus. Deus gosta de assistir. É um gozador. Pense nisso. Ele dá instintos ao homem. Dá esse dom extraordinário e então o que Ele faz, juro, para seu próprio divertimento? Estabelece as regras em sentido contrário. É a ‘pegadinha’ do século. Olhe, mas não ponha a mão! Toque, mas não experimente! Prove, mas não engula! E, enquanto você fica pulando de um pé para o outro, o que ele faz? Fica rindo! Fica disfarçando, com se não tivesse nada a ver com isso. É um sádico!”
Por mais que a ironia faça sombra às palavras acima, não vejo outra forma de dialogar com o tema religião que não seja esta.
Uma das canções mais simbólicas para iluminar o caminho deste texto é “Deus Você” da banda goiana Violins, entre guitarras esmerilhadas e bateria pulsante Beto Cupertino canta “Deus, você pode crer: eu nunca fui o filho que você quis”.
Outras canções da banda me fazem pensar nesse delicado tema, mas foi em recente entrevista a este blogueiro que Beto Cupertino demonstrou o quanto a arte é singular em tentar discutir alguns temas.
Poppy: Muitas canções da banda trabalham com o tema religião, em algum momento da sua vida você sentiu a necessidade de colocar a fé em prova? E se de alguma forma isso influenciou sua forma de compor?
Beto: Na verdade, para mim particularmente, colocar a fé em prova é o dia a dia. Eu tenho fé numa série de coisas e em outras não. O tema da religião para mim é fascinante porque ele gira sobre o sentido essencial do mundo. Se há um Deus, tudo tem explicação. Se não há, nós temos de inventar um sentido. Eu acho as duas alternativas muito interessantes, mas nunca consegui me fixar em uma delas. Eu não sou ateu, no entanto tenho muita dificuldade em aceitar um deus moral, que dita mandamentos e reprime nossos desejos. Tenho muita dificuldade em aceitar que o mundo foi feito assim cheio de armadilhas só para que a gente sofra se debatendo com nossos próprios impulsos. É uma brincadeira de mal gosto, se for assim. Mas eu não descarto a possibilidade de que seja. Eu acho tudo possível, daí eu ter dito que minha fé está em prova todo dia. Se é que a gente pode chamar isso de fé. É muito mais uma busca. Quando eu morrer, será interessante saber a reposta.
Poppy: É perceptível um atrito/respeito entre os personagens das canções e o Criador. Esse conflito vem da necessidade da banda não dizer amém a tudo que é sagrado na religião ou de questionar o pré-estabelecido?
Beto: Esse conflito é o conflito que descrevi acima. É uma indagação de vida que se faz a um possível criador. José Saramago disse certa vez que se Deus existisse ele teria dado algum sinal para que ele acreditasse. Mas pode ser que ele não tenha se aberto a esse sinal. E pode ser que realmente ele esteja certo. Se preciso fazer um esforço para revelar o criador, isso pode ser apenas um teste, ou pode ser um esforço que no fim é puramente humano, uma criação somente humana. Mas eu respeito muito a busca e mesmo quem encontra esse sinal, porque eu sei o peso que tem essa resposta para a vida das pessoas que realmente tem dentro de si um grande senso de humanidade. A religião se torna prejudicial, para mim, quando ela leva ao fanatismo, porque é uma doença como qualquer outra, e que leva à morte.
A fé colocada em prova todos os dias apenas demonstra o quanto Ele está distante de mim, e por mais que eu tenha uma vida maravilhosa existem momentos que o “faltar algo” não é substituído por amigos e namorada.
- Você não acredita em Deus?
- Não, eu sou ateu.
A pessoa que fez a primeira pergunta faz um olhar de desconforto e desconfiança. É engraçado o quanto às pessoas estão condicionadas a ver e querer da vida e das pessoas a seu redor apenas respostas positivas, como se esta fosse um filme de happy end na “Sessão da Tarde”.
Rádio: “Deus Você”, Violins
Por favor, não sei quanta simpatia o leitor nutre por esse blog e a pessoa que o escreve, mas não dê informação errada.
- Endereço errado, não é aqui, talvez não dê tempo…
- Mas…
- Acho que te deram informação errada.
Pensei em chorar, gritar, fiquei com raiva, ódio.
Não tem problema (tem sim ca*****), ano que vem tento de novo.
Quando essa merda vai parar?
O pior é o caminho de volta para casa, a derrota sem batalha.
Por favor leitor, não dê informação errada, não tem a menor graça.
Rádio: “Looser”, Beck
Caro Cae.
Li o que você escreveu em seu blog nessa ultima semana e por mais que eu queira falar sobre isso apenas quando minha graduação estiver concluída uma faísca acendeu aqui dentro.
Uma das coisas mais bacanas de quando comecei a utilizar internet não foi fazer download de discos e conhecer artistas e bandas que só lia ou ouvia falar nos colunistas de confiança. A coisa mais bacana foi poder ler várias pessoas e vários pontos de vista diferentes. Entre o imenso radar que apontava para várias direções encontrei o bacana COL (Cardoso On Line).
A coisa mais legal naqueles tempos pré-universidade – na verdade pré qualquer coisa, ali entre o sair do colégio e o não poder fazer “faculdade” – era ler o que os colunistas (Daniel Pellizzari e Daniel Galera me despertavam maior interesse) escreviam semanalmente. Entre dicas de bandas e comentários de filmes – eles não queriam ser os novos críticos assim como todos que escrevem, eles apenas davam dicas, coisas de amigo – a seção em que falavam sobre a vida universitária era a que mais me interessava, não apenas por eu saber que talvez nunca fosse cursar o ensino superior, mas por ver que eles estavam preocupados não apenas com suas formações acadêmicas e profissionais, mas que estavam muito interessados na vida fora dos muros.
Política era discutida de forma fervorosa, cultura sibilava em seus lábios, festas e muita putaria escorria pelas palavras ali escritas.
Digo isso, meu caro, porque estou exausto de ver pessoas da nossa geração reclamarem que nossos pais lutaram por tudo e nós não temos pelo que lutar, você sabe que isso é pura mentira e preguiça de pensamento.
Quando nossa amiga que se graduou jornalista – mas não se formou jornalista, o que o senhor sabe é muito diferente -, terminou os estudos e eu fiz o comentário entre os amigos: “Fazer parte de uma elite de apenas 8% em um país como o nosso, não é privilégio como ela mesma costuma relegar, é sim merecimento!” ela não concordou. Azar continuo pensando assim.
Não é privilégio, sim merecimento. Mas isso é papo apenas para ano que vem. Lembra o que escrevi/te disse sobre 2008?
Isso resume bem o que quero concluir com seu compartilhado desabafo: a nova forma de lecionar aulas na universidade onde estudamos não é “privilégio” apenas nosso, nem mesmo merecimento, é uma forma da entidade educacional nos privar mais uma vez do conhecimento que queremos (queremos?) adquirir. Mas também é uma idiota tendência entre outros centros acadêmicos, uma pena.
Me desaponta uma pessoa como você tão talentosa e inteligente se distanciar desses momentos tão importantes para nossas carreiras. São nesses momentos delicados e decisivos que precisamos das pessoas certas. Onde surgem dúvidas, porque, diante delas, ou a gente reforça nossas convicções e responde ou então põe em cheque velhas verdades e vai buscar novas respostas.
Formação e ética palavras tão raras quanto qualquer outra que se coloca a frente do capital. É triste saber que os próximos alunos terão que passar por mais essa dificuldade e ausência de conhecimento, mas partirá deles quererem ou não seguir esse modelo, uma coisa eu já discordo no método usado por eles para reivindicar direitos, seja diminuição nas mensalidades seja conhecimento: apitaços. Não é com granadas nas mãos que vamos derrubar o rei.
Lembra a frase de John Picger que assina minhas mensagens eletrônicas e vai dar titulo a meu blog 2008: “A informação é uma granada de mão”?
A informação (Eureka!)!
Meu caro é doloroso saber que pessoas como mestre Luiz Antonio são substituídos por novos edifícios e centros esportivos, mas meu caro “Business is business”, quem vai questionar o capitalismo?
Fica a lição proferida pelo mestre: “Formação e ética”.
Sei que cada um de nós tem seus sonhos e suas faturas para pagar, mas é sempre mais triste saber que pessoas como você e nossa amiga em comum precisam dedicar tempo e energia com coisas (seus respectivos empregos) que não vai adicionar nada a suas carreiras profissionais. Fica a esperança – sempre ela, não? – de que o futuro reserve oportunidades ou como eu gosto de chamar: merecimento.
Para os novos alunos e para a instituição de ensino fica a vontade de que ambos façam os seus melhores, assim não veremos mais campus sendo inaugurados a custa e detrimento de mentes pensantes como todos os doutores e mestres demitidos e outros contratados sem o mesmo conteúdo e salários, mas meu caro “Business is business”.
Erramos nós ao sermos chamados de “bundões” por mestre Dapieve e ficarmos quietos. Não é o caso levantado por você, mas serve tanto para nós quanto para as pessoas (“a raça suja”) que te atormentam nas manhãs de cada dia: pão e circo.
Enquanto tivermos isso não há Webclass que nos perturbe.
Rádio: “Admirável Gado Novo”, Zé Ramalho
Exceto pelos dias 25 e 28 de outubro, os outros dias restantes do TIM Festival 2007 não me despertam nenhum interesse.
Mais uma vez o festival prova não ser mais vanguarda de nada.
Que pena.Ao menos teremos a chance de ver a bela Cat Power e o genial Antony no belo Auditório Ibirapuera.Apenas dois dias me interessam, não mais.
25/10 – quinta-feira
Auditório Ibirapuera
Toni Platão
Cat Power And Dirty Delta Blues
Antony And The Johnsons
28/10 – domingo
Arena Skol Anhembi
Spank Rock (18h30)
Hot Chip (19h30)
Björk (21h)
Juliette And The Licks (23h)
Arctic Monkeys (meia-noite)
The Killers (1h)
Rádio: “Boa Hora”, Fino Coletivo
Artist | Play Count* | Name
Violins | 069 | O Anti-Herói (Parte 1)
Violins | 059 | Campeão Mundial De Bater Carteira
Violins | 058 | Grupo De Extermínio De Aberrações
Violins | 179 | Missão De Paz Na África
Violins | 145 | O Anti-Herói (Parte 2)
Violins | 127 | O Interrogatório
Violins | 122 | A Lei Seca
Violins | 120 | Solitária
Violins | 114 | Piloto Russo Na Aldeia Suskir
Violins | 106 | 22
Violins | 101 | Ford
Violins | 093 | Os Saltos Ornamentais Árabes Para Treinamento…
Violins | 327 | Manicômio
Data Added 10/5/2007
*Play Count é uma das várias ferramentas presentes no iTunes e tem como função contar quantas vezes a canção acionou o play.
Rádio: “Missão De Paz Na África”, Violins
Os editores da Mojo Books liberaram o teaser do “Grandes Infiéis”, quem se interessar segue abaixo.
“Eduardo ligou seu toca-MP3, colocou na última faixa do CD e saiu, não iria ver a sua menininha encenar mais um ato na sua frente. “Já chega de teatro”, pensou. Chega de mis-en-scène. Se a felicidade sempre ofende, a tristeza que ele carregava já estava cansando. A vida segue… Deveria ter ouvido um amigo que alertou: “Mário de Andrade escrevia que ‘nome que começa com ma tem má sina’…”
Ele já sabia que Mariana, na festa de celebração da estréia da peça, bebera um pouco demais e ficara com um de seus melhores amigos. A ironia vai nos salvar. A arte vai nos salvar – oras bolas, não é para isso que ela serve? Os amigos irão nos salvar? Amigos servem pra nos levar quando a bomba explode, não?
A leve garoa o fez acelerar o passo, chegou em casa antes do programado. A barba já estava um pouco grande e, desta vez por sua própria vontade, foi até o chuveiro, colocou um pouco de água quente numa vasilha, pôs um pouco de creme nas mãos e distribuiu na face. A navalha feita em aço retirava o excesso de pêlos e creme e deixava a pele já castigada por noites e noites de falta de sono, mais o acúmulo de trabalho, limpa feito pele de bebê.
Aumentou o volume do CD-player e apertou mais uma vez o botão que repetia a faixa. Olhando para o espelho, sem uma gota de sangue no rosto, falou para si mesmo:
- QUE SE FODAM OS OFENDIDOS!”
Rádio: “It’s Hard Too See”, Saw
















