Durante esses tempos fiz uma nova amizade e ela me convidou para junto com o namorado ir ao teatro, mas a data era a mesma deste feriado. Relutei, mas cedi e disse que iria ao teatro. Programando horários percebemos que seria possível antes da peça beber alguma coisa e darmos boas risadas das nossas vidas. Junto com o namorado dela, um cara genial diga-se e que fique registrado, também vimos uma brecha nos horários e essa seria ocupada por uma ida à sala escura. Ou seja, reservamos a sexta-feira de feriado para bebermos entre amigos, irmos ao cinema e depois ao teatro, programão muito bacana.
(Já disse que sorte é uma palavra que não faz parte do meu dicionário?)
Mas hoje deixei uma mensagem na caixa postal dos dois, talvez tenha sido a mensagem mais chata que tenha escrito esse ano:
“o amanhã vai ter que ser adiado, uma pena…
abração e desculpa, mas não depende de mim, infelizmente…
depois escrevo algo no seu e-mail.”
M****! M****! M****!
É complicado quando o que você programou dá tudo errado. Corro para o calendário e tento achar um novo feriado prolongado, mas me pergunto para quê, se não poderei fazer o que me proponho. Um dia isso vai acabar. Se tornar refém de uma situação é muitas vezes a única saída?
Já virou piada a cada vez que a família vai para a praia eu dizer que também vou, todos riem, menos eu. Não acho graça. Nem poderia.
O que não posso é deixar que isso também se torne piada com os amigos. Isso não.
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Quanto tempo você conseguiria passar no inferno?
Um minuto? Uma hora? Um dia? Uma semana? Um ano?
O que você me diria de seis anos?
A situação começa a ficar desconfortante quando o tesão do trabalho não é substituído nem mesmo pelo tesão do sexo. Quando o que você recebe pelo tempo que doa para a empresa não satisfaz nem mesmo seus pequenos vícios e prazeres e ainda mais você está em situação de refém: sem poder dizer nada, muito menos exigir.
Dizem que antes do paraíso, há o purgatório e o inferno. Acho que está na hora de alguém fazer a minha transferência.
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Ao telefone minha mãe pergunta:
“- Mas você quer ir?”
“- Não posso mãe, já que agora os planos foram para o ralo tenho que ir trabalhar para diminuir o estrago.”
“- Mas você quer ir?” – minha mãe pergunta de novo, mas desta vez dando maior ênfase.
“- Querer eu quero, ora bolas, mas eu não posso mais.”
Chegando em casa ela conversa com meu pai:
“- Eu vou, quer saber.”
“- Por que você não larga tudo para cima e também vai, desta vida não se leva nada.” – desta vez ela falou olhando para mim.
Se eu seguisse apenas 10% do que ela me fala seria, sem dúvida, uma pessoa mais feliz.
Por que eu não sigo?
Covardia.
Rádio: “A Balada Do Inimigo”, Lobão

















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