You are currently browsing the monthly archive for Dezembro 2006.
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo.
Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Todo o carnaval tem seu fim, e é o fim, e é o fim
Radinho: “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, Los Hermanos
O relógio marcava 20:45, quando o doutor trouxe a notícia mais esperada para um pai, homem aplicado e que prometera para si que durante toda a sua vida faria todo o possível e muito do impossível para dar uma vida justa e confortável para sua nova filha, uma menininha l-i-n-d-a! que acabara de ganhar a luz da vida. Mariana nascia, era uma terça-feira e o relógio marcou 20:45, o milagre da vida mais uma vez se fazia naquela família.
Formulei essa cena na cabeça na terça-feira à noite e olha que coincidência só agora, escrevendo, fui perceber: mais uma terça-feira, vai entender. Imaginei essa quase fábula porque uma grande amiga, uma das pessoas que eu mais aprendi a gostar, tanto que ultrapassei alguns limites e hoje pago por isso (“Perdi vinte em vinte e nove amizades/ Por conta de uma pedra em minhas mãos” cantaria Renato Russo) graduou-se em Jornalismo, nesta data a avaliação implacável de um Trabalho de Conclusão de Curso teve bons resultados. Mas enquanto a banca avaliadora fazia suas observações, nada moderadas, olhei para o pai da menininha e vi no seu semblante uma apreensão talvez igual ao daquele dia 24 há muitos anos atrás. Lembrei de Arthur Dapieve.
O mestre escreveu há algum tempo uma coluna chamada “Baba, pai, baba” sobre sua admiração acerca do hábito de leitura da filha, o nome dela? Marianna (ele já escreveu uma coluna inteira sobre uma outra Mariana, o nome da coluna? “Mari”). Um amigo costuma dizer que as Marianas vão dominar o mundo, poucas vezes ele erra, e desta vez eu concordo. Entre admiração e orgulho, Dapieve demonstrava também que sua filha estava nascendo para o mundo, nascendo de novo, evoluindo como pessoa, como ser humano, como mulher. Percebi que quando o representante da banca avaliadora disse a palavra mais esperada nessa jornada de quatro anos de estudos: !! APROVADAS !! o pai da menininha deixou escorrer, mesmo que simbolicamente, um fio de baba, assim como Dapieve.
Talvez ele quisesse dizer algo como o que Dapieve escreveu: “Há tanta coisa que eu gostaria de transmitir a ela, por minhas próprias palavras ou pelas dos outros, tanta coisa. (…) Entretanto, Marianna também tem de continuar trilhando as próprias estantes, metáforas borgeana da vida.”
Também queria dizer alguma coisa, mas a banca foi tão desumana ao avaliar o trabalho da forma que fez as observações que eu estava inerte ao que foi dito, aquele “!! APROVADA !!” foi tão estridente que eu ainda não acreditava, não que duvidasse do potencial da menininha, tanto que assinei com prazer ímpar o prefácio da obra resultado de seu Trabalho de Conclusão de Curso. Queria assim como Dapieve ou o senhor Silva dizer algo, mostrar o que aprendi da vida até aqui que pudesse ajudá-la a crescer, alguma coisa, qualquer coisa, mas o momento era dela e de seus familiares, o dia/noite era dela, ela merece, ela fez por onde.
Quando seus pequenos olhinhos cintilaram e algumas doces lágrimas de felicidade e orgulho próprio desceram a face eu deixei também um fio de baba escorrer, ninguém viu sequei logo, as lágrimas de ver a menininha feliz e formada, graduada em algo que acreditou e fez por merecer deixei para a volta no caminho de casa, agradecendo um deus que não acredito pela noite maravilhosa que ele havia permitido eu compartilhar.
Quando imaginei a cena que abre este texto lembrei de uma outra cena real que simboliza bem o quão difícil foi concluir esse trabalho, essa graduação, esse sonho da menininha:
O relógio marca 5:30 da manhã, ela deixa o computador ligado e o programa de mensagem instantânea aberto, vai tomar um banho, fazer uma massagem nas costas, tentar repor as energias de uma noite, seguida de tantas outras, em claro, entre livros e textos e citações e correções e puxões de orelha. A semana havia sido desumana, mas os prazos já estão circulados no calendário, o tempo não pára cantaria o poeta. Ela retorna do banho, agradece a companhia virtual se despede, ela precisa ir trabalhar para a noite retornar aos estudos. Não adiantaria procurar no céu iluminado e enluarado, a estrela mais cadente não estaria ali, ela estava ocupada garantindo seu futuro, estudando para poder depois colher a semente regada com suor e coragem e muita força de vontade. Ela faz a diferença, e torna-se espelho para acreditarmos em certas coisas que fazem a vida valer a pena.
Durante algum tempo acompanhei o árduo trabalho de elaboração desse projeto e sei mesmo distante, não 600 quilômetros, o quão difícil foi sua conclusão, mas faltam palavras para desejar uma vida profissional de realizações, o que me vêm à cabeça agora é que ela tenha a mesma vontade que a fez acreditar que seria possível chegar onde chegou, que a fez investir seu tempo nos estudos, na verdade o que eu quero dizer é o que Dapieve disse, mas Borges tem mais razão: ela tem que trilhar suas próprias estantes.
Fazer parte de uma elite de apenas 8% em um país como o nosso, não é prvivilégio como ela mesma costuma renegar, é sim merecimento!
Fé e Força!
O mundo é da Mariana!!!
Abração amiga, foi muito bom te conhecer!!!
Menos uma pessoa, mas não sei se ela sabe disso, tanto que eu aceno daqui, talvez ela não dê atenção ou mesmo não saiba. Mas não, ela não… tudo mais sim, ela não.
Hoje tem show da banda que eu mais gosto, eles farão o show desta vez dentro de um circo, isso acontece pela primeira vez em São Paulo e é a última vez que cantam na cidade esse ano, promete ser bem bacana, mas antes tem a última (!!!) prova do ano, tem comemoração da aprovação da menininha no Trabalho de Conclusão de Curso, e isso me deixa muito feliz, hoje pela primeira vez poderemos chama-la de Jornalista. Não sei você, mas isso me deixa muito feliz e, claro, isso merece uma grande comemoração, ela merece uma grande comemoração que já teve inicio na terça-feira, terá uma segunda comemoração hoje e possivelmente se encerrará com uma confraternização durante, quem sabe, o final de semana.
“Que tudo mais vá pro inferno” como canta o rei e eu canto junto… menos uma pessoa.
Radinho: “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”, Roberto Carlos
















