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Victor “Shinjim e Gambare irmãozinho…” me disse o Kenji um dia antes do trabalho da Mari, conversava com ele para que ele fizesse pensamento positivo com relação à apresentação dela, ele enviou um e-mail lindo para ela, mas o que ficou dessa conversa que posso tentar te ajudar agora é quando ele ensina que “Shinjim e Gambare” significa Fé e Força em japonês.
Sei sim o que é essa impotência e dor sem voz, já passei por algo muito próximo com uma pessoa muito importante para mim nessa vida, graças a algum deus a pessoa está bem. Saiba que você fez o que pôde e eu sou prova disso, havia dias que via uma face que não mostrava o cara genial que eu conheço, mas eu não podia fazer nada e infelizmente você não poderia fazer mais do muito que fez.
Não há o que eu possa dizer… cara… desculpa, qualquer coisa que eu disser vai ficar tão pequeno diante do que você sente que é melhor eu desejar fé e força, porque às vezes a vida faz dessas com a gente e a gente não tem como “revidar”, reivindicar o que é justo…
Vida que segue diria Ricardo Kotscho, sem graça, mas segue… é a lei da vida, não há como entender, mas postados temos que aceitar.
Shinjim e Gambare irmãozinho…
Radinho: Desligado
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Radinho: “Half The Perfect World”, Madeleine Peyroux
Eu preciso que você faça parte de algo que vai dar certo, e como você é membro do que é importante para mim, pensei em te incluir.
Nesta terça-feira uma pessoa muito importante para mim apresenta um projeto que levou quatro anos para chegar a sua conclusão, mas precisa passar por uma avaliação implacável.
Há seis meses o projeto começou a ganhar forma e nos dois últimos meses conteúdo, mas para isso furtou seu tempo, presença, paciência, sono (muitas vezes o sol raiando fez de companhia para que ela terminasse um texto, uma frase, uma idéia, um pensamento que havia começado ainda quando a lua ainda reinava no céu), esforço físico, afastamento do trabalho, mas não, nunca, o bom humor (como ela consegue?).
Confio todas as fichas que tenho no cassino da vida que o projeto receberá avaliação muito satisfatória, que vai fazer a diferença entre tantas coisas iguais que vemos no mercado editorial, mas mesmo assim eu preciso que você faça pensamento positivo nesta próxima terça-feira, sei que posso confiar em você.
A ONU em seu último relatório de estudos noticiou que a China possui mais de dois bilhões (!) de habitantes. Imagina todas essas pessoas pensando positivo o que não poderia ser mudado nesse planeta. Por isso, nação chinesa avante, pensamento positivo nesta terça-feira.
Ela já fez a parte dela: estudou muito e pesquisou o quanto pode, investiu tempo e dinheiro em algo que acredita, contrariando muitas vezes o pensamento único e uma inquietação desconfortante. Agora é a nossa vez, vamos torcer para que dê tudo certo.
Depois eu retorno aqui para confirmar o que já é sabido, mas prometo trazer cerveja e champanhe para comemorarmos… ops… bebemorarmos!!!
Pensamento positivo. Nação chinesa avante!!!
“Em média uma pessoa troca 24.000 beijos ao longo da vida.
Isso, sem contar os Lakas.”
Bobinhos esses publicitários, nem sabem que a melhor forma de ganhar um beijo é com chicletes!
E olha que a embalagem com cinco chicletes ainda contém três!!!
Bobinhos esses publicitários!
Radinho: “Não Vá Embora”, Marisa Monte”
O dia teimou – para o nosso bem – em correr devagar, a noite caiu e naquele momento uma estrela – a mais cadente – estava em outra área, era seu aniversário e ela queria a companhia dos outros componentes do cruzeiro do zul.
Até hoje procuro ela no céu enluarado, mas não acho mais.
Adaptando Dapieve: “Queria vê-la, estar na sua presença, ouvir-lhe a voz, para certificar de que ela existe mesmo, tem carne e osso, além de muita massa cinzenta. Às vezes, a gente pensa tanto em uma pessoa que ela adquire uma qualidade imaterial, sobrenatural, extraterrena.” Dapieve não conhece a pessoa que amo, mestre que é caso conhecesse acrescentaria a suas palavras que ela é bela de uma beleza imaculada.
Lirinha o poeta cangaceiro canta “Ê nunca mais eu vi/ Os oím do meu amor/ Nunca mais eu vi/ Os oím dela brilhar/ Nunca mais eu vi/ Os oím do meu amor/ São dois jarrinho de flor/ E todo mundo quer cheirar”. Já publiquei essa canção aqui, mas há um porque dela ser novamente entoada como um hino triste: hoje, 24 de novembro de 2006, este espaço – “Eu & o Pop” – completa 100 textinhos (post), havia inúmeros outros assuntos que poderiam merecer destaque na pauta, mas ela desperta mais sentimentos em mim, mesmo estando um mês distante dos meus oím.
Isso é latente, não há como negar.
“Não adianta se fechar. Quem se fecha não vive; não se renova; não cria; vive em eterna repetição. Não adianta erguer muros; artifícios; blindar o carro; o coração. Também não adianta; construir artefatos; bombas; bunkers. Só há uma saída.”
Qual a saída?
Eu ainda estou formulando um “primeiro andar”, um guia de sobrevivência sem os oím do meu amor, mas está extremamente difícil.
Dulce dá algumas dicas em seu texto.
Radinho: “La Guitaristic House Organisation”, Rinôçérôse
Na capa do jornal Mano Brown, líder e vocalista da maior banda de rap do país, Racionais MC’s recebe destaque, quantas vezes ele recebeu destaque em um grande jornal nos últimos anos? Lembro de uma capa no caderno Ilustrada do jornal “Folha de São Paulo” há alguns anos quando o grupo lançouava o devastador e belo “Nada Como Um Dia Após O Outro Dia”, não lembro de mais nada.
Muito dessa ausência vem da própria escolha que Brown fez ao preferir ficar a margem da grande mídia. Estaria ele errado me pergunto. A foto e uma frase sua aparece no jornal como chamada para o caderno “Folhateen”, destinado ao público jovem, como o nome indica. Dentro do caderno um texto introduz uma pequena entrevista com Brown, ele fala sobre o movimento hip hop, favela, periferia, política e muitas outras coisas. O caderno perdeu a ilustre chance de dar maior destaque ao vocalista dos Racionais, ele que raramente fala desta vez estava aberto para diálogo, mas o caderno preferiu editá-lo e apenas colocar nas comemorações do “Dia da Consciência Negra” um retrato dos 18 anos de movimento hip hop. Uma pena.
Lembrei de uma edição bem antiga da revista “Caros Amigos” em que Brown era capa, a revista está esgotada, mas é possível encontrar o texto principal em algum site dedicado à banda na internet. Outra revista há alguns anos estampava ele na capa e a chamada “Mano Brown, O Outro Lado Do Brasil”, comprei a revista e a partir dessa data comecei a respeitar a “Carta Capital”. Estampar um negro, líder de banda de rap na capa não era uma coisa muito certa de se fazer no mercado editorial, mas ela o fez. O texto da ótima jornalista Phydia de Athayde por vezes beirava a poesia marginal, mas não fugia em nenhum momento do jornalismo documental, comecei a respeitar e admirar suas palavras.
A capa da revista “Caros Amigos” deste mês traz uma entrevista oportuna com a ministra Matilde Ribeiro da Secretaria Especial De Políticas De Promoção Da Igualdade Racial, ela é ministra e você nem sabia. Onde você guarda seu preconceito?
Ela não apenas fala o que é preciso ser dito, como joga na cara do cidadão médio sua covardia com os problemas que ajudou a colocar debaixo do tapete. Anos e anos de segregação disfarçada. E isso não é apenas sobre cotas raciais (tema de outra capa da revista, procuro nos meus arquivos e lembro que comprei a revista em um sebo, a revista já velha, edição 66 de setembro de 2002, traz o tema acima da superfície, hoje na edição 116 o tema ainda é atual) em universidades, empresas ou concursos públicos, é preciso a revista retomar um de seus mais importantes projetos editoriais o “Debate Necessário”, colocando frente-a-frente diferentes classes de uma mesma sociedade e aí sim ver o racismo brotar em um dos lados.
Parabéns ministra Matilde Ribeiro pela sua história de vida, você é um exemplo!
Quantas revistas colocariam o tema em pauta em plena semana onde uma modelo morreu por não comer, vitima de uma cegueira que o “mercado” dita como paradigma de beleza? Alguém falou em fome zero?
Sem ironias, o tema – das cotas – merece seriedade, é apenas uma pontinha da geleira, mas é um inicio.
Há nas palavras de Matilde Ribeiro e na poesia marginal de Mano Brown uma reedição moderna de “Casa Grande e Senzala” clássico de Gilberto Freire.
Em certo momento da canção “Negro Drama” os Racionais na voz de Brown cantam “Forrest Gump é mato,/ eu prefiro conta uma história real”.
Você que escolhe ao ir na banca: comprar a “Caras” e a “Veja” ou comprar a “Caros Amigos” e a “Carta Capital”?
Forrest Gump ou história real?
Radinho: “Negro Drama”, Racionais MC’s
Um livro sobre a mesa traz na capa a inscrição “História do Brasil”, na lombada que une as várias páginas, uma dezena delas tem uma cor diferente das outras: a cor preta, mostrando que aqueles anos foram difíceis (não vamos entrar na concepção de que a cor preta é simbologia de tempos ruins, esse tema merece outro texto). A propaganda estampada em um jornal carioca anunciava a edição especial sobre o golpe de 64, ano onde “nasceu” à ditadura.
Quando o menino Mauro (Michel Joelsas) deixa seu time ir buscar a bola no fundo da rede, abandona o jogo de futebol – sua paixão – e corre o máximo que pode ao encontro de um carro que parece ser de seus pais, há uma beleza e poesia nesta cena que comove. Nesse momento é possível pensar que naqueles anos o país, e não apenas seus pais, saiu de férias.
Quando uma pátria abandona seus filhos ou os faz de exilados – “Virei um exilado”, diz o menino ao final do filme – ela que sai de férias em suas obrigações básicas.
O filme de Cao Hamburger, “O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias”, é comovente e pode ser visto de várias formas, mas a que mais completa o filme é observá-lo não apenas um ritual de passagem, mas também de amor e dor. A ausência dos pais o torna o homem de seu mundo e por mais que muitas companhias o fazem não estar só, ele está.
É mais uma vez a batalha do menino para se tornar homem.
Tendo como pano de fundo a Copa do Mundo de futebol de 1970, o filme mostra um menino imerso em um furacão de sentimentos sem a presença dos pais.
Tratando um tema delicado – a ditadura e repressão policial – Cao usa do humor em alguns momentos, Roberto Benigni já adentrou esse universo delicado no tocante “A Vida É Bela”, mas Cao com apreço e cuidado fílmico faz disso um aliado para seu filme e retira dessas cenas os melhores momentos do filme.
Quando os olhos azuis de Mauro ou as peripécias de Hanna (Daniela Piepszyk uma revelação, diga-se) encontrarem os seus tenha certeza: valeu ter entrado na sala escura de projeção. É nesses momentos que o filme brilha, a menina furta a atenção e ganha a simpatia e o menino faz de sua história uma poesia agridoce, entre a beleza e a melancolia.
Uma pena termos momentos assim na nossa história, e poucos são os diretores que querem mostrar isso, ainda mais de forma tão bela.
Talvez o melhor filme nacional do ano.
Se você for acompanhado(a) ao cinema leve um lenço, pode ser que ele/ela chore, mas não ligue isso é tão bonito.
Radinho: “Negras Perucas”, Paula Lima
Nesta edição, a sétima, o projeto convida a bela Céu e João Bosco.
Em 2005 assisti um show de Céu no Teatro do ótimo SESC Pompéia, ainda hoje guardo alguns momentos do show em algum canto da memória blindado contra o vírus do tempo. Poucas coisa são tão belas quanto ela no palco, quem assistiu ao programa “Ensaio” da TV Cultura esse ano onde ela era destaque sabe do que se fala
aqui.Fica a dica e o convite: vamos ver Céu ao vivo?
Radinho: “In Transit”, Albert Hammond Jr.
Passeando pelo parque, jogando ping-pong, olhando na multidão a menina desejada, solitário e debaixo de chuva, subindo as escadas para seu “planeta”…
Em outra canção ele aparece novamente. Em “Natural Blues” o pequeno Little Idiot faz do velho blues uma canção bela, essa versão em animação é superior em relação a dirigida por David La Chapelle. Mas novamente o pequeno menino demonstra melancolia.
Letícia não sei se isso responde a sua pergunta, mas é deste planeta que o Little Idiot retorna a cada noite (ou final de clipe) que eu também venho, e assim como ele ainda acredito em algumas coisas que ao longo desses 4 meses de “Eu & o Pop” – real nome deste espaço – tento defender.
É bom saber que não sou o único, assim como você disse.
O próximo vôo segue quando o sol se pôr e todas as estrelas habitarem o céu enluarado.
Boa viagem!
Radinho: “New Yorke – Parte V”, Keith Jarrett
















