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“A potência intelectual de um homem se mede pela dose de humor que ele é capaz de usar.” (Nietzsche)Nietzsche não está errado, mas hoje estou de mau humor.
Por isso, não tem bate-papo no Google Talk, nem no MSN, nem no Yakult, e não vou responder as mensagens da caixa postal.
Talvez seja o frio, ou algumas coisas que não andam dando certo.
Esse mau humor fez-me lembrar de uma música do extinto grupo Junk chamada “Odeio”, entre as várias coisas que a banda cantava odiar sobrava até mesmo para os meninos do grupo teen Hanson. Eu odeio muitas coisas, havia até mesmo feito uma listinha para publicar aqui, mas não estou com paciência para isso.
Liga não leitor, essa semana tem dois shows de Los Hermanos aqui em São Paulo fechando a turnê do disco “4”. Shows da banda sempre funcionam como divã para mim, creio que consiga sobreviver ao final de semana e mandar o mau humor para bem longe.
Abraço.
Radinho: “Because The Night”, 10,000 Maniacs
-É só para devolver?, – ela repete a pergunta de sempre.
-Não, acho que vou pegar de novo, – digo tentando puxar assunto.
-De novo o mesmo, – ela fala, talvez percebendo que esta já é a terceira vez que pego o mesmo filme.-Não, vou escolher outro, – digo tentando encontrar um filme bom para levar.
-Você tem o nº 85 (“Mulher de Brinco de Pérolas”), – pergunto achando que foi uma boa escolha.
-Não, está emprestado, – ela diz para meu desanimo.
Escolho entre as mais de 200 opções de filmes que há no catálogo e logo o escolhido não está disponível. Falta de sorte.
-Você tem o nº 75 (“Tudo Sobre Minha Mãe”), – pergunto já um pouco sem graça.
-Está disponível sim, – ela fala, perguntando depois: – Você vai levar?
-Sim, – respondo, acreditando que enfim vou conseguir chamar a atenção e iniciar algum bate-papo.
Ela retira a blusa e coloca sobre o encosto da cadeira. Claro, assim ela fica ainda mais bonita.
Nome, telefone (hummm!), R.G.M., assinatura (por favor)…
Ela está fazendo a ficha de cadastro para o filme de Pedro Almodóvar. Na minha cabeça o congestionamento começa a invadir a área. Então… EUREKA!
-Porque seu crachá sempre está do lado contrário? Assim, não dá para ver seu nome e isso é desleal já que você sabe o meu.
-Melhor assim, – ela fala para meu desapontamento.
-Melhor assim? – pergunto ainda desapontado.
-Melhor, porque assim não fica toda hora para frente… – ela fala mais alguma coisa, mas eu deixo escapar, as sinapses começam e entrar em congestionamento.
-Então quando eu vou saber seu nome? – pergunto, ao menos isso eu ainda consigo.
-Vai ter que esperar ele ficar para frente. – ela fala, para novamente meu desapontamento.
-Então estou sem sorte, porque ele sempre fica para trás. – falo tentando mostrar que estou desapontado.
Ela pega o filme e me entrega, mas antes percebi que o crachá está virado e a foto dela olhando para mim, ao lado seu nome.
-Samara, – digo efusivamente alegre, muito alegre, mas, acho, sem demonstrar.
Ela sorri e fala algo como se não fosse a hora de eu saber o seu nome, mas já é tarde agora eu sei.
Tento entregar algo que comprei para ela, mas um outro funcionário entra na sala e pergunta o motivo da risada, ela responde que não foi nada e eu saio sem ela perceber, acho.
Não consegui entregar o que comprei. Amanhã queira a sorte esteja do meu lado, assim como o crachá.
Torça por mim!
Abraço.
Radinho: “Malemolencia”, Céu
Quero casar, sim; ter filhos, um casal; ter churrasco no domingo, mesmo eu não comendo carne; ir viajar nos finais de semana, mesmo que não goste de viajar ou ainda que meu futuro profissional me empeça muitas vezes desse hábito; quero ser bobão de dar risada das besteiras da vida…Quem me conhece dificilmente me vê de ótimo humor como ultimamente, mas isso pode mudar.
Quero, como disse acima, ter filhos, um casal. Um mês atrás tinha até mesmo seus nomes definidos: ela chamaria Deise; ele Marcelo ou Eduardo, ao longo desse mês mudei de idéia e resolvi acrescentar um nome para a menina: Mariana.
Não seria problema algum para a futura mamãe escolher esse novo nome para a nossa menininha. Motivos não devem ser catalogados e colocados aqui ou ali lado a lado. Quando se olha uma pessoa e (podem me chamar de isso, aquilo e blábláblá, mas eu ainda acredito nisso) observa um brilho incomum em seus olhos é preciso de alguma forma imortalizar isso.
Assim como já fizeram com fotografias, músicas, poemas, romances… eu posso contribuir com o que tenho (terei) de mais valioso (no sentido afetivo, claro), dando a minha menininha o nome de alguém que foge as palavras em definição e chamá-la de especial seria injusto com ela.
E, afinal, se a mulher da minha vida não se render a esses argumentos e apelos emocionados, basta dizer que a filha do mestre Dapieve chama-se… Marianna.
Abraço.
Radinho: “Motion Picture Soundtrack”, Radiohead
Uma canção que fala por si.“Primeiro Andar”, Los Hermanos (Rodrigo Amarante)
“já vou…será? eu quero ver, o mundo eu sei não é esse lá.
por onde andar? eu começo por onde a estrada vai e não culpo a cidade,
o pai. vou lá andar. e o que eu vou ver? eu sei.
lá.
não faz disso esse drama, essa dor! É que a sorte é preciso tirar pra ter.
perigo é eu me esconder (em você). e quando eu vou voltar?
ah, quem vai saber…
se alguém numa curva me convidar
eu vou lá
que andar é reconhecer,
olhar.
eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou.
eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você.
guarde um sonho bom pra mim.”
Abraço.
Radinho: “Paranoid Android”, Radiohead
“É comum: recebe-se por e-mail, de um conhecido, o texto atribuído a um nome famoso da literatura e não se pensa duas vezes para passá-lo à frente, depois de ler, pelo gosto de compartilhar o bom momento com os amigos da lista de contatos.São atitudes como essa que ajudam a disseminar pela internet muitos textos apócrifos, ou seja, de autoria não comprovada”
Assim começava uma matéria no jornal “Valor” em seu suplemento de cultura, o ótimo “Eu & Fim De Semana”. Com o titulo “Trânsito livre para autores falsificados” noticiava o lançamento do livro “Caiu na Rede” de Cora Rónai que escreve uma coluna de informática no jornal “O Globo” e é editora do blog “internETC”. Escrevo isso porque quando publiquei o texto “Internacionalização Da Amazônia”, ali nos comentários o editor do querido Poppy marcou presença com uma observação e questionamento pertinente: “De onde vc tirou isso? Tem certeza que é verídico? Eu tenho minhas duvidas…”Obrigado Jairo pelo puxão de orelhas. Realmente é impossível saber se Cristovam Buarque escreveu mesmo o texto, o publiquei após ter visto informação na BBC Brasil onde noticiava a compra de uma grande área da Amazônia por um empresário inglês e achei pertinente colocar um outro lado da visão que ele tinha. Mas fiz isso de forma incorreta, dando créditos a Cristovam Buarque sem saber ao certo se era verídico, e ainda mais em ano de eleições, sendo ele um dos candidatos à presidência.
Mesmo assim fica a observação de o texto trazer argumentos bem sólidos sobre a internacionalização da Amazônia, mesmo com o descaso de nossas autoridades. E respondendo a pergunta da procedência do texto, ele vem do site do programa “Provocações” de Antonio Abujamra, talvez os únicos trinta minutos inteligentes da TV aberta nacional.
Abraço.
Radinho: “Alive”, Daft Punk
Já não bastasse mestre Dapieve ter nomeado sua coluna dessa sexta-feira de “Da paixão” (colocando lado-a-lado Mariana Ximenes, Goethe, John Cleese, Pete Townshend, Fito Páez e Roland Barthes), a menina da biblioteca continua linda, então criei coragem.- Posso fazer uma pergunta, mas você não vai ficar com raiva?, pergunto tremendo como diz a expressão feito “vara verde”, coração à boca e as sinapses no cérebro congestionadas.
- Pode, ela responde.
Depois de meses vou ao “ataque”:
- O que aconteceu com o anel que estava nessa mão?, pergunto apontando para a mão direita.
- Evaporou, ela diz sorrindo, acho.
Caramba não faz isso comigo, não. Vêm aí um final de semana e esperar dois dias (48 horas!) para continuar esse dialogo. Vai ser bem difícil controlar o coração.
Proibido (censura?) de ouvir meu radinho na biblioteca, desço as escadas, play em “Lady” de Regina Spektor, peço uma Coca-cola com muito gelo no copo.
Pronto: o final de semana já está salvo.
Abraço.
Radinho: “Lenda”, Céu
Só uma palavra: decepção.
E mais uma vez f****** com São Paulo.
A pior programação que já vi no TIM.Bem que Herbie Hancock, The Bad Plus, Daft Punk, Céu e Mombojó são bem-vindos.
Já que a Pequeña Orquesta Reincidentes não vêm mesmo.
TIM Festival 2006/Rio de Janeiro (Marina da Glória)
27/10
Tim Stage (23h) – Daft Punk
Tim Lab (22h30) – Céu, Amadou & Marian, Devendra Banhart
Tim Club (20h) – Ivan Lins, Jennifer Sanon, Maria Schneider
Tim Village (1h) – DJ Shantel, Maurício Valladares
28/10
Tim Stage (23h) – Mombojó, Patti Smith, Yeah Yeah Yeahs
Tim Lab (22h30) – Bondê do Rolê, TV on the Radio, Thievery Corporation
Tim Club (20h) – André Mehmari Trio, Roy Hargrove, Charlie Haden
Tim Village (1h) – Booka Shade, Pet Duo
29/10
Tim Stage (23h) – Instituto, DJ Shadow, Beastie Boys
Tim Lab (22h30) – Marcelo Birck, The Bad Plus, Black Dice
Tim Club (20h) – Stefano Bollani, Ahmad Jamal, Herbie Hancock
Tim Village (1h) – DJ Jason Forrest, Camilo Rocha
Abraço.
Radinho: “Seu Troféu”, Gram
Assim como Rob Fleming em “Alta Fidelidade” (o livro), ou John Cusack em “Alta Fidelidade” (o filme) ou Guilherme Weber interpretando Rob Fleming na antológica “A Vida É Cheia De Som & Fúria” (a peça de teatro), eu também tenho meu Top 5 melhores discos de 2006, até o momento, claro:
1º “Gang Of Losers”, The Dears;
2º “The Eraser”, Thom Yorke;
3º “Let’s Get Out Of This Country”, Camera Obscura;
4º “Begin To Gope”, Regina Spektor;
5º “Homem-Espuma”, Mombojó.
“Claro, essas listinhas definitivas amanhã serão outras.” Uma vez escreveu o jornalista Arthur Dapieve.
Abraço.
Radinho: “When The Bomb Drops”, Primal Scream
Havia me programado para publicar aqui um texto sobre os meios tecnológicos e as relações humanas, tendo como ponto de partida o ilustre texto de Carla Rodrigues. Mas quando um amigo do outro lado do planeta acena com um “Oi” no bate-papo, a amiga super atarefada no trabalho e na escola não consegue falar com você pessoalmente ou o irmão grava o sobrinho na aula de futebol e natação porque os horários não combinam. A partir daí você vê que o amigo continua uma grande pessoa, mesmo com a distância e o tempo; a amiga continua um amor e com uma simpatia enorme, mesmo com tanta pressão e em alguns momentos tristeza e decisões difíceis a tomar e o sobrinho não apenas nada melhor que você (que, detalhe, não sabe nadar) como também joga um lindo futebol, você pega e aperta o botão do f***-se e manda as teorias à lona.Mesmo assim ainda fica a dica de ler o texto “Invasões tecnológicas” de Carla Rodrigues, no ótimo site NOminimo e assistir ao filme “As Invasões Bárbaras” de Denys Arcand.
Abraço.Radinho: “Nux Vomica”, The Veils
Hoje voltei a acreditar no amor, agora só falta virar homem e arrumar coragem para puxar conversa. Alguém pode me ajudar?Hoje tinha tudo para ser o que foi: “Um Dia De Fúria”, mas sabem… a menina da biblioteca salvou o dia. Caramba como ela estava linda!!!
“Hoje” é a melhor canção da banda Jota Quest. A banda não vale nada, mas essa música salva vidas a dois, poucas bandas conseguem dizer o que eles conseguiram nessa canção.
Hoje Regina Spektor me acompanhou o dia inteiro, isso fez o dia ficar menos cinza e até apareceram alguns raios de sol.
Imagine um anjo caído na terra e que sabe tocar piano e cantar belissimamente: o nome dela seria Regina Spektor. E o que é aquele saxofone em “Lady”?
Eu prefiro inverno, é melhor para abraçar. Então uma amiga pergunta:
“- Quando se tem alguém para abraçar né???”
E eu respondo:
- Às vezes é bom pensar na pessoa com carinho. Lembra a música da Legião Urbana onde diz que somos muito mais que isso (não ter alguém)?
Abraço.
Radinho: “Lady”, Regina Spektor.
















